Espero-te

Quero poder sorrir
Sorrir contigo em mente,
Nem me atrevo a pensar
Em sorrir para tanta gente.

Suporto a distância,
O frio no pensamento,
Não consigo calar,
Todo este contentamento

É ou talvez seja,
um contentamento descontente
Não quero que ninguém veja,
Por isso fecho os olhos,
E sento-me à tua frente

Deixas a meu lado,
Um qualquer algo que não percebo
Fico aqui sentado,
Sózinho e em segredo.

Espero por ti mais logo,
Ao caír do anoitecer,
Não me interessa se me afogo,
Só por ti quero viver.

Viverei o necessário,
para poder ver-te crescer,
Seja qual for o cenário,
Serei assim até morrer.

De morte pouco falo,
Por não querer dela saber,
Apenas quero que vejas,
O que me faz amanhecer.

O que dizes tu?

Ora então vamos lá devolver a este blog, a essência presente no seu título.
Ora o que venho aqui hoje expôr, é a triste constatação da realidade em que vivemos.
Nos dias de hoje, estou farto de ter cada vez amigos presenciais, e cada vez mais amizades mantidas apenas com o forçado recurso a “zingarelhos” tecnológicos, gadgets que permitem que possamos falar com os nossos amigos… que por vezes estamos anos e anos sem ver, mas que lamentavelmente, passamos a achar normal ter amigos com quem falamos apenas via, FACEBOOK, TWITTER, MESSENGER, ORKUT, IPHONE, 3G, HOTMAIL… por aí fora.
A essência do cara-a-cara desaparece a um ritmo gritante e alucinante, a impessoalidade e o embaraço esfumam-se, dando lugar a um reino onde tudo é permitido, onde a vergonha e a prudência se dissipam, e onde tudo é possível.
On line tudo é fácil, tudo é possível, tudo é VIRTUAL, tudo é fictício, tudo é estranhamente pessoal, real, e incrivelmente aceite pela maioria dos habitantes do planeta.
Neste campo dou um destaque e uma palavra de apreço ao povo PortuguÊs.
O Portuga aceita tudo e adapta-se às transformações com uma capacidade de encaixe que deveria ser objecto de estudo internacional.
Queixa-se, rabuja, refila, mas lá se adapta, se renova, se transforma, e se insere na realidade que lhe é apresentada, sem muita dificuldade.
Ser PortuguÊs é de facto algo que apenas nós compreendemos, fomos oprimidos, invadidos por Franceses, Ingleses, Espanhóis, Mouros, Fenícios, Cartagineses, mas resistimos, sempre, a TUDO! Porque ser Portuga e viver aqui no Burgo tem que se lhe diga.
Quando nos chateiam muito, viramos as costas e voltamo-nos de frente para o Oceano, onde mais não vemos do que um imenso Oceano, portador de tanta da nossa glória, da nossa história, da nossa herança patriótica, de que nos dias que correm, já ninguém se lembra, talvez se lembre o Manuel de Oliveira ou José Hermano Saraiva, mas poucos mais o saúdam…
Sejam Portugueses, sejam capazes de se reínventar, de se adaptarem, de se transformarem…
Sejam fortes, que a força compensa, a crença não é uma doença, é uma vertente da esperança, que a nós nos mostra a dança, que é viver em Portugal.
E tu? o que pensas sobre a doença, que afecta o planeta, não largada por um cometa, mas pelo sistema evolutivo, que dita regras e regulamentos, afecta os pensamentos, mas nos transporta para o futuro.
Prenderes-te no passado, é um erro injustificado, que mais dia menos dia, acaba com o bailado, das vozes que discordam, daqueles que cedo acordam, para o mundo dignificar.
Força Portugal, que a ti te quero tanto.
E tu meu bom amigo, que tens feito entretanto? Queme dizes de teu encanto?

Olha para mim ó Tejo.

Olha para mim ó Tejo.

   Que triste é este olhar que sobre ti debruço, no acordar de mais um dia de um jovem, já cansado da rotina dos dias, do vagaroso passar das horas, do incerto cálculo dos tostões num bolso de pedinte.
   Pela manhã as frases, as ideias, os gestos, repetem-se ciclicamente como os movimentos de um pequeno peixe num ainda menor aquário. Um descafeinado. Uma meia de leite e uma sandes mista. Nos dias de festa, quem sabe uma bifana e uma imperial.
   É então que o aroma me desperta. Lisboa não cheira apenas aos cafés do rossio, como nos cantou a grande voz deste Portugal, cheira sim ao rio que a atravessa para se enamorar com o enorme oceano que o recebe de braços bem abertos, cheira aos carris dos eléctricos que vagarosamente teimam em subir e descer as colinas tão belas e famosas que a compõem; Cheira também pela manhã aos perfumes e pela tarde ao suor dos estrangeiros que a palmilham de lés a lés, com uma apaixonante naturalidade, sem reclamar, praguejar ou lamentar e com um quase irritante sorriso permanente de boa disposição contagiante. Lisboa morre pela noite e renasce pela manhã.
   Será que alguém já gastou alguns minutos de conversa com a Lisboa dos miradouros, dos monumentos Quinhentistas, dos candeeiros adornados, dos teatros de revista, das calçadas empedradas, do toque intimista, tentando apenas perceber aquilo que lhe vai na alma?
   Mas não estará Lisboa cansada de morrer e renascer a cada dia, revoltada com o destino que lhe traçam e com a espantosa (des)educação dos novos e velhos Lisboetas que para ela olham e que nela vivem?
   O que pensará Lisboa de tudo isto?
   Adeus Lisboa. Esta é uma frase curta e forte que tenho gosto em proferir, mas na verdade quando o faço, sobretudo depois de algum tempo fora, percebo quão sentida e saudosista se torna esta mesma frase, quão verdadeira e reprimida ela se assume quando estou distante desta minha cidade. Viver em Lisboa é sem dúvida uma experiência intrigante e acima de tudo marcante. Lisboa tem uma luz, uma cor, um cheiro característico, tem uma alma, uma vida, uma tez resplandecente.
   Chegamos a invejar esse ar de contente, acompanhado de um ruborizar dos rostos destes nossos visitantes. O seu contentamento e embevecimento perante a nossa cidade, acaba por se assumir como algo de estranho e por vezes incompreensível para quem vive em Lisboa desde sempre, para quem a vê todos os dias, vestida e maquilhada da mesma forma, para quem sabe que esta Lisboa, ainda que se tente vestir ou maquilhar, está sempre despida e pálida.
   Lisboa é daqueles que admiram os monumentos grandiosos e descobrem neles imperfeições estéticas e gastos de manutenção adicionais, para quem entra nos pastéis de Belém e pensa, “ Isto já não é o que era dantes”. Os olhos dos visitantes vêm sempre melhor que os nossos, ou melhor, os olhos dos visitantes não se deixam contaminar pelo olhar frívolo e criticista de alguém que conhece as entranhas da cidade onde vive e os males que a assolam.
   Mas creio que se torna fundamental nos dias de hoje, a presença destes benéficos olhares sobre a nossa cidade, afinal de contas, estes olhares embelezam-na, engrandecem-na, vestem-na, e maquilham-na de uma forma simultaneamente oculta e dilacerante para todos aqueles que nela vivem, que assim parecem de tempos a tempos, ver reacender nos seus corações o encanto e o orgulho que se sente por se ser habitante da cidade de Lisboa.
   Esta frase poderá soar estranhamente bairrista e patriótica, mas no entanto creio que será reflexo do sentimento que quase todos os lisboetas têm dentro de si, mesmo que esse sentimento se encontre guardado num recôndito local dentro do nosso pensamento. Acima de tudo Lisboa tem o cheiro que cada um lhe quiser dar.
   Mas afinal, nem só de cheiros vive Lisboa. Será que Ela ainda vive? Será que alguém ainda nela quer viver? A mim apeteciam-me nela morrer, mas sinceramente estou hoje cansado de nela viver. Talvez não seja este sentir, mais do que estar doente dos olhos, como diria Pessoa.
   Talvez este sentir seja mais do que um qualquer sentimento.
Hoje, já crescido, continuo a dizer, um dia, quando eu for grande, ainda hei de ir para Lisboa, viver, crescer mais um bocadinho, aprender, amar, sorrir, perder, ganhar, construir.
Lisboa, não tenhas medo, vou contar-te um segredo.
Quando eu aqui chegar, será para não mais te deixar, prometes que não voltas a chorar?