Estes “sacanas” destes refugiados

Estes “sacanas” destes refugiados

Tenho um amigo a trabalhar na Hungria, agora, neste preciso e delicado momento. É repórter de imagem da SIC, ou se preferirem cameramen. Está lá há pouco mais de uma semana, na Hungria, entenda-se.
Como é um daqueles amigos que realmente estimo e com quem realmente me preocupo tenho procurado saber dele com regularidade, sem ser chato nem o atrapalhar no trabalho de enorme importância que ele está a desempenhar. Não consigo sequer ter uma leve ideia do que os olhos dele vêm. Ainda hoje (4ª feira) levou um banho de gás lacrimogéneo, só para não ter a mania que é jornalista e que anda para aí a querer informar as pessoas do que se está ali a passar, o abelhudo.
Antes de se ir embora estava realmente apreensivo. Não porque tenha medo de trabalhar, de andar de avião, de dormir no chão, de ver a tristeza, a dor, o desalento e a desilusão, mas sim porque era e é de facto o trabalho mais importante da sua ainda curta mas já bem recheada vida profissional.
O meu amigo é um funcionário impressionante, daqueles com quem dá gosto trabalhar e sair em reportagem. É diferente da maioria dos seus colegas. Porquê? Porque é. Ponto.
É mesmo uma jóia de menino.
É assim porque tem na boca o coração. É assim porque tem nos olhos a preocupação de querer mostrar a quem cá está, cómoda e refasteladamente sentado no sofá, na cadeira do escritório, ou na secretária do trabalho, a emitir opiniões tão certas quanto despropositadas, sobre coisas que não percebe, não conhece, não sabe e não vê.

Claro que eu também cá estou, mas, ao contrário de toda esta gente que tenho visto a levantar vozes de Ira e raiva contra pessoas que nunca viram, conheceram, cheiraram, e sobretudo com quem nunca trocaram uma palavra que seja, a mim chega-me, porque a procuro, informação privilegiada do que se passa, por estes dias, na Hungria. E não são coisas nada agradáveis de se saber.
O R. tem-me contado coisas inacreditáveis.
Em primeiro lugar deve ser desde logo ressalvado que não tem conseguido dormir! E quando não dormes, alguma coisa de errado se está a passar contigo, tal é a necessidade imperiosa que o corpo tem de descansar. Rapidamente me apercebo de que a força e a violência do que vê e grava durante o dia é de tal ordem e índole que à noite, quando se estende estenuado na cama do quarto solitário de hotel onde está hospedado, já fisicamente exausto, não consegue pregar olho. Vira-se e revira-se. Tem vontade de chorar. Tem saudades da mulher que cá está, sozinha em casa, coisa de que não gosta particularmente. Hoje ela vem jantar connosco e isso descansa-o.
A impotência que o arromba e esbofeteia exprime-se com tamanha violência que, à noite, quando pára finalmente de trabalhar, perde ligeiramente o tino e sofre por não conseguir fazer absolutamente nada para atenuar, diminuir ou mesmo acabar de imediato com o sofrimento daquela gente.
O R. é assim mesmo. Querido, meigo, amigo, sempre pronto e desejoso de ajudar quem precisa, munido de um altruísmo difícil de replicar.
Diz-me então que o mais difícil de aceitar são as crianças e os seus olhos carregados de verdade e de tristeza, de medo, fustigadas por terror a mais para anos de vida a menos.
Diz-me também que há gente a enriquecer com isto tudo. Não estranho porque há sempre abutres nas tragédias. Há sempre quem ganhe com as desgraças dos outros e se sinta feliz e orgulhoso por assim ser.
Diz-me que cada pessoa paga quase 5 mil euros para chegar até aqui.
Diz-me que há agiotas a cobrar e à espera de receber o seu “dízimo” que, trocado por miúdos, mais não é do que as poupanças de toda uma vida, agora “gastas” na mais vil das despesas, a luta pela sobrevivência.

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Mas nisto os milhares de portuguesinhos inflamados e “ditadores” não pensam.
Somos um povo que agride muito melhor do que consegue proteger e defender. É histórico. Cultural.
Não fazemos ideia do que é viver e passar por isto que esta gente está a viver, mas, ainda assim, escolhemos, não poucas vezes, defender o indefensável, acreditar no inacreditável…
Os portuguesinhos que agora se revelam racistas, intolerantes, despóticos, alarves, munidos de uma sabedoria que assenta sobretudo nas opiniões dos outros e nunca, jamais, na própria cabeça, são os mesmos que se inflamam contra políticos, contra ordenados de futebolistas, contra tudo… fazendo rigorosamente nada que não… reclamar, injuuriar, criticar, ou seja, não fazendo absolutamente nada.

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Foto: Rogério Esteves

Mas já lá vamos…
Diz-me o R. que as horas que estas pessoas (importante lembrar que são pessoas, antes de serem migrantes, refugiados ou qualquer outra porra que se goste de lhes chamar, são pessoas caramba) passaram dentro de um barco foram as mais longas, mais terríveis, mais imprevisíveis de toda a sua vida.
Não são pedintes. Não são ladrões. Não são violentos. São educados. São letrados. São doutores, engenheiros e advogados. Admirados?
Entretanto vou espreitando o Twitter a cada hora que passa para saber se há novidades.
É de longe a plataforma que mais rapidamente difunde informação, que a dissemina, que a exporta e expatria pelo mundo fora. Só não sabe mais e não vê mais quem não quer saber e ver mais.
E o R. que não dorme, penso. Pobre coitado.
Faço-te um Gin triplo quando chegares e abrimos as garrafas de tinto que quiseres! Ouviste meu amigo?
Conheço-o bem e sei que, embora seja um miúdo de ferro, tudo isto tem de afectar, tem de marcar, tem de moldar, tem de mudar, tem de influenciar o olhar, tem de o fazer chorar!
Desespera por ver tanta criança infeliz. Tanta criança com fome, com frio, com bolhas nos pés de tanto andar, com ranho seco colado ao buço, remelosas que dói, com sede, mas ainda capazes de encontrar forças para sorrir.
Há semanas que não ouvem um rebentamento de uma bomba, que não vêm amigos morrer esmagados ou estilhaçados, que sentem o doce cheiro da liberdade, ainda que não percebam bem o que lhes está a acontecer e que raio é isso de liberdade afinal.
São as crianças que mais o impressionam e têm de impressionar. Porque nelas não há maldade, ganância, terrorismo ou extremismo. Nelas há tão somente a vontade de brincar e de satisfazer as suas mais básicas necessidades. Conforto, carinho, amor, segurança, felicidade e brincadeira.
Mas deixemos agora o R. por um pouco que já lá voltamos, creio que ele está a descansar e por isso vamos deixá-lo estar.
Entretanto, por cá, a coisa pinta-se de uma forma completamente inesperada mas não incompreendida.
Pelas redes sociais, um fenómeno e um mundo que adoro, admiro e onde estou activamente presente, mas que produz efeitos nefastos sobre as mentes das pessoas mais mal formadas, menos capazes de pensar pelo próprio cérebro e, sobretudo, que difundem a palavra de qualquer coisa que encontram postado, tuitado, partilhado ou publicado, como se fossem verdades incontestáveis. Vivem de axiomas e acreditam piamente no que dizem, sendo que nem sequer sabem o que estão a dizer ou mesmo o que estão a fazer. Nem sequer sabem o que pensam as suas próprias cabeças. Defendem e difundem aberrações escritas por terceiros, com notícias tantas vezes não verificadas, não confirmadas, nas diversas contas de origem extremamente duvidosa que existem nas redes sociais, sem sequer se darem conta do sentido escrito e lacto das anormalidades incríveis do que dizem. Mas atenção que estes “meninos” foram os primeiros a partilhar, a retweetar e a repostar, por exemplo, a fotografia da criança morta à beira mar numa praia da Turquia, de cara na areia, ainda vestido, abandonado ao destino que quis que ali se finasse a história da vida daquele menino. Porque isso sim, essa é a realidade desta gente…
Veiculam e partidarizam uma discussão que não tem sequer moralidade para existir.
E agora já não há charlies em lado nenhum…

Foto: Rogério Esteves
Foto: Rogério Esteves

É certo e sabido que todos temos o direito a pensar o que quisermos sobre o que quisermos, onde quisermos, como quisermos, mas uma coisa também devia ser certa, não temos o direito de ser gratuitamente maus, estúpidos, velhacos, desrespeitosos, racistas, xenófobos e sobretudo injustos para com quem nunca nos fez mal, nunca nos desrespeitou, nunca nos vilipendiou de forma alguma.
O medo do desconhecido produz no ser humano reacções tão estúpidas e abjectas que chego a pensar que na verdade não dou para este mundo. Não me revejo nestas práticas, nestas índoles, nestas manifestações odiosas e repugnantes contra pessoas indefesas, incapazes sequer de decidir o próprio destino.
Senhoras e senhores, informem-se! Por favor! Procurem informação para lá dos pasquins que vos enchem a mente de cocó! É tão fácil, tão simples, tão acessível. Hoje em dia só diz e defende merda desta cor, cheiro e consistência quem efectivamente quer ser estúpido, quem efectivamente quer ser e dizer merda. Porque se o maior valor humano é a defesa e o aproveitar da própria existência, da vida, da vivência, como é possível alguém defender que estas pessoas, estes “monhés” que vêm lá da Síria ou do cú de judas, que “cheiram mal”, que são todos terroristas e que se vão todos rebentar, porque eles passam a vida a rebentar-se por dá cá aquela palha, só por causa das sereias, perdão, das virgens prometidas.
Tanta ignorância em tão poucos caracteres.
Tanta alarvidade e tão pouca solidariedade.
Tenho esperança no futuro da humanidade.
Tenho esperança nas pessoas, nos homens, nas mulheres e sobretudo nas crianças.
Mas se a tenho é também porque tenho amigos como o meu querido R., que tem olhos limpos, carregados de esperança e bondade, de solidariedade, de altruísmo.
Obrigado meu amigo por tudo o que nos tem mostrado dia após dia, noite após noite.
Tu e a Cândida Pinto (citando o meu amigo e colega António Reis: “este nome deve pronunciar-se com reverência)” têm mostrado a Portugal que estamos “muito mal” na verdade…
Por fim, dizer apenas que, ao que parece, Portugal vai receber entre mil e três mil refugiados sírios (o número não é claro, não é redondo, nem é definitivo), num país com perto de 11 milhões de habitantes. Acham mesmo que eles nos vão roubar os empregos, que vão constituir organizações terroristas e que todas as mulheres passarão a usar Burkas?

Foto: Rogério Esteves
Foto: Rogério Esteves

Mais depressa me parece que veremos elefantes a andar de patins em Belém. Mas isso, isso não seria estranho para ninguém. Volta rápido meu amigo. E volta bem. Nós por cá vamos mantendo acesa a chama do orgulho que temos por ti, está bem?
Dá um beijo meu a todos e todas aqueles que encontrares ou para quem olhares.
Por vezes um olhar faz tanto ou mais do que uma palavra.

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11 razões para não esquecer o 11 de Setembro de 2001

11 razões para não esquecer o 11 de Setembro de 2001

Casei a 4 de Julho e a 1ª parte da lua de mel foi em Nova Iorque.
É uma cidade incrível, gigantesca, enorme, alta, muito alta, tenho a certeza que foi sempre a mais alta da sua turma, da sua escola… Mas NY é igualmente imparável, irrequieta e destabilizadora, naquele sentido muito próprio da destabilização que atinge as coisas absoluta e incomparavelmente magníficas.
É uma cidade que merece muito respeito, admiração e reverência. Porquê?
Fácil. Porque é uma daquelas cidades lindíssimas que se tornam feias e infelizes, fruto da loucura e barbárie de um grupo de mentecaptos com propósitos de psicopatas, que deixam para trás um grotesco e hediondo número de mortos às mãos do flagelo de horror que marcou o final do século passado e marca o princípio deste em que vivemos: os “atentados/ataques de grupos terroristas” contra pessoas inocentes.

1. Foi na cidade dos sonhos de meio mundo
Sempre quis conhecer NYC. Tal como tantos milhões espalhados por este Ocidente fora, também eu cresci a ver as séries, os filmes, os desenhos animados, a ler revistas e livros, a ver fotografias e imagens na televisão e a imaginar o que seria um dia poder caminhar à sombra de um arranha-céus, de mão dada com ele, passear e brincar com os esquilos no Central Park, andar num Táxi amarelo, comprar um cachorro quente numa roulotte de rua, ler o New York Times, atravessar a Brooklyn Bridge a pé só para ir ver o Sol despedir-se do dia, sempre empoleirado nas costas da vista mais emblemática da cidade. IMG_3437 O sonho adensou-se precisamente a 11 de Setembro de 2001. Quando lá cheguei, ao exacto local onde tudo se passou, gelei, de verdade. Não o escrevo para que tenham pena dos americanos, escrevo-o porque foi exactamente aquilo que me acontceu. Senti coisas que nunca tinha sentido na vida. Arrepiei-me, emocionei-me, fui invadido por um mal-estar físico que se centrava e cingia à zona da barriga, do estômago que se embrulhou, que me nauseou momentaneamente, que me entorpeceu e me roubou as palavras, que me levou aos olhos o princípio húmido das lágrimas de revolta e tristeza. Porque todos aqueles nomes gravados naquelas pedras impressionam. Por outras palavras, o WTC consegue perturbar quem sente. E já se sabe que quem não sente não é filho de boa gente.

2. A localização e a dimensão do ataque
NY é, de muito longe e sem quaisquer margens que permitam a existência de dúvidas, a cidade mais conhecida de todo o mundo. Toda a gente sabe onde fica, a que país pertence, que tem arranha-céus colossais, uma estátua de braço esticado no meio do rio e ainda o Central Park. Ora, um ataque a este recanto idílico dos sonhos de meio mundo, fica para sempre na memória de quem, como eu, viu as imagens que viu, viu o pânico na cara de todos os que conseguiram escapar. Quando passeámos na zona circundante ao WTC, onde agora se erguem baixinho as duas “piscinas” que simbolizam as duas torres destruídas, e onde estão inscritos os nomes de todos aqueles que pereceram naquela fatídica manhã, permiti-me a mim mesmo fechar os olhos por uns instantes e imaginar (algo que não custa sequer 1 euro) o que terão vivido aquelas pessoas e o que terá vivido aquela cidade, naquela manhã, quando ainda mal abria os olhos… Creio que foi talvez o único atentado terrorista que magoou e feriu milhões de pessoas a uma escala planetária.

3. Somos mais sensíveis à destruição de coisas bonitaswtc
Parece-me que é mesmo e sempre assim. Causa-nos mais confusão ver morrer um Leão do que uma barata. Porquê? Um é lindo, felino, imponente e deslumbrante; ruge e assusta. Já o outro, pobre coitado, é só nojento e repugnante, um comedor profissional de cocó. Portanto. Quando morrem os dois, já sabe que o Leão tem honras de estado e barata é chutada para dentro de uma sarjeta, já que o que os olhos não vêem o coração não sente. (E não é nada fácil espetar com um leão numa sarjeta) Sendo Nova Iorque uma das mais belas e frondosas cidades do mundo, de uma forma geral, torna-se difícil que não haja de imediato uma tristeza empática e identificada com a dor e com a tristeza dos que a vivem de verdade.

4. Porque até a data é emblemática
911 (nine, one, one) – Número nacional de emergência nos Estados Unidos. 9/11 (nine, eleven) – designação pela qual ficou conhecida toda esta atrocidade, que, importa lembrar, não se cingiu apenas à cidade de Nova Iorque.

5. Porque deu a conhecer ao Ocidente o Terrorismo religioso e a Jihad
Creio que posso afirmar com toda a certeza, ou com uma elevadíssima dose da mesma, que até 2001 ninguém, ou muito pouca gente sabia o que era a Jihad Islâmica, quais os seus propósitos e fundamentos, o que queria alcançar e como o iriam fazer. A partir desta altura o mundo tomou contacto com uma nova forma de insurreição e de barbaridade, apoiada na violência extrema e sem limites, sem piedade, sem dó, sem misericórdia, sem qualquer respeito pela vida e com uma predilecção tenebrosa pela morte, quanto mais sangrenta e violenta, melhor.

6. A inesquecível onda de solidariedade…
Uma das coisas que gravei na memória foi a extraordinária onde de solidariedade que tomou conta dos Estados Unidos e grande parte do planeta nos dias e semanas que se seguiram ao dia mais negro da história americana.
De facto, e por muito triste que assim seja, o altruísmo, a entreajuda e a solidariedade são capacidades incríveis do ser humano e que aparecem nas alturas em que são verdadeiramente essenciais. Por todo o país prestaram-se homenagens aos mortos, aos feridos, aos desaparecidos, mas as que mais me comoveram foram, sem dúvida, as feitas em honra das centenas de bombeiros que morreram dentro daquelas 2 torres… gémeas.

7. O olhar perdido e confuso do presidente Bush
Outra das coisas que não se podem esquecer é o olhar perdido, confuso, desorientado, comprometido e alienado do presidente dos Estados Unidos, sentado numa cadeira de uma sala de aula de uma escola, enquanto um assessor, lhe “vomitou” ao ouvido que o país estava a ser atacado, que tinham chocado 2 aviões contra o World Trade Center, o símbolo maior do poder da economia americana, o Pentágono… Um cenário dantesco e impensável até à manhã daquele mesmo dia. Viver com a consciência de que se é intocável e ver, de um momento para o outro, essa intocabilidade ser completamente arrastada e espezinhada na lama não deve ser nada, mas mesmo nada fácil.

8. O dia que mudou o resto dos dias
Nada mais ficou igual. Que o digam os aeroportos, por exemplo. A escalada paranóica das medidas de segurança mudou a forma como hoje viajamos de avião. Ficamos descalços, só falta ficar em cuecas, não podemos levar nem 1 garrafa de água das mais mínimas, nem 1 perfume, 1 desodorizante, 1 iogurte, nada… que não seja comprado no Free Shop, que de free só tem mesmo o nome. Passámos a ser vistoriados, revistados, interrogados, fotografados, interpelados… Em resumo, deixámos de poder viajar sossegados. O mundo não voltou a ser o mesmo.
E foi assim em tantas coisas pequenas que, somadas, são coisas bem grandes.

9. Religião… sempre o mesmo Papão
Como já disse, depois do 11 de Setembro, o mundo não voltou mais a ser o mesmo.
Em primeiro lugar criou-se um conjunto de sofismas inacreditáveis que deformaram por completo o olhar ocidental sobre o médio-oriente. Passou a ser uma verdade quase incontornável no mundo ocidental que árabes, muçulmanos e islâmicos, e todos os que enverguem turbantes, barbas, olhos e cabelos negros são, todos eles, provenientes de uma gigantesca família de terroristas que querem conquistar o mundo e subjugá-lo às leis em que eles vivem…
Legitimou-se e justificou-se o ódio racial e o fanatismo religioso.
Passámos a viver com medo “desta gente”, a acreditar que todo e cada um deles é um potencial terrorista, que nos querem mal, que nos matam à primeira oportunidade ou assim que virarmos as costas. E é este o mundo em que hoje vivemos e educamos as nossas crianças. Um mundo de medos, receios, loucuras e loucos que exultam com os seus devaneios.

10. Aquela nuvem que pairou no céu durante semanas

911_NYCFoi algo que não me saiu nunca da cabeça nestes 14 anos e que dificilmente de lá sairá. A imagem da gigantesca nuvem de fumo que se via do espaço a envolver Manhattan e a baixa de Nova Iorque não se consegue apagar da mente. Uma nuvem de pó, gasolina ardida, fumo, detritos, destroços, morte e destruição. Dificilmente se esquece algo assim porque também, muito dificilmente, se repetirá outra imagem como esta

11. Infelizmente, os grandes também são atirados ao chão
Não tenho dúvidas em afirmar que o World Trade Center, símbolo máximo da opulência e imponência financeiras dos Estados Unidos eram de facto os arranha céus mais famosos do mundo, à data da sua destruição. Representavam a grandiosidade, a coragem, a arrogância, a confiança e a sobranceria do capitalismo económico americano perante todos os que ali chegavam e olhavam abismados para as duas irmãs de ferro e aço, altas como girafas de betão, que representavam também o “sonho americano”. Nunca ninguém pensou que as duas pudessem vir parar ao chão. E já se sabe que, os grandes, os muito grandes, quando caem, fazem-no com muito, mas muito estrondo.
E assim foi. O estrondo foi tal que o mundo não voltou nem voltará a ser o mesmo depois daquela demonstração de força e poder demoníaco, usado com um único propósito: espalhar o mal, semear o caos, provocar o pânico, o medo e o terror em terceiros. O 11 de Setembro foi muito mais devastador do que se possa pensar. Para além das pessoas que feriu e matou, aquele dia arrastou para o rio do medo, do temor, do desassossego, milhões e milhões de pessoas em todo o mundo.
É exactamente por tudo isto que não devemos esquecer nunca este fatídico e triste dia 11 de Setembro de 2001.