Esperando.. aprendendo…Desesperando..esquecendo

Uiiiiii, esperar.
Nada me causa maior transtorno que a espera, seja lá ela qual for.
Desde esperar pelo autocarro seguinte, que só irá passar daqui a 30minutos, quando perdemos o anterior por escasos 50 metros, mesmo depois de termos feito 200 metros em sprint à Usain Bolt, de esperar pela nossa vez na fila incomensurável do hipermercado cheio de terráqueos, vestidos à desportista, com o belo do fato de treino e elas com a bela da calça de licra, ostentando glúteos do tamanho de almofadas de penas de pato, da espera no hospital, pela consulta que precisamos urgentemente há meses, de esperar pelo dia 31 para receber o miserável ordenado, de esperar por telefonemas, por notas de exames, pelos amigos, que após anos e anos de jantares, insistem em chegar repetidamente atrasados, de esperar pelos saldos, de esperar pelos programas televisivos, de esperar pela namorada ou pelo namorado, salve seja, quando combinam connosco às 15h00 e aparecem às 16h00, sorridentes, radiantes, e que nos “amansam” com um DESCULPA carinhoso, seguido de um enorme e apaixonado beijo, que prontamente nos faz esquecer a penitência pela qual passamos, no purgatório das ruas frias da cidade.
Enfim, poderia passar  o resto da noite a enumerar o desespero de um ser humano em espera, nas mais diversas situações, mas estaria a generalizar, pois há gente, muito boa gente, que não se sente minimamente perturbada por estar à espera seja lá do que for.
Mas esse tipo de gente a atirar para o esquisito, para o alien, não existe cá neste nosso BURGO, eu já vi gente dessa já, já vi já, mas foi na Holanda, e eram mesmo esquisitos.
Não reclamavam por estarem à espera, não businavam no trânsito quando caía o sinal verde e o gajo da frente não arrancava, não reclamavam nas filas do supermercado, nem nos bancos, nem nos correios, nem em lado nenhum…
Não sei como esta gente consegue ser assim e crescer tanto, pois eles são muito altos, mesmo.
Até pode nem ter nada a ver, mas ser alto, deve fazer com que a pessoa não se enerve.
Ou melhor, secalhar o sangue quente, escaldante, que nos corre nas veias, não seja igual nas veias deles, demora mais tempo a percorrer os demais centímetros que nos diferenciam..
Enfim, essas pessoas que não se enervam por estar à espera, não sabem nada da vida.
Venham viver para Portugal e logo vêm se não se transformam e convertem ao imapacientismo português, é o transformas, é que é num instante, então com o reconhecido poder que temos de influenciar as demais culturas que nos rodeiam.
Enfim, e vocês também já devem tar a espumar pelo canto da boca, com tanto tempo que esperaram que o final deste texto chegasse, aguentem e esperem, quem esperou 9 meses para nascer e 18 anos para ver o Sporting campeão, pode esperar mais um niquinho.

Supremacia, superior e consciente

Há pouco pus-me aqui a pensar, ou, para ser de facto mais preciso e verdadeiro, a reflectir (fica sempre bem empregar a palavra reflectir). Em que reflecti então?após ter terminado o manipulador programa “verde” que estava a ver, no canal Odisseia, sobre as selvas da Ásia e as montanhas da Venezuela.

Então não é que aquele canal e nomeadamente aquele programa em especial, têm como fundamento e objectivo primário, a maldicênciVai daía e a difamação da magnífica espécie humana.
Ah o Homem, esse vulto da modernização e do progresso, que durante milhares de anos foi vítima da crueldade premeditada dos animais, da frieza assassina desses hediondos predadores, pobre coitado que mais não fez do que se aperfeiçoar e começar a vingar-se de todos aqueles que ameçavam a sua vida.
Fez ele se não bem, isso sim.
Vai daí a começar a matar animais atrás de animais, ora para se alimentar, ou para se aquecer, ora para praticar a sua arte tão nobre e competitiva.
Os relatos são milenares, pois então não vamos mais longe, a célebre frase que antecede a cerimónia da comunhão na missa, “Eis o cordeiro,vejam bem, o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” Pois é, se a memória não me falha, foi o profeta maomé que sacrificou um cordeiro ao senhor, ou melhor, ofereceu-o à Entidade, para que este se banqueteasse sózinho desde a lãzinha, não vá o Pobre Coitado ter friozinho nas perninhas, até aos ossinhos, que não lhe fiquem atravessados na garganta, que o Todo Poderoso, tem muito para dizer por esse mundo fora.
Não satisfeito com isso, lá segue o ser supremo com o seu périplo pela conquista do território físico que até então havia sido dos animais, o seu Arqui-Inimigo, e que agora passaria a ser, legítimamente é claro, seu, pois claro, ora de quem mais havia de ser.
Pois é este o princípio, daquilo a que hoje chamamos de forma tão curriqueira, vulgar, Globalização.
Daí para a frente, foi então o ver se te havias, para escolher os sítios a conquistar, tamanhas eram as possibilidades, a expansão estava posta em marcha, objectivo, destruir florestas, serras, montanhas, oceanos, rios, céus, subsolos, planícies, vales, ui, era só escolher, e manter tudo em segredo, não fossem as galinhas, pintos, cães de trazer por casa, ou mesmo as formigas e baratas não convidadas mas muitas vezes toleradas nas nossas casas, bem como, as mosquinhas que por lá gostam de bisbilhotar.
Daí, desse tempo, nasceu a expressão, queria ser uma mosca para saber o que se está a passar.
Portanto, era uma missão megalómana, era sim senhor, impossível? Não, para o senhor Homem, tudo é possível.
Foi assim que começou a destruição do mundo que existia outrora, e que agora mais não é que uma manta de retalhos, uma série feliz, de cortes e recortes, colagens e estampagens do magnífico local que em tempos existiu.
Enfim, o que seriamente me aflige é que a supremacia auto imposta, assim o é, por ser conscientemente assumida e defendida, ele há com cada uma que até parecem duas.