Vidas..

Na vida passamos por momentos de singular beleza a que tantas vezes não prestamos a devida atenção e não damos a atenção e importância que estes merecem.
Tantas são as vezes em que presenciamos acontecimentos, ainda que espontâneos, de uma beleza singular, mas que no final desses dias, já nem sequer nos recordamos do que vimos.
Em contrapartida, os momentos menos positivos pelos quais passamos, fazem questão de ficar gravados na nossa mente durante horas, dias, noites, semanas, meses e talvez até por muitos, longos e penosos anos. A que se deverá esta incongruência cerebral? Qual será a justificação, se é que esta existe e é aceitável, para ignorarmos o belo e privilegiarmos o feio? De menosprezarmos a beleza da felicidade em detrimento da crueldade do miserável e hediondo?
Várias são por certo as explicações que podem ser apontadas para justificar esta falhar arquitectónica da nossa mente, mas creio que nenhuma é suficientemente expedita ao ponto de nos convencer a todos, ou pelo menos, a uma grande maioria, visto que é impossível fazer crer toda a humanidade que existe algo de positivo nessa mesma falha.
Quero acreditar que há uma razão válida e fundamentada para essa estupidez gananciosa, mas no fundo, o sol que brilha lá fora, os sorrisos das crianças, a natureza que nos rodeia, as piadas dos amigos, as vitórias do meu clube, o amor de quem me ama, o carinho que sinto por todos aqueles de quem gosto, as maravilhosas sensações provocadas pelas refeições que me fazem salivar, as bebidas refrescantes, as perspectivas de futuro, o sonho de uma família, as viagens que faço, as cidades e culturas que conheço, as fotografias que tiro, não me deixam acreditar, que exista uma razão lógica para essa prevalência do feio sobre o belo.
Antes me atrevo a afirmar que o fazemos, porque somos máquinas falíveis e dramaticamente formatadas pelas imagens com que somos bombardeados diariamente, com os conceitos e preconceitos em que nos fazem acreditar.
Revoltem-se meus amigos, a vida É BELA, e tudo o que de belo existe nela, tem de ser valorizado.
Juntos somos capazes de transformar a sociedade.
Junta-te já ao movimento de transformação social para o privilegiar do belo.
A felicidade está à tua espera, na esquina mais próxima, e não, não usa mini-saia e não fuma Marlboro 100% e no final não te pede 30 euros. Não custa nada. E vale a pena tentar.

Acreditar.. é nele que está o ganho?

Remeto-vos para o mais profundo âmago do pensamento, onde se situa a nobre capacidade de querer ou não querer, de sonhar ou não sonhar, de amar, de odiar, de perdoar, de chamar, e sobretudo de acreditar.
Nos dias que correm é cada vez mais difícil querer, sonhar e sobretudo, acreditar. São negros o dias que vivemos, dominados pelas consequências mais que óbvias do capitalismo desenfreado em que o planeta mergulhou no século XX e que agora somos nós, o povo em geral, o povo que acaba sempre por sofrer todas as consequências dos actos “heróicos” dos artistas que comandam os nossos destinos e em quem tristemente acabamos por votar.
A experiência que acabou por se revelar determinante, foi a minha ida a uma sala de cinema, na passada 6ªfeira dia 6 de fevereiro. O filme não é determinante, aquilo que marcou de facto o meu olhar, foi constatar, no momento em que acenderam as luzes após 3horas de filme, que mais de metade da sala estava, estava com a cara repleta de lágrimas, homens e mulheres. A minha conclusão foi simples, fiquei deliciado ao ver que, numa época em que o ser humano é frequentemente acusado por outros seres humanos, de ser e estar cada vez mais egoísta, ainda existem acontecimentos capazes de unificar toda uma multidão que se desconhece por completo, numa ausência de palavras e sons, apenas numa comunhão de lágrimas e de sentimentos, passo a redundância, sentidos da mesma forma por mais de 100 pessoas.
Devemos acreditar? Devemos ter esperança? É de facto aquilo que me apraz dizer, que temos e devemos acreditar sempre que algo de melhor está para vir. Todos nós já estivemos na chamada “fossa”, mas já nos levantámos e voltámos a ver a luz, a ver o outro lado do muro. Viver é de facto uma dádiva, uma sorte imensa, que não devemos de modo algum desperdiçar, com sentimentos derrotistas e negativos perante a nossa própria inércia, a nossa própria ausência e construção de objectivos, que alimentem a crença na melhoria.
Acreditar é querer, é ganhar é vencer.
Eu acredito. O que me dizes tu?

Acreditar.. é nele que está o ganho?