o poder de uma mesa.

Escrever é algo que a muitos diz respeito, mas que poucos têm paciência para o fazer de livre e espontânea vontade, seja por falta disso mesmo, por se acreditar na falta de talento, que por vezes é realmente mais do que evidente, ou mesmo porque acima de tudo não somos iguais, porque as diferenças que distinguem o ser humano são mais que muitas, e é essa maravilhosa heterogeneidade que torna este planeta um local tão… parvo, e na parvoíce reside por vezes a incapacidade capaz de cegar.
Mas parvo, no sentido positivista da parvoíce. Sei que será por certo difícil entender a parvoíce como positiva, que será complicado imaginar uma plataforma possível para enquadrar a estupidez e a parvoíce com a graça e a comicidade, mas digo-vos que é mesmo, como é que sei? Eus ou um autêntico parvalhão, mas um parvalhão engraçado, que não rejeita, muito pelo contrário, essa etiqueta.
Ora, voltando ao que interessa, que foi por isso que aqui vim a esta hora, que acaba de mudar, o poder de uma mesa, e a sua relação com uma prática literária mais coerente, criativa, crítica, eficaz e acima de tudo consistente.
Passei meses a trabalhar em cima do joelho, literalmente. Priemeiro foram os cadernos, as canetas, o papel, essa antiguidade quase classicista, onde muitos escreveram durante séculos e que agora é substituido por esta maravliha da tecnologia que é o computador portátil.
Estudava, sempre na véspera do testes, dos exames, fosse do que fosse, sentado na cama, curvando a espinha dorsal, tanto quanto possível, a fim de me enquadrar o melhor possível com os cadernos, os livros, os apontamentos, os sublinhados, etc.
Foram, muitos, bons, loucos e longos anos de posturas incorrectas, de dores esquisitas, parvas, mas desta feita no sentido negativo da palvara, o mais comum, e sobretudo de cansaço desnecessário.
Hoje, tudo isso foi agora posto para trás das costas, passei o dia de ontem excitadíssimo, como uma criança, que entra num parque de diversões pela primeira vez, porque sabia que ia finalmente comprar uma secretária. (Vejam bem como se pode fazer uma criança feliz com tão pouco hoje em dia, basta ir ao gigante das soluções, nãaaaaao, não é o Isaltino Morais, nem o Valentim Loureiro, estou a falar do Ikea)
Assim foi, hoje comprei-a, vim para casa, montie-a, e aqui estou agora, direito que nem um fio de prumo, uma viga de aço. O gosto e poder que esta nova postura criativa me confere, é qualquer coisa de extraordinário.
A vontade que sinto agora de me debruçar sobre estas teclas é inquantificável.
É como se se tivesse acercado de mim, a alma geradora de incentivo e de dinâmica que por vezes parecia perder-se entre as molas cansadas do meu colchão, que levou comigo durante anos, a perpetuar posições escabrosas e pressões desnecessárias, quando tudo o que ele pedia, era sossego, era que fosse morrer longe, que aqui viesse apenas para dormir, ou para brincar aos médicos, tudo o resto, que eu insiti durante anos em perpetuar, que fosse feito longe, lá para os lados da… mesa da sala por exemplo.
Enfim, quem escreve tem de se disciplinar, de se motivar, de se vergar, mas acima de tudo, tem de o fazer numa mesa, caso contrário, está o caldo entornado e o colchão estragado.

Anúncios

Vi o chão mais de perto e fundi-me com ele

Reza a história, que quando alguém equaciona a possibilidade de tar um daqueles grandes, ora bem, como é que se pode explicar isto da melhor forma, espalhanços ao comprido, logo aprece aquela sábia alma, com o poderoso e sempre inteligente e oportuno comentário, “Deixa lá que se caíres também não passas do chão”, o que não deixa de ser uma magnífica e espantosa verdade à La Palisse, mas que objectivamente falando, não passa de uma estúpidez aguda, que costuma atacar a espécie humana, em especial aquela facção que gosta de tentar atirar graçolas para o ar, mas que normalmente terminam a frase com cara de Gnus aparvalhados, que esperam um movimento de alguém em seu redor, que dê a ligeira mostra de simpatia para com a barbaridade proferida, e por piedade, solte um esgar de misericóridia, para com o infeliz que teve a astúcia de dizer tamanha merda.
Assim sendo, caír tem que se lhe diga.
Esta semana fui vítima de um autêntico abalrroamento por parte de um veículo automável. Provavelmente estarão agora a pensar, este anormal é um exagerado do catano, xiça, mas não, nada disso.
Ora, passeava-me alegremente na minha Vespa, de cilindrada 50cc, no rabo do parque das nações, que é como quem diz, às portas de Sacavém, quando, dentro de uma rotunda que mais parece um folhado de salsicha, fui, quando circulava à perigosíssima velocidade de 25 km/h, ou talvez me tivesse mesmo esticado e fosse a 30 km/h, vá… (Bem sei que sou louco, e que devia ter mais cuidado com a velocidade, mas a adrenalina que se sente em cima de uma vespa a uma velocidade destas é qualquer coisa de inexplicável, indescritível mesmo, só quem tem a argúcia e a incomparável capacidade de arriscar de um condutor de uma Vespa, de 50cc, é que sabe ao que me refiro).
Eis senão quando sou então surpreendido por um par de indivíduos na casa dos 50 anos, que sem mais nem ontem, passam da faixa da esquerda, sem accionarem o sinal de mudança de direcção à direita, (o tal do pisca) e resolvem atravessar duas faixas de rodagem, para virem admirar a minha estúpida mas admirável insanidade, própria de quem se faz transportar numa mota a 30km/h.
Mas eles queriam ver bem de perto, como se de facto quisessem mesmo, sentar-se comigo ao volante da mota, para não morrerem sem poder dizer que tinham experimentado uma das proezas mais incríveis que um homem pode fazer, depois de ir ao centro comercial do Martim Moniz, ou à loja do cidadão dos Restauradores.
Tal não foi a interacção, que quiseram ver como é que a minha bomba se deitava nas curvas. Vai daí, num passo de mágica, pimba, atiram me para o chão para poderem ver melhor.
Resultado, apaixonei-me, foi um amor tão intenso e fugaz ao mesmo tempo, que tornou tudo especial. Fundi-me com o alcatrão, e como não sou de meias medidas, nem gosto que se fiquem a rir de mim, ou que me dêem com os pés, resolvi levar para casa uma recordação desse momento tão belo.
Depois de ter aproximadamente 1,5 segundos para pensar, que foi o tempo que demorei a a caír e a levantar-me, decidi que ia levar um bocado de alcatrão comigo, agarradinho ao meu ombro, e ao cotovelo e ao joelho, do lado esquerdo, o lado do coração.
Ora devo dizer-vos que é algo que não se esquece mais, e a simpatia e prestabilidade dos senhores também não. Enfim, a mota é que não gostou muito de ter sido sodomizada daquela forma bruta e indelicada, mas pronto, agora, vai ter a sorte de ser toda reparada, pintada, apaparicada, sei lá mais o quê que termine em ada, mas que não a aleije muito, que já lhe basta as velocidades loucas a que eu a submeto, que ela quando chega a casa até transpira…
Esta foi sem dúvida uma tarde para recordar, e aprendi uma grande lição, as vespas não são para andar a velocidades tão elevadas, e que o alcatrão também não engana, esfola logo..

Quem semeia ventos… apanha a roupa lá em baixo

Ora pois é exactamente sobre esta verdade incompreendida que vos quero falar.
Esta noite apercebi-me da universalidade desta afirmação.
Lisboa esteve submetida a uma espécie de tempestade. Digo espécie, porque não sei bem se lhe posso atribuir esse adjectivo, na medida em que, como raramente presenciamos na capital, este tipo de fenómenos, somos forçados a achar que cada vez que chove com mais força, estamos perante uma tempestade sem precedentes. Quem paga a factura? A roupa. Não há dona de casa que não rogue pragas ao mau tempo, porque têm, tinham ou estavam a contar ter roupa estendida na corda, e agora lembra-se de chover, e lá começa a correria do sofá para a cozinha, a fim de apressadamente ir colher as peças de roupa, por vezes já encharcadas, que os imprestáveis dos outros (homens), que vivem em casa, foram incapazes de recolher.
COntas feitas, 22 peúgas, 4 boxers, 5 cuequinhas de fio dental, 3 panos de cozinha, 1 lençol de banho, e.. porra, caíu uma camisola de carapuço do miguel e 2 tops da joana lá abaixo…
pASSAM A VIDA A ROGAR PARA QUE ESTEJA SEMPRE SOL, a chuva e o vento não gostam nada que falem mal deles pelas costas e depois, toma lá disto, vai apanhar a puta da roupa ao estendal da vizinha e isso é se tiveres sorte e não tiveres de ir ao R/C, e depois lavá-la novamente, por isso, cuidadinho com o que dizem por aí a respeito das condições climatéricas por vezes menos agradáveis, nunca se sabe o que vos pode acontecer ao estendal, com estes terroristas climatéricos e suicidas dos estendais todo o cuidado é pouco.

"(…)A vida não é dia sim dia não(…)"

A grande artista da nossa bela praça, Mafalda Veiga, ousou um dia desenhar as letras que fizeram desta uma das mais blas e verdadeiras frases que alguma vez passeou alegremente pelos meus canais auditivos.
De fato Mafalda, tens toda a razão, A vida não é dia sim dia não, nem nada que se assemelhe a tal. Viver implica agira, implica transformar, incidir, errar, sorrir, falhar, sressaír, acertar, viver, implica isso mesmo, viver, ser, estar, querer, pensar. De nada serve o vangloreio individual e estúpido de qem acha que a vida não é mais que um arrastar patético do corpo sem alma, em direcção ao abismo predestinado, daqueles que estão neste mundo sem qualquer objectivo, directriz, linha orientadora, ou o que quer que lhe queiram chamar.
No outro dia quis não viver, estava armado em parvo, estava farto, talvez pelo adiantado da hora, mas quis. No dia seguinte já me tinha passado a estupidez, mas no entanto, ficou-me de aviso no cérebro, que há dias em que não queremos fazer absolutamente nada, e esses dias nem sempre são Domingos.
Dias em que não queremos existir, ou melhor, como diz um grande amigo, disa em que queremos passar o próprio dia com a cabeça enterrada nas almofadas.
Tem graça, nas almofadas conseguimos estar sem fazer nada, mentira, pensamos e não é pouco, assim creio que a conclusão a tirar,é a de que não fazer nada, parasitismo respeitante à mobilidade ou à clara inoperância, é sem dúvida de evitar, como tal, usando uma expressão feliz (coisa rara) dos americanas, it’s time to move your ass!