Nem sei bem como explicar

Gosto de ir do geral para o particular.
Do que abrange para o que pormenoriza.
Do colectivo para o individual.
Do todo para o ainda maior.
E porquê?
Porque me movo por entre o círculo da humanidade, e o mais belo que a mesma tem, é que é composta por cerca de 7 mil milhões de individualidades, redundandemente únicas.
Ao longo dos últimos meses tenho sido por diversas e tão fantásticas vezes surpreendido, pelo poder da autenticidade, da simplicidade dos processos e sobretudo da resistência humana, que cada vez mais se me aparece sobre a forma tentada e conseguida de uma menina “pequenina” de cabelos negros e constantemente em crescimento, numa demonstração cabal do espírito de coragem, sacrifício, luta e preseverança, mas sobretudo pela capacidade de reinvenção, pela capacidade de sorrir genuinamente, tão genuína quanto a quantidade industrial de parvoíce que eu mesmo digo em curtos sessenta minutos, curtos porque haveria tanta mais parvoíce passível de ser utilizada, mas que permanece secretamente guardada, para momentos mais parvos ou para momentos em que seja de facto necessário e urgente ser parvo, bem parvo!
Deixem-me que vos apoquente com um simples, mas complexo retrato de uma pessoa, que se vai reinventando, mostrando, libertando, lutando, resistindo.
Vou dar-lhe um nome aleatório, pode ser…. Rita.
A Rita é sem dúvida uma pessoa como há já poucas nesta vida cada vez menos vivida.
A Rita passou por muito recentemente.
Muito mais do que se possa imaginar.
Muito mais do que eu quero aqui contar.
Muito mais do que muitos de nós conseguiriam aguentar.
Muito mais do ela podia e devia esperar.
E foi ao fundo, claro que foi.
No lugar dela teria ido bem mais fundo que o fundo.
Teria tido bem mais medo que vontade, bem mais temor que saudade, preso e amarrado à minha infiel liberdade.
Já a conhecia há mais tempo, mas não há tanto tempo, quanto o tempo que o tempo tem.
O tempo dela esteve parado e talvez ainda esteja um pouco, mas ninguém pedirá que o acelere, ninguém.
Ela hoje deita-se sem pensar no acordar.
Acorda sem pensar no deitar.
Sendo que pelo meio tem de frasear, almoçar, lanchar, procurar, encurtar, esclarecer, informar, noticiar, colocar, retirar, treinar, suar, dançar, saltar, pular, limpar, secar, arrumar, sair, chegar, jantar, deitar e PENSAR!
E outra coisa ela não faz a não ser pensar.
Normal, quem não pensaria!?
Mas a RITA é, para além de um pensamento constante de si mesma, para mim, uma inspiração.
É luz e curiosamente, tal como a luz, também a RITA ilumina, qual candeeiro de secretária, com voz imaginária, que te protege de noite e de dia, e que bela companhia…
Por vezes na vida somos movidos por… sei lá o quê…
Por coisas inexplicáveis.
Sensações irreproduzíveis, irrepetíveis, únicas e que não servem para serem analisadas e dissecadas, mas sim, para serem vividas e colocadas num plano superior ao racionalismo (pouco, tão pouco e tão cada vez menos) humano.
Senti algo que me empurrou para o seu caminho.
Para o seu percurso.
Percurso, que como ela diz e eu bem sei, não se adivinha simples, antes pelo contrário.
Mas tenho de o dizer, confesso-me diariamente surpreendido por alguém que é do “tamanho do que vê e não do tamanho da sua altura”, por alguém que me prende com palavras ou com a total ausência delas.
Senti-me tal e qual as baleias, comunicadoras existenciais, numa forma tão perfeita como mística e sobrenatural.
É, de facto é isso mesmo, é capaz de ser exactamente isso que me liga a ti RITA, qualquer coisa de tão bonito e puro que desmancha o pensamento racional, que atravessa o espectro triunfal da amizade ocasional.
Não, não mesmo, de todo!
Estou aqui.
E estarei.
Preocupo-me e para sempre o farei, porque o que me move é maior do que consigo sequer pesar, é mais complexo do que posso explicar, faltam-me palavras…
Rídiculo.
Aspirante a escrever o que quer que seja e ficas sem palavras.
Levou-as o vento?
Não.
Não preciso nem tento.
Basta-me o que tenho guardado em mim, bem dentro.
Aprendo contigo e tento ensinar-te também.
Que na vida poucas coisas existas que superem um sorriso rasgado, docemente provocado e saborosamente largado.
Disseste-me:
“Boa viagem até à (nossa) Lapa. E DESCANSA! Por favor! Se não conseguires. Escreve!”
E hoje para além de rir… fizeste-me chorar. Tinha os olhos sujos, precisava de os lavar. 
Escrevo-te porque quero, porque gosto e porque sim.
Escrevo-te porque no fundo é isso que faz o Martim!
Fala, diz, conta, escreve.
Tenta, chega, sorri, é breve.
Fugaz é o sorriso, mas ele não o deixa morrer,
Repito e reforço a sorrir, não vou, não irei, não quero nem saber.
Estou aqui para te dizer.
És um caso sério RITA.
E agora já quase dormitando sobre o assunto, tenho tempo, sento-me e pergunto:
Serei capaz de te ajudar?
Não sei.
Sei sim que vale(s) bem o suposto “esforço de tentar”.
Como pode ser um esforço, o que se faz sem pestanejar?
Não sei bem e em boa verdade o digo.
Nem sequer o consigo imaginar.
Para sorrir vontade, alguém tem de se esforçar?
É sorrir e toca a andar.
Contigo passa-se o mesmo RITA!
Não recuo nem irei recuar, seja como for, vais ter de me aturar.
Pobre de ti que ainda acabas por te fartar.
Ninguém merece um palerma, com tantas letras para juntar.
E porque hoje me disseste que era uma honra fazeres parte de um projecto que conta com um trabalho meu…
Me elevo e atrevo a deixar para ti, mais uma pequena parte de mim:

“Quero pensar e adormecer, sem ter nada que temer, quero dizer a viva voz, sou maior que o que desejo. 
Ter coragem de querer, ter a força de viver, para ver o surreal, tomar forma e ser formado, por um ser que não tem parecer, uma força incansável, que me pega e me arrasta, me levanta e não diz BASTA, sou quem sou e sei que posso.”

E tu? Podes?
Sei que sim e que consegues.
Em ti?
Orgulho?
Por ti?
Carinho, muito!
Para ti?
O mundo, é pequeno eu bem sei, mas olha foi o melhor que arranjei.



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5 thoughts on “Nem sei bem como explicar

  1. Nem sei bem explicar o que se sente ao ler este teu texto. Emocionaste-me. Muito. Por isso coloquei sublime no teu blog. Por isso fico tranquila pelo facto de a Rita estar acompanhada por pessoas como tu. Por isso te agradeço porque a Rita merece cada uma das tuas palavras. Escreves mesmo mesmo bem. E és genuinamente boa pessoa. Vê-se a léguas e eu nem te conheço. Os teus textos emocionam-me e este deixou-me com várias lágrimas e sem palavras. Beijinho e Parabéns!

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