Nem tudo o que vemos é FEIO

Longe vão os tempos da inocência infantil, que faziam de nós, mais que simples Eus, seres capazes de sermos surpeendidos constantemente, pelas mais hilariantes e recambolescas histórias que nos eram contadas.
A Infância marca o período mais belo que o ser humano vive, no que diz respeito a tudo o que lhe passa pelos olhos.
Os olhos de uma criança visualizam coisas que nenhum outro ser humano tem a capacidade de conseguir ver.
Reside nesse olhar a capacidade fantástica da surpresa, a magnificiente falta de controle e de noção da realidade, que permite ao seu pequenino e inocente cérebro, descodificar mensagens que à partida podem vir carregadas de maldade, mas que perante os seus olhos, são apenas mais um bloco de imagens, que provocam sorrisos de espanto, de admiração, de fantasia, de sonho, de encanto, de felicidade e novidade, pois, o mundo que vêem, é exactamente aqule que lhes permite criar na mente as primeiras concepções de mundo, na verdadeira natureza dessa palavra.
Contudo, quando me atrevo a falar na natureza da palavra Mundo, acanho-me por constatar que de facto julgamos ter o domínio da sabedoria e da sapiência, e que podemos qualificar verbalmente tudo aquilo sob o qual colocamos o nosso olhar, mas no entanto, não somos mais que pequenas crianças, porque as imagens que já vimos e com as quais moldamos o nosso conhecimento, não deixam de ser obrigatoriamente, imagens que provocam sensações de forma tão básica e primária, quanto a que as crianças usam automaticamente, sendo que a diferença principal residirá, na capacidade que NÓS, pelo menos alguns de nós, temos de interpretar essas imagens, de as arrumar em gavetas semelhantes, onde já temos imagens parecidas, da mesma família.
Temos e DEVEMOS, acima de tudo, de ser crianças, de voltar a ser crianças, de recuperar essa vivacidade perdida, essa alegria contagiante, que faz os adultos sorrir, e dizer, é tão ingénuo, pois é, mas aprecia as coisas lindas da vida, ou melhor, para eles, quase tudo é belo, nada é Feio, a não ser os cócós dos cães, ou as amigas das avós.

As ruas da cidade falam baixinho

São 23:30 de uma escurecida Terça-feira de Inverno.
Há já muitas horas que o Sol partiu.
Não sei mesmo se não se trata de uma parva suposição, esta que se me assemelha a um sonho.
Sonho que sonhei que hoje vi o SOL, mas não.
Não faço ideia de qual foi a última vez que o Sol visitou a tímida Lisboa, para com ela se sentar à mesa e conversar um pouco.
O sol, tal como os Portugueses, virou as costas a Lisboa.
Corre o ano de 2010, Lisboa, já não caminha sobre os seus pés, mas sobre umas lagartas de um qualquer Tanque que o exército nunca usou e então, mui gentilmente, resolveu doá-los à Capital, na esperança, que desta forma, Lisboa fosse capaz então de passar por cima de todos os obstáculos com os quais se depara no seu triste e escurecido viver.
Mas o tiro saíu pela Culatra, nesta expressão tão discaradamente sulista. Lisboa não só não andou sobre lagartas, como fez greve.
Saíu inclusivé em todos os jornais dessa manhã. Lisboa em Greve.
À primeira vista poderia tratar-se de uma qualquer partida de Abril, mas não, Lisboa não só fez greve, como recusou sentar-se em cima daquelas grotescas lagartas, que o gentil General de Mar e Guerra, embora ninguém saiba de que guerra e de que mar, fazem parte o senhor General.
Lisboa, fez aquilo que os lisboetas não tiveram a coragem para fazer.
Amotinou-se, manifestou-se, perdeu o medo, tomou umas pastilhas para a garganta, e gritou bem Alto:
Andar é um direito, a reboque nada feito.
Parou tudo.
Os semáforos, as bombas de gasolina, os candeeiros, os esgotos, o rio, as pontes, restaurantes…
Parecia uma acção combinada.
E foi.
Mas Lisboa fala baixinho, transmitem-se informações codificadas, à boa maneira Francesa, aquando da Invasão Alemã.
Os bolos sabem mal, os autoclismos não puxam, as pedras não rolam, os candeeiros, esses sim, motores da vida nocturna do Burgo, não acenderam, e Lisboa tremeu, estremeceu, olhou de par em par, sem uma única lâmpada a iluminar, e os que olham, a tentar adivinhar ou preocupados em encontrar a cintilância desaparecida, a luz amorfa, mas apenas encontraram uma cidade regressada ao século XVIII, e á calmia noctívaga das lamparinas e dos candeeiros a petróleo, ou simplesmente velas e fósforos.
Foi impressionante subir ao Castelo de São Jorge, às apalpadelas, e ver uma cidade mantida à luz das velas, ou á desordenada iluminação das Lanternas tremelicantes.
Imaginem se assim fosse, se Lisboa se apagasse a cada noite que passasse, e se novamente se acendesse a cada manhã que vivesse.
Lisboa falaria por certo baixinho á noite, para não acordar quem descansa, e de manhã pediria aos galos que não cantassem, para que a cidade despertasse suavemente.
As ruas de Lisboa, essas sim, inromperam num silêncio ensurdecedor.
A noite trouxe consigo, o silêncio abrupto a que ninguém estava indiferente.
Foi como se pela primeira vez em séculos, Lisboa tivesse pedido descanso, o descanso que merece.
Quem atura o que esta cidade atura, quem passa pelas atrocidades que Ela (em maíusculas, porque Lisboa é sagrada) passa, merece sem dúvida umas férias de quando em vez.
Lisboa, não tem férias, não recebe o subsídio, nem o rendimento, como tal, trabalha sem folgas, de Sol a Sol, mesmo quando o Sol não aparece.
Assim, descansa Lisboa, deixar-te-emos dormir descansada, para acordares mais animada.

Deixa lá, isso passa

2 x 2 são 4, 4 x 4 são 16.
Queres falar sobre isso?
– Epá, não me chateies.
Está bem.
Quão difícil será explicar a alguém, a magnitude daquilo que sentimos?!
Há o medo da exposição, a vergonha de dizer aquilo que se sente, de eventualmente nos sentirmos fracos, frágeis, desprotegidos, perdidos…
Pior ainda, há sem dúvida o pensamento comum, que atira com a força de uma pedrada a estranha máxima de que ninguém tem nada a ver com os problemas que temos, e que apenas a nós nos dizem respeito, que não temos nada que estar a incomodar os outros com as nossas insignificantes maleitas.
Assim sendo o que pensamos em primeiro lugar?
Isto acaba por passar, não é nada de muito importante.
ERRADO, nada está mais longe da verdade.
Normalmente somos os melhores conselheiros dos outros e os piores amigos de nós mesmos, na medida em que estamos sempre disponíveis para ouvir os outros e nunca temos tempo para nos ouvirmos a nós mesmos, empurramos os problemas para o fundo da memória.
Lamentavelmente, quando a memória enche e o espaço para resolver o que até há pouco tinha solução, se preenche por completo, então está o caldo entornado.
PorquÊ?
Porque somos estúpidos o suficiente para não aproveitar a ajuda, de quem nos quer ajudar.
Não é nem nunca será boa política, não sermos amigos de nós próprios.
Como dizia um dos anúncios mais felizes que vi, “Se eu não gostar de mim, quem gostará?”
Nada mais acertado.
Se não gostares de ti, se não te preocupares com aquilo que te faz falta, e com o que não te faz falta, os que te rodeiam irão fazê-lo, mas a certa altura cansar-se-ão desse papel, porque tu não fazes nada por ti, logo passar de um caso complicado, para um caso arrumado.
Assim se pode destruír uma vida, a nossa vida.
O pior de tudo, é que não tens muitas hióteses para voltar a tentar.

Acreditar que Querer é poder.

A vida dá voltas e mais voltas, e por vezes voltas à vida e volas exactamente aos locias onde já viveste vidas nas vidas que conheceste.
Os meios tecnológicos. Ai essa maravilha do mundo moderno.
Permitem-te reviver as vidas que já viveste, com a simplicidade dos cada vez mais habituais “Clicks” da nossa existência.
Encontrar, descobrir, relembrar, sorrir, aprofundar, reatar, construir, marcar, agendar, subir, descer, guiar, chegar, instalar, poisar, levantar, gritar, acender, apagar, mergulhar, secar, cantar, gritar, saltar, dançar, conquistar, beijar, abraçar, SONHAR…!
Torna-se tudo mais fácil.
Encontrar-vos foi fácil, foi rápido, levou um tempito, mas nada de mais, nada pelo qual não se possa esperar..
Quando dei por mim, estava a conversar com gente, com “muita e boa gente” que não via, em alguns casos é mesmo, que não vejo, há mais de 15 anos.
Tudo graças ao fantástico fenómeno das redes sociais, ao qual se juntam as emoções da MUITO BOA GENTE, que tem, tal como eu, sentimentos idênticos relativamente a todas as sensações, uniões, relações, confusões, emoções, estaladões, apalpões, trambolhões…
Gente que sente que faz parte de um mundo, que não foi esquecido, que não foi perdido, que foi sendo mantido à custa de persistÊncia, coragem, vontade, e sobretudo, à custa de toda a parafernália de sentimentos que cada um de nós manteve vivos e bem presentes dentro do recôndito recanto da alma, onde fomos guardando bem protegidos, os maravilhosos momentos que vivemos, nos campos de férias pelos quais passámos.
A todos os que mantiveram a luz acesa, aos que guardaram em local bem visível e com pouco pó, as fotos de uma infância, adolescÊncia partilhada, as férias mais que marcadas, e as vidas mais do que ligadas, amarradas… Um grande bem haja,…
Em cada beijo em cada abraço, sou procurado sou… FORA DA LEI,,,,
Sou um Bom elemento isso sim, todos vós a quem prego são melhores, porque se mantêm conscientes do real valor que na verdade significou terem sido parte de um mundo, de uma vida, de uma cosntrução simbólica e sentida, que parece cada vez mais perdida, na crueldade que sentimos no mundo em que hoje vivemos, que é bem diferente daquele que um dia conhecêmos.
A todos.
Obrigado.

A tua vida, é só tua, a dos que te precedem, não te pertence

A tua vida é exclusivamente tua.
Pelo menos assim deves pensar a partir de determinado momento.
Ultimamente tenho sido assolado por variadíssimos dilemas morais e existenciais, que me toldam e enevoam a capacidade de raciocínio limpo, claro, crú, despido de ideologias utópicas e surreais.
Sei-me como uma pessoa devota à família, àquela que foi a minha realidade durante tantos anos, e que numa fase em que se montam vagarosamente na minha mente, cenários de despedida, de contrução de uma nova realidade, de construção pessoal, solitária, que terá de ser vencedora, pois é essa a única forma que conheço para traçar objectivos e metas, sinto agora um receio enorme pelo destino das coisas que deixarei, não para trás, mas para o lado.
O futuro do meu sangue assume-se como uma preocupação central, mas que tem de necessariamente ser posto de lado.
Tenho um grande, 1.95m, conselheiro, com quem costumo debater estes problemas, esse enorme conselheiro, faz-me ver as coisas de um ponto de vista mais translúcido, na medida em que o ecrã através do qual ele vê a minha realidade, está sintonizado noutro canal, e pode fazer zapping tranquilamente, pois vê apenas a realidade no ecrã, o que lhe permite uma análise mais racional, fria, desvinculada, e ao mesmo tempo, de uma coerência notável e de uma imparcialidade necessária.
É sem dúvida um período crítico na vida de qualquer jovem adulto, a cisão fixada dos cordões e nós pós umbilicais, que nos ligam aos nossos pais, mais precisamente à minha Mãe, mas que tem de ser encarada, ainda que isso pareça quase impossível nos dias de hoje, copmo algo natural.
A família olhará sempre para nós com olhos de orgulho, de carinho, de acompanhamento, mas esse deixa de ser exaustivo, a bem da saúde mental de ambos.
Não serei o único a sentir esta ansiedade, mas espero ser útil na medida em que penso, que a naturalidade do olhar, deverá ser superior à ansiedade do deixar de estar, que não significa, longe disso, deixar de ter.
A vida é só uma, e cada um deve viver a sua, e não a dos outros, não somos pais dos nossos pais, nem pais dos nossos irmãos, devemos ser sim EXEMPLOS para todos eles, referências, focos de orgulho e análise de percurso, sabendo que na eventualidade de tropeçarmos pelo caminho, temos sempre quem nos dê a mão.
Deixemos de ter este sentimento tão latino, de dificuldade em largar as saias da mãe e os ombros do pai, no caso de quem tem os dois, mas perfeitamente adequado a quem conta, seja por que circunstâncias forem, com apenas um deles, porque é essa incapacidade projectada e não real, que acaba tantas vezes, em histórias de insucesso e de infelicidade para ambas as partes envolvidas nestes acordos de sangue.
A vida é tua, só tua, tu fazes as tuas escolhas, segues o teu caminho, não podes seguir o dos outros, nem deixar que sigam o teu por ti, serás eternamente manco se o ousares fazer ou simplesmente tentar.
Luta, por ti.
Vive, para ti.

O poder é teu. Se deixares, pode ser nosso

O poder é teu, sempre teu.
Quem decide aquilo que fazes?
Pensa bem antes de reponderes imediamtamente a esta pergunta. Dou-te este conselho de borla, porque ele vale tão pouco se não lhe prestares atenção.
Mas no fundo se parares um pouco antes de dares corda ao pensamento, se deixares que a razão seja atempadamente travada, pela percepção que deves ter algo mais do que a razão, no final da preciosa reflexão, perceberás que tenho efectivamente, alguma razão.
Então, vamos por partes.
És tu que decides sempre aquilo que fazes, mesmo quando não fazes alguma coisa, por achares que não podes, ou porque não te deixam.
Se não podes ou não te deixam, foi porque numa primeira instância, pensaste e decidiste que querias fazer algo, que não dependia totalmente da tua vontade, lá está tiveste o poder de decidir.
Depois decidiste, mesmo sabendo que provavelmente seria difícil alcançares o teu objectivo, confrontar o poder decisor com a tua vontade, pelo que tens de aceitar de peito abero as consequèncias da tua decisão.
Isto é apenas uma amostra.
À medida que cresces, apercebes-te que cada vez mais controlas os teus caminhos, e passas por eles com a majestosidade de quem tudo pode, menos aquilo que não pode.
Não poder é bem diferente de não te deixarem fazer.
Quando és crescido, percebes que só não podes fazer aquilo que não queres fazer, porque quando o queres fazer, arranjas sempre maneira de poder, nem que para isso tenhas de deixar de poder fazer outra coisa qualquer.
O poder é, todavia, uma coisa ambígua, mas é nessa ambiguidade que reside toda a sua força.
Vejamos, ter o poder de decidir, é um expectro libertino, que muita gente não conhece.
Não poder, ou melhor não tero poder de querer, é como estar preso.
Até um bebé tem poder desde cedo.
Quer comer, chora, e alguém lhe enfia alguma coisa pela guela abaixo, tem cocó, grita e alguém lhe vem limpar a fralda, por aí fora.
Quem vive desprovido de qualquer capacidade de poder, vive desarmado, vive condenado, não vive, está já enterrado ou de funeral preparado.
Luta! Porque queres e acima de tudo, PORQUE PODES!!!!!
Se fizeres por isso, o poder passa de mim para ti, de ti para mim.
Deixa de ser uma coisa minha, tua, dele, deles, passa a ser NOSSO!