YES WE CAN vs. SIM, EU ACHO QUE CONSIGO

Sô Barack, foi com enorme gosto, e até com alguma dose de boa disposição desconfiada, que o ouvi a apregoar aos cantos todos e mais alguns deste belo e pequeno quintal, que é o “SEU” planetita terra, que somos capazes, sim senhor, que conseguimos, que isto, aquilo e acoloutro e até mesmo, exacto, isso tudo.
Ora, desculpe-me a ousadia e perdoe-me o cafagestismo agudo e desafiador, quando me dirijo à sua nobre e mui eloquente pessoa, para lhe dizer que, ah e tal e isso é tudo muito bonito sim senhor, nós podemos, nós conseguimos, nós isto e rebéubéu pardais ao assador, mas nós aqui neste pequenino burgo, confinado a um pequeno cantinho que serve de passagem aos vossos voos da CIA, ao transporte ilegal de passageiros para aquela colónia balnear que têm em Guantanamo, e mesmo às reuniões de amigos que se preparam para decidir qual o país que vão atacar, que se realizam normalmente naquele pedaçito de terra cheio de flores e pessoas simpáticas, no meio do vosso Oceano atlântico, que desde já muito gentilmente eu venho agradecer, a disponibilidade e caridade que vocês têm para com o pessoal todo que se banha nas vossas águas. Bem sei que o Atlântico banha a nossa costa – nem sei se posso falar assim sobre Portugal, e atrever-me a dizer que algo é nosso, mas tudo bem, vamos fazer de conta que ele até é nosso – a GENEROSIDADE QUE DEMONSTRAM EM NOS DEIXAREM DAR UMAS MERGULHAÇAS NESTA ENORME PISCINA, É SOBREMANEIRA APRECIADA. Mas indo ao essencial, queria apenas dizer-vos que a tal mensagem em causa é muito bonita, mas em Portugal nós vemos as coisas de outra forma, em vez de dizermos sim, NÓS CONSEGUIMOS, preferimos dizer, EPÁ, SE CALHAR, ACHO QUE SOU CAPAZ DE CONSEGUIR LÁ CHEGAR. Reparou em alguma diferença? Pois, tem razão, talvez sejamos ambiciosos demais em achar que somos capazes de alguma coisa, mas também nunca fez mal a ninguém sonhar um niquinho. Sim, nós não somos assim muito importantes, mas até somos simpáticos, por exemplo, lembra-se que nós fomos ajudar-vos a matar aqueles iraquianos duma figa, não é, que tinham armas de destruição não sei do quê… e que tinham snippers de 5 anos nos telhados, os malandros, e nós ali ao vosso lado, a matá-los.
Por isso, em tempos de crise, e porque não podemos pedir nada ao nosso Engenheiro Sócrates, oh, não seja assim, pare lá de troçar do homem, que ele já nem pode ouvir dizer que tirou o curso num domingo, você também é levado da breca Barack, bolas, não lhe conhecia esse seu lado galhofeiro e esse gosto desenfreado pela pândega.
Bem, como eu dizia, se tiver um tempinho e se for possível dê cá uma passadinha no burgo, que recebemos muito bem os emigrantes, arranjamos-lhe um trabalhito, assim a construir grandes coisas de futuro, tipo prédios, ou algo não muito cansativo sim?
Abraço forte e continuação de boas viagens.

Anúncios

E agora?

Agora olha, é esperar para ver.
Há dias, em que os próprios dias enervam, as horas chateiam, os minutos não passam, e os segundos são ensurdecedores…
Nesses momentos o que devemos fazer?
Para além de soltar um habitual Fo**-se, possivelmente a solução poderá passar, por encontrar um qualquer objectivo do estilo, haaaaa, tirar macacos do nariz, com os quais seguidamente podemos fazer movimentos interdigitais circulares até termos uma pequena bola seca de muco, algures entre o indicador e o polegar, ou então com o mindinho, tirar o excesso de cera que habita no reservatório anterior ao tímpano.
Bem, sei que pode ser um tanto ou quanto asqueroso, mas são pequenos conselhos como este, que permitem quebrar o gelo dos momentos ridículos em que esperamos em vão, sem sabermos bem porque é que estamos à espera, e de que é que estamos à espera. Assim, nesses momentos em que assim estamos, digamos, fodidos, por não sabermos porque é que estamos fodidos, mais vale limpar o salão, para que comece o baile.
Pensem nisto, pode ser que dêem convosco a sacar burriés e a limpar o tímpano, mas não se se esqueçam, cotovelo em ângulo de 90ºc e sempre, mas sempre com o mindinho.

Copos de água

Ora, antes de começar, gostaria de terminar.
Copos d’água, porquê?
Porque tenho sede, ou simplesmente porque me apetece escrever sobre esse universo por descobrir, que são os copos d’água gentilmente cedidos pelos mui nobres empregados de balcão, desses cafés espalhados por esse mundo fora.
Fico espantado como há tanta gente a apregoar aos 7 ventos que o mundo já não é o que era, e que já ninguém dá nada a ninguém.
Ora, não é então um acto extremamente solidário, alguém que trabalha, 12 horas num café, sabendo o preço a que água está, que ela está cara como o ouro, que é um bem precioso, que não se deve desperdiçar água, que devemos aproveitar a água do banho para despejar na sanita, depois do belo do cócó, e que devemos ainda guardar um pouco para lavar os dentes, se não é solidariedade, andar a distribuir copos d’água por transeuntes, sem cobrar um único cêntimo.
Nem temos de nos esforçar muito. Basta entrar, chegar ao balcão, se quisermos ser ligeiramente compreendidos, fazemos um ar cansadíssimo, como se viéssemos a caminhar desde o Algarve, e então pedimos o nosso copo d’água. Seguidamente, agradecemos a gentileza do empregado e saímos porta fora, à procura do novo rodízio de néctar precioso.
Desta não estavam à espera. Quem dá o que tem a mais não é obrigado, e quem dá o que não tem??
Está eternamente condenado.
pensem nisto, ou então, não pensem em nada, que isto de andar para aí a distribuir copos d’água, só tem é de acabar.