O Que DizesTu?!: Expect the unexpected

O Que DizesTu?!: Expect the unexpected

Expect the unexpected

Voam baixo e rasantes as aves da penumbra, sob a lua cintilante vagueiam pelas ruas, em busca de algo mais que o simples mas acrobático voo expedito, que busca o saciar do estômago egoísta.
Com a noite se deleitam e esperam, aguardam para que o silêncio das vozes possa trazer ao sangue o calor fresco da vida.
Erguem os olhos para o alto temendo as ameaças da cidade, mas é no chão que alcançam o precioso cálice do prolongamento da vida por mais umas horas.
Somos o que comemos, alguém assim o disse um dia.
E o que comemos nós nos dias de hoje.
Violência das almas sujas…
Será na luz que a cada dia nos abre os olhos, que o homem procura a resposta para o que não sabe quando se deita?
Alimento-me de ideias, de construções simbólicas mas que redundam em alegria, e nelas cresce o meu olhar iluminado, como cresce o olhar que as imagens ajudam a formar.
Somos a imagem daquilo que queremos ser, daquilo que vemos de nós mesmos no futuro.
Então o que és tu ó presente?
Serás apenas a dolorosa travessia do hoje para amanhã?
Tens de ser forçosamente mais do que a lição sentimental, da aprendizagem necessária para o caminho que se atira para diante dos nossos olhos.
Não é fácil ser pessoa, não é fácil ser-se gente, é bem mais fácil não pensar e fingir que não se sente.
Acorda homenzinho, é já hora de tirares do sono a alma.
Não se espera pela vida, e ela certamente não espera por ninguém.
Por isso…
É bom que faças mais do que esperar que tudo se faça para ti.

O Que DizesTu?!: De volta

O Que DizesTu?!: De volta

De volta

Passados vários meses sem a publicação de uma única linha neste espaço, eis que o fervor criativo me abraça e me impele à escrita neste espaço egoísta que tenho orgulho em reclamar como MEU!
Muito passou, muito se fez, muito se conquistou, muito se disse, muito se viveu, se perdeu, se ganhou, se transformou…
Regresso às palavras, fugindo dos sentimentos, regresso às palavras tendo na mente as palavras sábias de Alberto Caeiro, que nos deixou a mensagem pura, de que “Pensar é estar doente dos olhos.”….
E de facto talvez seja mesmo isso que o mundo tem tido falta de doenças nos olhos, porque de pensamento pouco ou nada tem aproveitado.
Guerras, aumentos, recibos verdes, transferências e ordenados milionários, desemprego, fome, torturas, Wikileaks, Carlos Castro, Coreias, Futebol, Mourinho, José Manuel Coelho, já disse Carlos Castro??
Acho que sim… (Aches to aches… dust to dust)…
Que reviravolta é esta a que os olhos estão sujeitos?
Todos os dias se fazem perguntas, se contam histórias, se dizem coisas, se esquecem memórias, em torno do imediato, que hoje em dia é sem dúvida o principal prato da ementa imagética a que nos propomos assistir.
Quantas vezes imagino estar sentado, sossegado, descansado, feliz e conformado, com o presente, futuro e passado… Mas também quantas vezes sinto que esse mesmo pensamento é de todo impossível de alcançar.
Dou por mim a pensar… lá está.. estou doente dos olhos…
Dou por mim a pensar, que não há sequer tempo para respirar, neste corropio frenético de imposições sociais de um mundo que caminha a passos mais que rápidos para a incerteza dominante, para a pobreza relacional de quem faz do mundo, O MUNDO… Nós!
Em que nos transformámos nós?
Somos hoje pessoas com cada vez mais problemas relacionais.. temos como objecto pessoal primordial, algo que nos obriga a tirar os olhos do horizonte e a centrá-los num pequeno ecrã….
IPhones, Blacberrys, Samsungs, Ipads.. tudo serve para nos tornarmos pessoas mais sós, para nos tornarmos menos pessoas, e mais indivíduos.
Sempre soube, ou melhor, sempre tive como garantido que o ser humano era essencialmente fruto do meio onde está inserido…
Hoje em dia acredito que o ser humano é cada vez mais influenciado pelo mundo onde se insere.
Hoje escolhemos o que há uns anos atrás não era sequer hipótese de escolha..
Hoje temos total controlo daquilo que queremos ser, ou melhor hoje temos total acesso à projecção daquilo que gostaríamos de ser.. e se não o conseguimos ser, fingimos que somos, porque para os outros é exactamente a mesma merda!
E é isso que na verdade mais importa, aquilo que eu sou, tem mais valor, quando é valorizado pelo outro, e não quando me distingue do outro.
Obrigado avô por tudo o que me ensinou.
Nos meus 27 anos de vida, aprendi muito com a sua rectidão, com a constância de um pensamento estruturado, edificado a tijolo e cimento, e assente numa preponderância de convicções inabaláveis que tanta falta fazem a este mundo do qual partiu.
A mim fazem-me muita falta, e acho que aqui, agora, com as lágrimas que me escorrem pela cara, fruto das palavras que aqui escrevo, praticamente 2 meses depois da sua morte, agora sim sinto verdadeiramente a falta que me faz.
Tenho pena de não lhe ter dito as últimas coisas que tinha para lhe dizer, para lhe contar, para lhe mostrar.
Aprendi muito, contarei tanto, pensarei sempre, mesmo que isso seja a doença dos meus olhos, que tive a sorte de ter sido educado por alguém que sempre considerei uma entidade deveras superior, magnânime, acima de todas as coisas térreas.
Continuarei a missão de ser o que sou, de ser como sou, de tentar que os outros sejam mais como eu, porque não quero de todo ser igual a todos os outros.