Quem avança não se cansa..

Diz que não.
Acordas e chove.
Tu, choves também.
Choves em gotas pesadas, tão pesadas quanto pesado o céu se torna no cimo dos teus pensamentos.
As palavras fogem-te, os olhos também, perdes-te a toda a hora, perdido já tu andas há muito meu rapaz.
Descobres ou tentas descobrir o porquê de cada novo acordar.
Olhas para o tecto e dele nada chove se não a imensidão do branco pérola e proeminência recta dos traços que desenham tudo o que é branco nesta casa.
Não vês vida na vida.
Não vês nada na estrada.
Não queres ver.
E depois vem o resto.
Depois vem a surpresa.
A dúvida.
O medo.
A estranheza.
A força.
A falta de apetite.
O sono que não chega.
A paixão que já lá vem e que… hummmm… sabe tão bem.
Pensas. Hesitas. Sorris. Acreditas. Não corres, não gritas. Falas e falas, em longas conversas, descobres o sol nas frestas da cortina, sorris a cada melhor bom dia.
Resume-se assim.
Mas pelo meio há tanto!
Pelo meio há a luta entre o querer, o dever, o poder, o ser, o ter, o sofrer, o merecer, o ver acontecer, o tempo a correr, o mundo a mexer, ser homem e ser mulher, para o que der e vier.
Há tristeza e sofrimento, mais a descrença no alento, a força do tormento, o olhar? Esse, jaz perdido no cimento.
A vida leva-nos por passeios enigmáticos, por caminhos errantes, histórias gritantes, amores sufocantes, desaires e derrotas, sonhos e pesadelos, sim, pesadelos!
Como é bom olhar de frente.
Não desisto.
Nunca o fiz.
Juro e jurarei que lutarei até à exaustão pela constância da paixão.
Sim, é esta uma confissão.
Sabes o que é sentir o que sente o coração?
Sabes o que é trazer à boca a certeza?
Pensar em ti traz uma leveza que se parece exactamente com a leveza com que se erguem dos galhos os pássaros, nas alvas e cristalinas alvoradas.
Emudece-se o mundo a meu pedido, pedido não, ordem! e só te ouço agora a ti, só a ti.
E que linda a tua voz que me afasta de todo o mundo atroz em que sozinho me perdi.
“Por mais que a vida nos agarre, assim…
Nos troque planos sem sequer pedir,
Sem perguntar, a que é que tem direito
Sem lhe importar o que nos faz sentir,
Eu sei que ainda somos imortais,
Se nos olhamos tão fundo de frente,
Se o meu caminho for por onde vais, encher de luz os meus lugares ausentes.
É que eu… Quero-te tanto, não saberia não te ter,
É que eu quero-te tanto, é sempre mais do que eu te sei dizer,
É sempre mais do que eu te sei dizer 
Mil vezes mais do que eu te sei dizer.”
Tantas vezes nos perdemos em pensares de tristeza e em buscas incessantes de algo que não se busca.
A felicidade não se pode procurar como se pistas numa investigação se tratasse.
A felicidade depende de tantas e tantas variáveis, e de tantas e tantas pessoas, coisas, momentos, pensamentos, palavras, as tuas, as minhas, as nossas.
Tu sabes que tudo isto é para ti.
Tudo sabes aquilo que eu já vi.
Tu sabes o que quero saber, percebes onde e como, ouves, escutas, falas, lutas, acordas e… voltas.
Avançar é perceber que de facto o estamos a fazer.
Quanto maior for a consciência e a segurança daquilo que sentes, mais visível se torna tudo aquilo que és.
Sei que brilho por estes dias.
Tu também.
Quem te vê sorrir, diz-me simplesmente, obrigado!
E isso, onde se procura tamanho achado?
Não se procura, é-se encontrado.
Olha como avançaste.
Vê o que alcançaste.
Tens noção daquilo que consegues?
Tens noção das vitórias que alcanças e das coisas que transformas em simples brincadeiras de crianças, pergunto-te eu.
Sorris e dizes Martim, sinto-me tão, mas tão bem assim.
Como eu gosto quando chamas por mim.
Não me cansarei nunca.
O momento é este mesmo.
Quem avança não se cansa, quem corre por gosto também não, aos outros sobrará sempre a pança redonda e o comando na outra mão.
As pessoas falam, em especial, quando projectam nos outros as frustrações assoberbadas das próprias existências atormentadas!
Estar contigo é sorrir, conversar, sentar e levantar, é erguer-me no teu olhar, saber e ouvir o teu pensar, sim, é sentir quando estás a chegar, encontrar-te sem sequer te procurar.
Quem avança não se cansa, porque é tão arriscar, da loucura nasce a força que amarra o homem à vida, da nossa nasce a certeza que a felicidade nos está a ser oferecida.
Precisas de segurança, de mimo, de estabilidade, franqueza, honestidade e clareza, de paixão arrebatada e da realidade agitada.
Precisas de “estou aqui, confia em mim”, precisas da mão, do abraço, do respeito, de sentir tudo que sentes no peito, de correr para me abraçar.
Corre, sabes bem onde me encontrar, não tens sequer de procurar.
Estou, quero e vou continuar a estar.
Já reparaste que saíste do lugar?
Conheço-te há tanto tempo quanto o nosso tempo tem, sei que já te vi, mas não estava lá mais ninguém.
É tudo tão natural que se mistura com a vida, quando juntos, não se percebe bem termina o Quem ou onde começa o Quê.
Tenho repetido isto com algum afinco e não abdico de o tornar a fazer.
Acredito que somos directamente responsáveis por quem cativamos, por quem arrastamos para dentro do poço das nossas vidas.
Sou hoje responsável por ti.
Tenho essa clara consciência.
Tê-la faz de mim um homem maior.
Ter-te fará de mim, não sei bem o quê, mas sorrio quando a imaginação me traz à Alma o sossego colado a esse pensamento.
É de ti que o meu coração se alimenta.
É por ti que ele se aguenta! =)
E depois, quando acontece? Disso ninguém fala!
E a mim ninguém me cala.
Furiosa é a descoberta desta alienada sensação, estrondosa e incerta é a rama da paixão que me acerca de ti e me faz sonhar com sabor a morango.
Bom dia. Para ti e mais ninguém.
Um desejo?
Que a vida nos corra bem.
Uma certeza?
Vou ter de trocar o desejo, é um pouco obtuso e mostrará até uma certa ignorância buçal, pedir um desejo de uma coisa que se sabe que vai ser atingida em toda a sua plenitude, dimensão, magnitude e perfeição.
Uma prova?
Já ta dei.
Entreguei-te o meu coração.