A chuva já não lhe gela o rosto

Lisboa.
Duas da manhã.
Chove lá fora.
E Chove bem, em Abril, que é tempo de chuva, por isso, sem medos, chove para aí a ver se me ralo, tanto se me dá como se me deu.
E escusas de estar para aí a levantar a voz, não grites sequer que causas transtorno às pessoas,  que coisa, credo! 
Mantém-te aí na tua vidinha, que nós cá nos arranjamos.
Lá fora, o país despede-se agora de mais uma “época do 25 de Abril”.
Digo-o assim, porque cada vez mais há uma “época do 25 de Abril”.
Com o interesse mediático a ter cada vez menos interesse e a falta dele a ser combatida, no vasculhar da mais pequena possibilidade de quezília, com a agravante de que todo o país entra numa catarse profunda, cada vez mais melancólica, agravada pela débil e definhada democracia em que vivemos, Portugal lá vai deixando funesto o feriado, com que ainda conta e aproveita para fazer patuscadas, comida para o resto da semana, ou simplesmente para ver os senhores todos engravatadinhos e bonitinhos, com os cravinhos nas lapelas dos fatinhos, que bonito.
Enquanto isso, a Europa é novamente comandada pelos “mesmos” que destruíram, subjugaram e subverteram um continente, à conta do totalitarismo purificador de Adolf Hitler.
Muitos não sabem ou não se recordam disto, talvez porque não estejam informados, ou simplesmente porque isto em nada contribui para o melhor ou mais justo desenrolar e desenlaçar das suas vidas, mas foi a Alemanha, sim, a Alemanha, cujo exército não pode possuir armamento, que através de informações não confirmadas e não verificadas pelos seus serviços secretos, que convenceram os Estados Unidos, Inglaterra, França e Espanha, a famosa cimeira das Lajes, a invadirem o Iraque, que segundo os alemães, tinham armas de destruição maciça e estavam a deslocá-las, a construir reactores, bla, bla, bla.
Não está em aqui em causa a natureza robusta, dedicada, empenhada, esforçada, trabalhadora e cumpridora do povo alemão, está em causa, o mais importante, a Liberdade de um país perante outro, de um povo perante outro, de vários povos perante este outro.
E se o barco afundar, eles não querem saber de nós, não querem mesmo!
Ora, tudo isto, na “época do 25 de Abril”
Por estes dias, o assunto, que a dia 28 ainda dá que falar, é a propalada ausência de Mário Soares e Manuel Alegre, das cerimónias comemorativas.
Eu não fui e disso ninguém fala, pois é, malhar no Manel e no Marocas é que é bom, que é gente que enfim… A mim ninguém me diz nada. Muito bem mandadinho este povo.
E estava de folga nesse dia.
Vai buscar.
E agora?
Pois, uns são filhos outros enteados.
É o que dá a mania das mordomices.
Mas a mim a chuva já não me gela o rosto.
E a ti, gela cada vez menos.
E há liberdade na chuva que cai lá fora.
Há liberdade no olhar mais de perto, nos olhos que me olham, nos olhos que se molham e nas pestanas que falam, sussurram, comentam e dançam em coreografias tão rápidas quanto fantasticamente sedutoras.
Deus deu aos homens a sensibilidade na ponta dos dedos, e não o fez por menos, não o fez sem dúvida para que estes se ajavardassem e fizessem das mãos, rudimentares instrumentos de trabalho ou inúteis membros pendurados em corpos de anormais que não sabem o que fazer com elas.
Deus deu-nos a sensibilidade na ponta dos dedos, porque há experiências que as mãos devem ter, há sensações que estas têm de experimentar.
Como é bom estender a mão ao teu olhar.
Como é surreal perceber que o teu rosto se quer deixar aquecer.
Haverá nobreza maior do que a reverência com que as minhas mãos se encolhem, quando do teu rosto se dignam a aproximar?
Haverá liberdade maior do que a escolha do passo que se segue?
Há na chuva uma purificadora simbologia, que remete as almas para o diluir do que as tormentas da secura lhe trazem.
É como se na chuva se afogassem mágoas e tormentas e com os primeiros raios de sol que se lhe seguem, viesse a tão desejada bonança, já o diz o provérbio que é esta que se segue à tempestade, na vida, será a mesma simplicidade?
Os olhos meu Deus, que se rasgam e sorriem, que abraçam, que renovam, que se encantam e falam como quem chama por…
Tenho-me deparado tão simplesmente com algo que a minha avó me costumava dizer em pequenino…
“Filho, Deus tira com uma mão e logo a seguir dá com outra.”
 E na verdade… Sei lá já o que é verdade ou mentira.
Cansei-me de não saber já mais o que é o quê.
Fiz o que fazem os homens.
Fui.
Andei, andei, e por fim, feliz, encontrei!
Encontrei-te sentada no teu jardim. 
Só lá estavas tu… e eu… e à volta não vejo mais ninguém, não vi e não vejo.
Perguntei-me se alguém saberia que estavas aqui!? 
Com certeza que se se soubesse isto não seria um jardim mas sim uma manifestação.
Mas depois, com o passar dos passares, com o cantar das noites e o correr dos dias, percebi.
Não está mais ninguém, nem tão pouco vai estar, porque o lugar onde estou é sem dúvida o lugar onde quero e vou ficar e ai de quem me tentar daqui tirar.
Quando te falo e me escutas, as horas param, os sons também.
Não sei bem quem se cala primeiro.
Se a flor se o jardineiro.
Não sei e vou continuar sem saber.
Há liberdade no pensar e liberdade no sentir.
Há sem dúvida o ser livre para escolher quando e como partir.
Eu escolho ficar.
Ainda agora aqui cheguei e… P’Amor de Deus.. ainda nem sequer comecei!
A chuva não gela o rosto, mas molha-me a cara, ainda assim consigo ver, caminhamos num desalinho de gargalhadas leves e de mãos dadas, roupa encharcada, o rosto bem quente.
A chuva não nos gela mais, bem sei que não somos iguais, mas amar não sei bem o que é mais.
Chamo-lhe o que quiser.
Chamo-lhe aquilo que sinto.
E se de amor se fala, com que amor te cozes?
Falas do(s) que viveste e medes aquilo que sentes?
Errado!
Nada pode bater mais ao lado.
Vai pelo corpo não vás pela alma.
Vai pelo fogo que no fogo te acalma.
Segreda-me ao ouvido ou chega aqui que eu digo.
“Todos os sons soam de outra maneira
Quando tu vens.
Quando tu entras baixam todas as vozes”.
Avó, como é isso de Deus dar e voltar a tirar?
A minha professora diz que quem dá e volta a tirar ao inferno vai parar, isto porque eu tirei a borracha ao Pedro, depois de lha ter dado.
Que Deus não tenha sequer a coragem de o fazer, porque se pensar sequer nisso, bem que pode ir pregar para outra freguesia, que eu conto-Lhe das boas.
Em primeiro lugar deixo logo de me referir a Ele com esta coisa das maiúsculas.
E isso é só para começar.
É importante que os termos e condições fiquem logo definidos à partida, para a pessoa saber o que pode esperar.
A tua voz.
Era capaz de te ouvir por dias e noites e semanas e meses e anos sem fim.
Curiosa é a história da… e do…
Sim!
A chuva não pára e a noite não cai só para mim.
O dia amanhece, quem sente não esquece que a vida se vive assim.
  
 

 
 

O QUE FOI?

E o que dizer da expressão, “Ele olha para mim como quem olha para um chupa-chupa.”?
Pouco ou nada.
Ocorreu-me, sei lá. Acabei de a ouvir na televisão e pareceu-me tão estupidamente parva que pensei que podia perfeitamente ter sido proferida pela minha boca.
Mas o que foi, foi que… Bem.
Vive-se na certeza de que temos a certeza que tudo sabemos, que tudo conhecemos, que sabemos o que queremos, quem somos, o que somos, como somos. para onde vamos, com quem estamos.
No entanto, alturas há nesta “coisa” de viver, em que tudo se revira e revolta, se modifica e transforma, se constrói e destrói, se mata e se morre, se absolve e se julga, se odeia e se esquece, se apaixona e se ama, se nasce e renasce
Somos a mais pura das matérias, a prova mais fiel em como o ser humano armazena, guarda, lembra e relembra, mas vive, renova, regenera, recupera, fortalece, cai, levanta-se, tropeça, segura-se, sobe e pendura-se, de pé novamente, ou sentado de frente, não dá para não tentar, não dá para não querer, não dá. Ponto.
E disto ninguém fala.
Como?
Como é que somos isto? 
Como é que somos capazes de fazer isto?
De ser isto.
Diz a Bíblia, que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança.
Pronto, está bem, há vários Deuses, aceito e também aceito que nem todos podem ser lindos… como eu… mas a vida continua. Sem medos que prá frente é que é Lisboa, ‘na é?
Diz que sim.
Mas dizia eu que segundo professa a fé cristã, Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, porquê?
Porque raio de coisa é que ele havia de se lembrar de fazer uma coisa dessas? Hum?
Ai, Eu sou Deus, então o que é que eu vou fazer hoje que já estou aqui um bocado de cansado de brincar com as nuvens e de mandar os dinossauros matarem-se uns aos outros, o que é que eu posso inventar para me entreter?
Ando aí com umas ideias…
E se Eu inventasse um Homem? Epá isso é que era, já ando a pensar nisso há algum tempo.
É assim um animal e tal, mas é diferente, anda só com 2 patas, ou seja, anda. E depois faz uma coisa fenomenal, fala, fala mesmo de verdade, usa a boca para falar e o cérebro para pensar, uma coisa notável. Mas já me disseram que tenho de escolher bem, porque este é o primeiro homem, e depois os outros todos vão descender deste, e não sei o quê e não quero saber, mas afinal quem é que é Deus aqui hã?
Por isso assim fez, criou o ser humano à Sua imagem e semelhança e… deu no que deu.
Deu em coisas muito boas e em coisas muito más, mas sobretudo, deu!
Hoje somos, humanos, somos muitos, somos humanos pra caraças, mas felizmente somos tão diferentes e atravessamos a terra em períodos e formas, e contextos, histórias, momentos tão distintos.
Tenho para mim que de há uns meses para cá se apoderou de mim uma espécie de honestidade absoluta que por vezes pode chegar a roçar a estupidez, no entanto, a vida tem-me levado a ser assim, a viver assim.
No entanto, nos últimos dias ando a ser assolado por uma questão que tem tanto de pertinente, como de pessoal e irrespondível, o que são verdadeiramente a lógica e a razão? Quem decide o que é lógico e o que é racional?
Quem lhes conferiu tamanho poder sobre a liberdade do próximo.
Disse Sarte que “Estou condenado a ser livre. Isso quer dizer que nenhum limite à minha liberdade pode ser estabelecido, com excepção da própria liberdade”, e não é isso mesmo?
Porque diabo é que tenho que responder perante terceiros sobre realidades que somente a mim me dizem respeito? Quem trago eu dentro do peito? Trago quem quero e como quero, O que foi? Estou a incomodar sua excelência? Então vá bardamerda pá, vão todos bardamerda, que era só o que mais me faltava, queres ver? Estava bonito, estava.
Quem se acha no direito de convencionar o que é certo ou não fazer, de julgar, de opinar sem ser questionado, não sabe por certo o quão errado está, quão triste tem de ser a sua vida para dedicar tanta atenção ao que demais em seu redor, ou no redor do seu redor se passa, deixe-se estar, mais cedo ou mais tarde acabará por cair em desgraça, mas olhe, isso passa.
O homem é livre. O que foi agora?
Não posso dizer isto também?
Sim, somos assalariados, e fiéis pagadores de contas de gás, luz, água, telefone, internet, televisão por cabo, gasolina, afins e outros tantos pudins, mas somos livres, até.
Tirem-me a liberdade de pensamento e de expressão e tiram-me da boca o pão.
Diz Kant que:
“As nossas obrigações morais podem ser resultantes do imperativo categórico”. Com toda a certeza. Somos “obrigados” à obrigação moral, à mão que nos serve, sempre e na maioria dos contextos é um imperativo silencioso, que ao primeiro grito rompe os tímpanos.
A liberdade é grito, é fúria, é vida, é força, é maturidade, determinação, coragem, risco, muito risco, decisão, sobretudo poder de decisão, poder para decidir.

“(…) A Liberdade tem cheiro.
A liberdade tem o cheiro do cheiro que quero que tenha.
A liberdade tem sabor.
A liberdade sabe a tudo aquilo que quero que ela saiba, e mesmo ao que não quero também.
É morango, ananás, e que bem que ela faz, são abraços e beijos, vinhos tintos e queijos, sal e pimenta, a cebola, que é nojenta, e essa liberdade não se aguenta…
Sabe ao sabor do vento, ao refinar do pensamento, à tristeza do lamento, ao “chega que já não aguento”.
Mas sabe também à frescura do mar, à ternura de um olhar, ao ingénuo arrepiar, sentes a minha mão a transpirar? É disto que estou a falar.” in Que bem que cheiras tu Liberdade!”
É. Pois é. E é mesmo.
Na certeza de quem sou reside o que quero fazer, ou melhor, da certeza do que quero reside o que vou fazendo e reside ainda a natureza do que vou vivendo, ou me vou permitindo viver.
E o que chateia na verdade é que limitamos a liberdade uns aos outros. Constantemente… Deliberadamente e mais do que tudo, estupidamente
O homem gosta de controlar. É ponto assente, sistema vigente, para muitos é até indiferente, mas verdade seja dita que não deixa de ser indecente.
E queres, queres, tens vontade, exiges, demandas, pretendes, lutas, berras, gritas, pedes e por vezes consegues.
Tentas, alcanças, sorris e danças, não medes os palmos que sobram entre a franja e as tranças e por fim… em casa, na tua, só tua… descansas.
O Que foi?
Não sei bem, pelos meus pensamentos nem um vintém, nem tão pouco a moeda suja e gasta que a minha mãe nem sabe que tem.
Vou para onde quiser.
Ter com quem me quer.
E o que foi?
Não volta a ser, mesmo que muito se queira e continuando nos Xutos, vou viver a vida, à minha maneira!
E dirá tudo isto tão mais do que se quer dizer na verdade.
Será tudo isto mais importante do que a importância que dou às vidas dos outros, que deles faço eu pouco, quanto ao tanto que de mim deixo.
Escorre-me a baba pelo queixo, sou crescido e não me desleixo.
Mas sofro quando te vejo sofrer.
Dói-me a tua agonia, dói-me não ter magia para te abrilhantar de novo o dia.
O que foi?
Foi que sou um comum e atabalhoado, um desastrado mortal, de vida normal, cara banal e cabeça que bate mal.
Quanto a ti?
Pouco mais há a dizer.
És um anormal com uma vida que não corre assim tão mal…
De que te queixas meu animal?
De nada Senhor…
Se sou parecido com Deus, não me queixo nem a Si nem aos seus.
Antes caminho com os ateus que de Si falam mal, que a si o recusam, calado sigo o meu caminho, observo e falo baixinho, não vá cair-me um igual ao caminho, deixando-me a falar sozinho, à procura.
Não há nada sol de pouca dura, nem maleita que se cura com a fúria de viver.
É tudo um aprender, um sorrir e não perceber, falar e não dizer, e tudo é um todo que está a acontecer.
Se não é já foi, se não foi vai ser.
Não interessa perceber.
Interessa sim seguir e viver, umas vezes a andar outras vezes a correr.
E olhar para ti como se olha para um chupa-chupa?
Que me dizes tu?

Tira os pés do chão

Quietude incontinente que açambarca a vida da gente, em movimentos imperfeitos de tão belos que se apresentam aos olhos do homem.

Para que se sinta, é necessário querer, é necessário que se possa, acima de tudo, que o corpo queira e a mente arrisque a exposição desmedida, a revelação das fraquezas, tremores, suores e odores, cócegas, encantos e desamores, defeitos e pudores.
A vida mostra de que é feita e mostra-te o que tens de fazer.
São imagens, são.
Nítidas ou desfocadas, alegremente misturadas em salganhadas sensitivas de seres sofridos, amados, rejeitados, perdidos e desencontrados, que nos braços gelados de amores subitamente descobertos, confundem e trazem a dispersão da convicção prévia à sensação.
Quão difícil é por vezes querer tirar os pés do chão.
O querer assume por vezes contornos de dificuldade absurdos, de super proteccionismo do ser, de tentativa forçada de fuga ao inevitável.
E o que é o inevitável? 
O alcance da sensação mais pura da vivência entre seres humanos.
O Eu QUERO.
Quem ouse recriminar tal coisa, será por certo alvo de um atroz desenrolar de uma vida frívola, perdida nas margens do esquecimento da sensação física e da memória do que é o AMOR.
Quem não sabe é como quem não vê e pior do que não ver.. é não querer ver.
Aqui tenho de contraria claramente Caeiro, quando afirmou que pensar é estar doente dos olhos, para se querer é preciso conhecer o objecto do desejo, identificá-lo, senti-lo como parte de nós, desejando que essa mesma fusão seja o expoente máximo de uma vontade acicatada por olhares de ternura, sorrisos meigos e cúmplices, palavras que se colam às paredes como se de barro se tratassem, que se moldam e gravam, que não magoam nem estragam, que produzem efeito no efeito enfeitado do sentimento alcançado, não será nisso que se deve pensar, quando se sente o leve beijo da paixão iminente?
Diga quem sabe o que no momento se sente.
Fale quem conhece, o que de mais acontece, quando de Amor assim se padece, só o tem quem merece, já dizia o padre na sua prece.
E o país? Vai mudar? 
Se for a coisa que eu penso…
Não há vertigem maior que a de sofrer.
Não há loucura maior que a de amar.
Não creias que chegas sempre onde queres chegar,
Sem que para isso tenhas ao menos de sangrar.
Corres as ruas e vês o povo a sofrer,
Olhas de esguelha o pedinte que te fita a gemer,
Nas lojas não há mais quem consiga vender
E no pão, nada vês senão a côdea.
E quando arriscas na pobreza, safas-te com a esperteza,
Quando roubas para por no pão,
És corrido ao pontapé e ao estaladão
Não era um direito consagrado na “nossa” constituição?
Essa devia consagrar o direito à felicidade.
Quem é feliz produz mais.
Gosta mais de trabalhar.
De viver.
Traz bom ambiente ao local de trabalho.
Estão a ouvir senhores das decisões, dos contratos de milhões, dos subsídios e das viagens em aviões, do estado da Nação, do Estado e da Nação?
E dos cheiros vive parte do pensamento.
O cheiro que bem cheira, cheira tanto que quase não há mais odor, que quando deixa de cheirar o pensamento conhece de novo a dor.
É um cheiro que se cheira sem querer, é o cheiro que cheira e te faz parar o correr.
Poucas coisas cheiram tão bem assim.
A mulher consegue misturar O cheiro dos cheiros com o cheiro a que cheira. Mas só Aquela mulher.
Os olhos não têm fundo, têm palavras.
Os teus olhos falam, acredita que falam, gritam, sussurram, suspiram, choram e sorriem e ainda contam segredos de fim de tarde.
Os tempos são tristes. Carregados. Pesados, como diz o meu irmão.
E no meio de tanta tristeza, há quem sorria e faça sorrir, para esses estará algo de bom para vir?
Para realçar o sabor de viver, acrescentam-se pitadas de momentos soltos, livres, de onde se retiram purificações de estados de alma, em pequenas histórias de valor acrescentado que aos olhos desatentos da frustração redundam em estupidez.
Não tem importância alguma, continuarei a sorrir de manhã à noite.
Salada de maturidade regada por um Quinta da Confiança à Lapa de 1983, acompanha uma guarnição de determinação e convicção no olhar, seguida de um soufflé de gestos certos nos momentos certos.
À sobremesa, um tarte de segurança e responsabilidade, com molho de consciência e coragem nas palavras.
Receitas? Não. 
São simples pratos, reza para que um dia tenhas a manifesta felicidade de apreciar uma sensação de requinte desta natureza.
Mas não esperes.
Saberás quando a tiveres na frente, a sensação de requinte, claro está. ‘Acaso terias outra coisa em mente?
Não é assim tão indiferente, mas, em frente…
Os passeios a pé nas noites de primavera são monólogos pedestres de elevado interesse artístico.
Pensa-se, observa-se, questiona-se, conclui-se, define-se, altera-se, pergunta-se, paras e recomeças, dás a volta, mãos nos bolsos, das calças, do casaco, com ou sem luvas, com ou sem frio, chove, adiantas o passo, ou não, cigarro na mão, trauteias uma canção, sorris, um bafo, sorris de novo, cá para fora, suspiras, avanças.
Do alto da rua observas o mundo a teus pés.
Analogias de prepotência disfarçada, ou simples estratégias de motivação? 
É qualquer coisa e ajuda, se ajuda… sentes-te capaz, não és mais um rapaz, vais, cresces, arriscas, petiscas, comes e bebes, tu és capaz e na verdade consegues, mereces, lutaste, tentaste, arriscaste, sangraste e não limpaste, continuaste e conseguiste, agora desce e vai para casa que está um barbeiro que não se pode, ’tás parvo ou quê? Tens com cada uma… ‘tas a olhar lá para baixo há 10 minutos, vais descer a rua à cambalhota? Qu’idiota.
O Amor é uma espécie de matrioska, com um número indefinido de “filhotes” lá dentro para cada um de nós.
Cada ser humano tem guardada algures a matrioska da sua própria vida amorosa.
A quem já tem a sua, segure-a, a quem a encontrou, viva-a, a quem ainda ouve chucalhar dentro da gorda, paciência, melhores dias virão com certeza, ou então, simplesmente um dia deixa de chucalhar, de procurar.
E há dias que mais parecem viagens no espaço e no tempo, tudo pára, tudo aquece e gela e torna a aquecer e tu sem perceber o que raio se está a passar, e quando percebes sorris e não queres ver a realidade, o tempo dá e tira e volta a dar, vive o que interessa, espera pelo que há-de te calhar, procura, não forces, respeita-te e respeita, torna-te responsável pela tua própria felicidade, escreve a tua própria “constituição”, legisla os parâmetros do que queres viver, porque PODES, efectivamente podes e deves fazê-lo! 
Vive caramba, vive!

Estás à espera de quê?
Da barriga e das férias na 1ª de Agosto, na mesma casa alugada dos últimos 20 anos? Dos programas de final de noite? Minha grandessíssima besta, tens vida que é coisa que muitos gostariam de ter, e deitas a tua para dentro do cesto da roupa suja todos os dias, estafermo.
Não mereces o ar que respiras, metes-me nojo.
Vives a vida de rojo.
No cambalear da embriaguez da paixão vive a alimentação do coração e a ração da alma.
Não tenhas pressa, não tenhas medo, tem calma.

Três rima com…

Hoje é um dia bom!

Chove é verdade, mas no entanto, parece que está um dia de sol radiante nesta primavera incerta e falsa. E na noite a lua irá estar cheia num céu limpo e imensamente negro.
Hoje entrei e saí mais cedo.
Por uma causa.
E escrevi a frase anterior da forma que escrevi propositadamente.
Ou seja, entrei mais cedo por uma causa e não por causa de uma coisa.
Esta noite é apresentado na FNAC do centro comercial Allegro de Alfragide, faço a publicidade também ela de forma propositada, o livro da minha querida amiga Ana Maltez.
Mas não é uma apresentação qualquer.
Primeiro, porque é nesse paraíso cultural de origem francesa, pois claro, que lhe trará uma notoriedade e uma visibilidade ainda maior, e de três nascerão outras três e serão seis e uma história de reis… =)
Na verdade, sei que virão mais e mais. Não o desejo para que ela se torne numa espécie “pequena” mártir, mas porque essencialmente penso no destino para o qual revertem as receitas da história que tão genial e humildemente quis contar ao mundo.
A Ana conta histórias dia após dia.
A Ana é tudo menos uma pessoa fria.
E hoje chega a um patamar incrível e que espero possa ser presenciado pelo maior número de pessoas possível.
Partilha-se no Facebook, mandam-se sms, mensagens via whatsapp, telefona-se, mandam-se mails, tudo serve, vale tudo para espalhar a boa nova. 
Venham todos, venham ver, mais do que a autora sorridente que apetecer “apertar” e abraçar, a pessoa, a mulher gigantesca por trás da menina da capa do livro e das palavras cruas e dilacerantes, carregadas de realidade e de humanismo.
Três rima e rimará sempre com Maltez e aos três, somar-se-ão três vezes três, vezes três, vezes três, é a conta que Deus fez, diga lá outra vez…!
E falta pouco, já lhe perguntei se está nervosa, sorriu e mandou um beijinho… sacana não desarma hein!?
Deve estar.
With great power comes great responsibility
Ela sabe isso. E está nervosa, está a ficar. Lá respondeu… =)
É bom, é bom que esteja nervosa, é sinal que sabe o que tem pela frente. Mas, para ela, isto são chávenas de chá, são simples passeios pelo parque, nunca sozinha, nunca.
Tem sempre dezenas de olhos amigos para onde olhar, sorrisos meigos e sinceros, adorações sentidas e verdadeiras e isso dá-lhe segurança, a quem não daria…
Vamos embora.
Maquilha-te.
Bota a roupinha que escolheste, leva a clutch… aprendi esta hoje… E vamos embora que falta pouco.
Que orgulho Ana, que orgulho imenso.
Até já.
E de facto é e será até já.
És enorme querida.
Enorme.
Parabéns, por tudo!
Parabéns.
Esta palavra vai ser dita com alguma frequência inquietante esta noite, não vai?
Tranquilo, como ela diz!
Boa sorte! E como dizem na televisão do canal 3, “estamos juntos”!

Os mestres… do aqui… e agora

Na vida existem os homens e depois existem os outros.
Os outros são aqueles que com a simples nobreza do encadeamento de palavras, suportadas por majestosos sentimentos a elas amarradas, transformam a vida numa “coisa” completamente certa e sedutora. São eles que atribuem sentido ao sentir. 
E nesse campo, em português, quem melhor que Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa, O Mestre, como era conhecido, o mestre da sensação, quem melhor do que ele para nos falar do que sentem as almas que pensam no que sentem, que lhes dão nomes, formas, abstractas, concretas, reais e com memórias de sangue e sono curto:
 
“Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só
Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.”
Pensar, este foi o mesmo homem que um dia disse:
(…)
Creio no Mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos) 
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…
 
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar…
 
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar…”
Aqui não se prova uma incongruência, provam-se estados de alma. 
Prova-se que o que hoje é certo amanhã não o será por certo.
A vida é assim mesmo. 
Um desencadear de movimentos, de acções e implicações, o que fazes reflecte-se em quem tens contigo, o que és influência o que te dão.
O mundo acaba por ser sempre antropocêntrico, queremos o que é melhor para nós, sim, pensamos no bem estar dos outros, não os queremos magoar, mas na última instância, no último reduto, é sempre sobre nós que recai a preferência, quando assim não é, vamos contrariados.
Mesmo quando estamos a fazer alguma coisa por alguém, estamos a fazer porque queremos, essa liberdade dorme connosco, come connosco à mesa, passeia-se contigo pelo chuveiro à velocidade dos teus furiosos pensamentos.
É impossível não pensar, não dizer, não encadear, não deixar fluir a torrente que corre pelo cérebro e cai como cascata na ponta da língua ou na ponta dos dedos.
Não pode. não tem, não deve suster a vida nos seus medos, nos seus segredos, nos tormentos impostos pelos tortuosos pensamentos.
Em certa medida, Caeiro tem razão quando diz quepensar é estar doente dos olhos“, em certa medida, é mesmo!
Porque a vida é na verdade uma coisa complicada.
Temos de ser gestores das mais diversas áreas, saúde, economia, finanças, política, trabalho, desporto e lazer, engenheiros, médicos, psicólogos, doentes, utentes, praticantes, ouvintes e falantes, criadores e criativos, expectantes e contemplativos, e viver assim uma vida não é fácil, até porque a margem de manobra para fugir ao obrigatório, ao que temos de ser e ao que esperam de nós, é praticamente impossível.
Já aqui falei tanta vez de coisas que chegam a ser estúpidas de tão básicas e ousadas de tão difíceis que são de alcançar, mas na verdade, talvez seja esta a grande premissa do meu discurso.
O Pensamento.
Divergente, convergente, lateral, inconsequente, furioso e indecente, sereno e condescendente, amante e inteligente, puro e paciente, frontal e permanente.
Não há poder maior que o do pensamento.
Não tento encontrar, porque só para o fazer já estou a pensar…
Bolas, imaginar a luta de Alberto Caeiro faz-me… pensar.
E outra vez.
O que queria ele provar?
Calço os seus sapatos, visto o fato de caqui, pego o caderno e a caneta e sigo rumo ao miradouro de Nossa Senhora do Monte, na Graça. 
Lisboa é mais bonita vista de cima e de lado, vista de frente, no rio, também tem o seu lado engraçado.
A dor é uma sonegadora do pensamento livre.
Ela amarra-te, prende-te, consome-te, uns dias mais, uns dias menos, uns dias de forma mais subtil, noutros não tem dó nem piedade, não descura na maldade, arrisca e parte para a estupidez, atinge-te uma e outra vez, no que estará ela a pensar?
É simplesmente dor. 
Quem pensa aqui és tu. Tu é que estás a castigar-te a ti própria na procura das causas do sofrimento, estás a sofrer ponto, porque hás-de querem que ele tenha o dobro do peso, aceita a dor e livra-te dela, quando o conseguires fazer, mas não a leves contigo no bolso, no casaco, nas calças, na mala ou na carteira.
Ela tem de poder chegar e voltar a partir, sem que a prendas, sem te perceberes que o estás a fazer.
Não me parece difícil de perceber.
Sim, claro que é bem mais fácil dizer do que fazer, mas também é mais fácil não dizer e não fazer NADA! Pensar que, “não consigo e não sou capaz” porque não quero e não sei como se faz.
A vida dá-te estaladões no focinho e tu procuras devolver com… carinho!
Aqui sim, nesta altura, recorda o objecto primordial da decisão que tomas, o antropocentrismo, e vive, mas vive por ti, lá está! 
Não penses em ninguém mais. Transforma os redutos finais, em princípios iniciais, em maturações de ideais, em aperfeiçoar de estratégias rumo a um futuro desconhecido, mas que se quer pintado em formas não caóticas, em cores que não as que choram ou fazem chorar, com músicas que fazem o coração arrancar, corpo que se arrepia e a temperatura que varia e de que falamos afinal? Da vida, tal e qual.
E agora? Fazer o quê?
Parece-me, que se perde tempo precioso, no caminho tortuoso da procura do sentido do que está para vir, da capacidade de o enfrentar, do perigo de voltar a escorregar, do medo de não conseguir enfrentar, encarar, levantar, abraçar, conversar, partilhar, vender, comprar, receber e entregar, ouvir e calar, perceber e questionar.
A vida é isso mesmo e mais do que isso.
A vida é lidar com ela enquanto ela corre.
A vida é jogo de cintura.
E às vezes o pensar é estar doente dos olhos! Tem de ser, é bom que às vezes possa ser assim.
Quando não vemos, sonhamos, imaginamos, e imaginar tem de ter sempre uma conotação positiva.
A imaginação é o mais prodigioso sentido que o homem recebeu na sua criação.
A imaginação tem apenas 2 cordéis, um que a liga ao pensamento e o outro que a funde com o coração, e que fantástica combinação.
Estás pronto?
Pergunto de outra forma. Preparado?
Sei que sim.
Agora vive!
Descobre.
O hoje é aqui e agora.
O amanhã?
Logo vês quando acordares e passeares por Ele fora.
Uma coisa é certa, por muito que queiras, nunca vais conseguir saber o que vai acontecer entre o acordar e o deitar. 
Lembra-te, é de pessoas que estamos aqui a falar. Consegues dizer que das pessoas sabes sempre o que esperar?

Paz

Paz Do latim pace – ausência de guerra, serenidade, tranquilidade, sossego, repouso, silêncio, boa harmonia, conciliação, paciência.
A sensação de paz por si só remete-nos para uma sacralidade interior, que advém da relação judaico-cristã que recebemos e que nos “tolda” muitas vezes o pensar, quando na paz se pensa.
A Paz não é sagrada, é muito mais do que isso, respeitando, claro está, a grandeza da sensação.
Ter paz. Estar em paz. Deixa-me em paz. É possível ter alguma paz aqui dentro? Paz de espírito (lá está novamente o cristianismo). Paz d’alma. Paz interior. Fica em paz. Zás trás paz.
Todas. Diferentes e mundanas sensações, estados de alma, de consciência, formas de encarar a vida e o caminho que traçamos.
Neste momento aprecio sobremaneira o estar em paz.
É que é uma coisa absolutamente fiérica.
O sossego, a serenidade, a tranquilidade, a redução drástica da ansiedade quanto ao presente e ao futuro, o silêncio… O Silêncio. Companheiro de tantas horas e do dobro dos raciocínios lógicos e estapafúrdios, sensatos e descabidos, conclusivos e demasiados estúpidos para serem proferidos.
A paciência. 
Normalmente chega depois de cumprida a penitência e sobretudo, vem à boleia do tempo.
Aprendemos a ser… pacientes. A esperar pelo melhor momento, que é sempre o que está para vir.
A esperar pelo que te espera.
A aguardar sábia e pacientemente, desfrutando dos dias com o conhecimento de quem somos, do que queremos e para onde queremos ir.
Ás vezes é preciso sangrar e sarar, para que percebamos que ali não voltamos a cortar.
É de caminho que se trata quando da vida se fala.
É de certeza e confiança que se constrói a estabilidade e a paz.
A paz tem de querer e ser querida. Tem de ser sobretudo desejada, aceite e compreendida.
E de facto a leveza que o homem ganha é comparável ao andar de uma criança.
As crianças andam em paz, caminham graciosamente, correm como quem descobre o mundo a cada passo e queda.
E isto é-lhe “permitido” porque são seres desprovidos de maldade, de cálculo, de sofrimento, de compreensão desse sofrimento, de causa e consequência directamente provocável e infligível. 
Quando te sentes novamente bem, capaz, sereno, confiante, sério, tranquilo, solto, leve, caminhas verdadeiramente mais “depressa” e saltitas por vezes.
A felicidade advém de tudo isto. A felicidade do homem não pode passar por uma felicidade dependente de uma segunda pessoa. Temos de ser pessoas felizes para podermos fazer alguém feliz.
Temos, acima de tudo de saber quem somos.
O homem de hoje pouco ou nada sabe e a mulher é o exacto oposto do seu oposto.
Compete-se, luta-se, mata-se, lixa-se, engana-se, prende-se, controla-se, impõe-se, divide-se.
Não vivo aqui.
Não sou daqui. Estou cá para fazer algo mais, com toda a certeza presunçosa da minha afirmação.
Não posso vir a este mundo, mesmo tendo a perfeita noção da tremenda quantidade de sorte que tenho por fazer parte dos mais de 7 mil milhões de pessoas que VIVEM neste planeta, supostamente o único e eleito para conter vida inteligente, para ser apenas mais um…
Não foi para isso que aqui vim.
E não foi porque eu digo que não foi.
Olho para dentro dos meus olhos e vejo tanto e tanto mais, descubro que posso, sei que quero, confio que vou ser/ter, simplesmente porque sim. Porque vivo e ajudo a viver. Porque cresço e ajudo a crescer.
Porque na verdade há qualquer coisa de perfeito na loucura que só o louco percebe.
E deixem-me ser louco a cada dia, porque se for loucura a que vêm os meus olhos, então deixem-na estar, porque, por certo não está a estorvar ou a impedir a passagem, nem tão pouco estará a fazer confusão a alguém. É a minha loucura, é assim que vivo, que vejo, que olho, que cuido e protejo, porque nasci para o fazer assim. 
Cada um é para o que nasce e eu nasci para isto. Vá-se lá perceber, mas não vou com certeza contrariar os desígnios divinos.
Impõe-se discernimento, saúde mental, resistência, força, garra, empenho, o dobro dele, mais resistência, esperança, equilíbrio, jogo de cintura, viver.
Os tempos não são fáceis e não vão ser fáceis daqui para a frente mas a motivação tem de estar presente, o sonho tem de existir, no dia em que o Homem parar de girar, bem podem dizer aqueles senhores que trabalham no centro da Terra para deixarem de andar com o coiso à volta do ferro, que a Terra não precisa de girar mais e o relógio pode parar e as pessoas que façam como entenderem.
Sem sonhos onde vamos parar?
Não temos dinheiro.
Não temos trabalho.
Não temos… reforma.
Não temos subsidio de Natal… nem de férias.
Não temos quatro braços.
Vemos o país em pedaços, com cortes e Passos dados rumo ao não se sabe o quê, nem como, mas que é, será, supostamente, hipoteticamente, acreditando nestes senhores que são, de uma ordem suprema porque conseguem prever tudinho, algo bem melhor do que aquilo que agora temos.
A Europa cai aos pedaços, por entre guerras imperialistas disfarçadas numa (des)União a 27, onde manda 1, 2 querem mandar mais e os outros passam a vida a ver e a obedecer ao que estes senhores dizem, porque eles é que sabem e eles é que têm o dinheiro e isto e aquilo.
Ora, no meio de tudo isto, se não sonharmos a dormir, mas mais importante do que isso, se não sonharmos acordados, bem podemos deixar os braços pendurados, os cordões desapertados, os calções rasgados e o mundo ali ao lado abandonado.
Viver é sonhar.
É querer mais.
Melhor.
Mais forte.
Sempre.
Maior.
Mais completo e sobretudo, mais robusto, mais sério e mais real, adaptado, ao tempo, ao espaço ao passado resolvido e não trazido no regaço.
Quanto de um homem cabe numa mão?
Quanto do que sentes parece que te rebenta o coração?
Quantas vezes por dia ouves a mesma canção?
Em paz dizes tudo.
Em paz ouves e percebes, respeitas e esperas, falas e explicas, são conversas boas, mais ricas, compreendes melhor a ferida e a dor que transporta, percebes aos poucos como abres a porta.
Cansaço é não ter força para a chave rodar.
A tristeza não é percebida por todos os que o tentam fazer.
A tristeza só é compreendida por quem a aceita viver.
E viver a tristeza é um mundo que devemos conhecer, quanto mais não seja para que saibamos sempre que é o outro que temos de escolher.
Faz-te bem um pouco de sol.
Faz-te bem um pouco de noite.
A vida é a céu aberto e o asfalto mais não é que um negro deserto, amorfo, contínuo, perpétuo.
Vive, a perpetuação da tua vontade será sempre proporcional à tua pacífica liberdade.
Termino como se termina uma missa.
Ide em Paz e que o Senhor vos acompanhe.
P.S – Cuidado com isso do Senhor, que nos dias que correm, é preciso conhecer as pessoas.