Tenho um amigo a trabalhar na Hungria, agora, neste preciso e delicado momento. É repórter de imagem da SIC, ou se preferirem cameramen. Está lá há pouco mais de uma semana, na Hungria, entenda-se.
Como é um daqueles amigos que realmente estimo e com quem realmente me preocupo tenho procurado saber dele com regularidade, sem ser chato nem o atrapalhar no trabalho de enorme importância que ele está a desempenhar. Não consigo sequer ter uma leve ideia do que os olhos dele vêm. Ainda hoje (4ª feira) levou um banho de gás lacrimogéneo, só para não ter a mania que é jornalista e que anda para aí a querer informar as pessoas do que se está ali a passar, o abelhudo.
Antes de se ir embora estava realmente apreensivo. Não porque tenha medo de trabalhar, de andar de avião, de dormir no chão, de ver a tristeza, a dor, o desalento e a desilusão, mas sim porque era e é de facto o trabalho mais importante da sua ainda curta mas já bem recheada vida profissional.
O meu amigo é um funcionário impressionante, daqueles com quem dá gosto trabalhar e sair em reportagem. É diferente da maioria dos seus colegas. Porquê? Porque é. Ponto.
É mesmo uma jóia de menino.
É assim porque tem na boca o coração. É assim porque tem nos olhos a preocupação de querer mostrar a quem cá está, cómoda e refasteladamente sentado no sofá, na cadeira do escritório, ou na secretária do trabalho, a emitir opiniões tão certas quanto despropositadas, sobre coisas que não percebe, não conhece, não sabe e não vê.

Claro que eu também cá estou, mas, ao contrário de toda esta gente que tenho visto a levantar vozes de Ira e raiva contra pessoas que nunca viram, conheceram, cheiraram, e sobretudo com quem nunca trocaram uma palavra que seja, a mim chega-me, porque a procuro, informação privilegiada do que se passa, por estes dias, na Hungria. E não são coisas nada agradáveis de se saber.
O R. tem-me contado coisas inacreditáveis.
Em primeiro lugar deve ser desde logo ressalvado que não tem conseguido dormir! E quando não dormes, alguma coisa de errado se está a passar contigo, tal é a necessidade imperiosa que o corpo tem de descansar. Rapidamente me apercebo de que a força e a violência do que vê e grava durante o dia é de tal ordem e índole que à noite, quando se estende estenuado na cama do quarto solitário de hotel onde está hospedado, já fisicamente exausto, não consegue pregar olho. Vira-se e revira-se. Tem vontade de chorar. Tem saudades da mulher que cá está, sozinha em casa, coisa de que não gosta particularmente. Hoje ela vem jantar connosco e isso descansa-o.
A impotência que o arromba e esbofeteia exprime-se com tamanha violência que, à noite, quando pára finalmente de trabalhar, perde ligeiramente o tino e sofre por não conseguir fazer absolutamente nada para atenuar, diminuir ou mesmo acabar de imediato com o sofrimento daquela gente.
O R. é assim mesmo. Querido, meigo, amigo, sempre pronto e desejoso de ajudar quem precisa, munido de um altruísmo difícil de replicar.
Diz-me então que o mais difícil de aceitar são as crianças e os seus olhos carregados de verdade e de tristeza, de medo, fustigadas por terror a mais para anos de vida a menos.
Diz-me também que há gente a enriquecer com isto tudo. Não estranho porque há sempre abutres nas tragédias. Há sempre quem ganhe com as desgraças dos outros e se sinta feliz e orgulhoso por assim ser.
Diz-me que cada pessoa paga quase 5 mil euros para chegar até aqui.
Diz-me que há agiotas a cobrar e à espera de receber o seu “dízimo” que, trocado por miúdos, mais não é do que as poupanças de toda uma vida, agora “gastas” na mais vil das despesas, a luta pela sobrevivência.

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Mas nisto os milhares de portuguesinhos inflamados e “ditadores” não pensam.
Somos um povo que agride muito melhor do que consegue proteger e defender. É histórico. Cultural.
Não fazemos ideia do que é viver e passar por isto que esta gente está a viver, mas, ainda assim, escolhemos, não poucas vezes, defender o indefensável, acreditar no inacreditável…
Os portuguesinhos que agora se revelam racistas, intolerantes, despóticos, alarves, munidos de uma sabedoria que assenta sobretudo nas opiniões dos outros e nunca, jamais, na própria cabeça, são os mesmos que se inflamam contra políticos, contra ordenados de futebolistas, contra tudo… fazendo rigorosamente nada que não… reclamar, injuuriar, criticar, ou seja, não fazendo absolutamente nada.

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Foto: Rogério Esteves

Mas já lá vamos…
Diz-me o R. que as horas que estas pessoas (importante lembrar que são pessoas, antes de serem migrantes, refugiados ou qualquer outra porra que se goste de lhes chamar, são pessoas caramba) passaram dentro de um barco foram as mais longas, mais terríveis, mais imprevisíveis de toda a sua vida.
Não são pedintes. Não são ladrões. Não são violentos. São educados. São letrados. São doutores, engenheiros e advogados. Admirados?
Entretanto vou espreitando o Twitter a cada hora que passa para saber se há novidades.
É de longe a plataforma que mais rapidamente difunde informação, que a dissemina, que a exporta e expatria pelo mundo fora. Só não sabe mais e não vê mais quem não quer saber e ver mais.
E o R. que não dorme, penso. Pobre coitado.
Faço-te um Gin triplo quando chegares e abrimos as garrafas de tinto que quiseres! Ouviste meu amigo?
Conheço-o bem e sei que, embora seja um miúdo de ferro, tudo isto tem de afectar, tem de marcar, tem de moldar, tem de mudar, tem de influenciar o olhar, tem de o fazer chorar!
Desespera por ver tanta criança infeliz. Tanta criança com fome, com frio, com bolhas nos pés de tanto andar, com ranho seco colado ao buço, remelosas que dói, com sede, mas ainda capazes de encontrar forças para sorrir.
Há semanas que não ouvem um rebentamento de uma bomba, que não vêm amigos morrer esmagados ou estilhaçados, que sentem o doce cheiro da liberdade, ainda que não percebam bem o que lhes está a acontecer e que raio é isso de liberdade afinal.
São as crianças que mais o impressionam e têm de impressionar. Porque nelas não há maldade, ganância, terrorismo ou extremismo. Nelas há tão somente a vontade de brincar e de satisfazer as suas mais básicas necessidades. Conforto, carinho, amor, segurança, felicidade e brincadeira.
Mas deixemos agora o R. por um pouco que já lá voltamos, creio que ele está a descansar e por isso vamos deixá-lo estar.
Entretanto, por cá, a coisa pinta-se de uma forma completamente inesperada mas não incompreendida.
Pelas redes sociais, um fenómeno e um mundo que adoro, admiro e onde estou activamente presente, mas que produz efeitos nefastos sobre as mentes das pessoas mais mal formadas, menos capazes de pensar pelo próprio cérebro e, sobretudo, que difundem a palavra de qualquer coisa que encontram postado, tuitado, partilhado ou publicado, como se fossem verdades incontestáveis. Vivem de axiomas e acreditam piamente no que dizem, sendo que nem sequer sabem o que estão a dizer ou mesmo o que estão a fazer. Nem sequer sabem o que pensam as suas próprias cabeças. Defendem e difundem aberrações escritas por terceiros, com notícias tantas vezes não verificadas, não confirmadas, nas diversas contas de origem extremamente duvidosa que existem nas redes sociais, sem sequer se darem conta do sentido escrito e lacto das anormalidades incríveis do que dizem. Mas atenção que estes “meninos” foram os primeiros a partilhar, a retweetar e a repostar, por exemplo, a fotografia da criança morta à beira mar numa praia da Turquia, de cara na areia, ainda vestido, abandonado ao destino que quis que ali se finasse a história da vida daquele menino. Porque isso sim, essa é a realidade desta gente…
Veiculam e partidarizam uma discussão que não tem sequer moralidade para existir.
E agora já não há charlies em lado nenhum…

Foto: Rogério Esteves
Foto: Rogério Esteves

É certo e sabido que todos temos o direito a pensar o que quisermos sobre o que quisermos, onde quisermos, como quisermos, mas uma coisa também devia ser certa, não temos o direito de ser gratuitamente maus, estúpidos, velhacos, desrespeitosos, racistas, xenófobos e sobretudo injustos para com quem nunca nos fez mal, nunca nos desrespeitou, nunca nos vilipendiou de forma alguma.
O medo do desconhecido produz no ser humano reacções tão estúpidas e abjectas que chego a pensar que na verdade não dou para este mundo. Não me revejo nestas práticas, nestas índoles, nestas manifestações odiosas e repugnantes contra pessoas indefesas, incapazes sequer de decidir o próprio destino.
Senhoras e senhores, informem-se! Por favor! Procurem informação para lá dos pasquins que vos enchem a mente de cocó! É tão fácil, tão simples, tão acessível. Hoje em dia só diz e defende merda desta cor, cheiro e consistência quem efectivamente quer ser estúpido, quem efectivamente quer ser e dizer merda. Porque se o maior valor humano é a defesa e o aproveitar da própria existência, da vida, da vivência, como é possível alguém defender que estas pessoas, estes “monhés” que vêm lá da Síria ou do cú de judas, que “cheiram mal”, que são todos terroristas e que se vão todos rebentar, porque eles passam a vida a rebentar-se por dá cá aquela palha, só por causa das sereias, perdão, das virgens prometidas.
Tanta ignorância em tão poucos caracteres.
Tanta alarvidade e tão pouca solidariedade.
Tenho esperança no futuro da humanidade.
Tenho esperança nas pessoas, nos homens, nas mulheres e sobretudo nas crianças.
Mas se a tenho é também porque tenho amigos como o meu querido R., que tem olhos limpos, carregados de esperança e bondade, de solidariedade, de altruísmo.
Obrigado meu amigo por tudo o que nos tem mostrado dia após dia, noite após noite.
Tu e a Cândida Pinto (citando o meu amigo e colega António Reis: “este nome deve pronunciar-se com reverência)” têm mostrado a Portugal que estamos “muito mal” na verdade…
Por fim, dizer apenas que, ao que parece, Portugal vai receber entre mil e três mil refugiados sírios (o número não é claro, não é redondo, nem é definitivo), num país com perto de 11 milhões de habitantes. Acham mesmo que eles nos vão roubar os empregos, que vão constituir organizações terroristas e que todas as mulheres passarão a usar Burkas?

Foto: Rogério Esteves
Foto: Rogério Esteves

Mais depressa me parece que veremos elefantes a andar de patins em Belém. Mas isso, isso não seria estranho para ninguém. Volta rápido meu amigo. E volta bem. Nós por cá vamos mantendo acesa a chama do orgulho que temos por ti, está bem?
Dá um beijo meu a todos e todas aqueles que encontrares ou para quem olhares.
Por vezes um olhar faz tanto ou mais do que uma palavra.

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96 thoughts on “Estes “sacanas” destes refugiados

      1. Adorei o texto, A maneira como escreve, simples e prática! Sem Flores nem estampados! Eu, como o seu amigo R, tambem nao tenho conseguido dormir de noite… Ja nem sei o que me parte mais o coracao… Se a desgraca fisica destas pessoas, ou a desgraca moral de quem acredita que o direito à vida é só para alguns…

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      2. Obrigado Ana!! Muito obrigado pela sua participação no debate!! O que nos move são as pessoas. O resto são considerações e politiquices que ouvimos aqui e ali e que nos envenenam a alma! Obrigado pelas palavras e pelo seu tempo!!

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  1. Eu ultimamente tenho entrado em guerras devido a este assunto e adoro ler as opiniões alheias.

    Eu sou uma miúda de quase vinte anos, que ainda vai publicar um livro, que ainda não tem uma vida profissional e que se considera uma inculta e uma ignorante. Não tenho nem metade do conhecimento do Martim, pelo que peço desculpa se a visão que aqui vou apresentar vai soar ridícula ou infantil.

    Eu sou a favor da Europa receber os refugiados. Quando começaram as guerras, nós fomos lá meter o nariz e espicaçar ainda mais a coisa. Nós temos a obrigação moral de prestar auxílio aos inocentes que estão a fugir, literalmente, da morte.
    Acho muito bem estarem a dar apoios e também gosto de ver que estão a receber alguns refugiados nas Universidades. Porém, não consigo conter a minha indignação. Não para com esses inocentes, mas sim para com os políticos e altas patentes que estão a ‘gerir’ a Europa.
    Nós temos milhares de pessoas no desemprego, milhares de pessoas a passarem fome e a viverem nas ruas. Temos jovens que não podem aceder às Universidades por questões monetárias, pois, muitas vezes, as bolsas não são suficientes para todos.O nosso país é pobre. E as sociedades europeias apresentam demasiados contrastes. Temos os muito ricos, os abastados e os miseráveis. E é aí que começa a minha indignação.
    Enquanto as câmaras de televisão não se ergueram e não começaram a mostrar ao mundo o que estava a acontecer na Síria, a Europa não se preocupou minimamente. Não quiseram saber se morriam crianças. Se torturavam aquele povo…. não quiseram saber nada. Tal como não quiseram, nem querem, saber dos nossos pobres e dos nossos jovens sem oportunidades. Mas, atenção! As câmaras ligaram-se e o mundo ficou a saber a verdade. E então os senhores que governam esta Europa apressaram-se a ajudar! A fazer mil e uma promessas! A sorrirem quando era preciso e a chorarem quando lhes convinha. Começaram a erguer estandartes e a fazer discursos sentidos; o falso moralismo começou a brilhar como um sol de Verão.
    Eu entendo que eles não venham roubar, como muitos dizem, os empregos aos nossos. Entendo que eles não vão formar organizações terroristas, apesar de existirem certos riscos. Mas como é que um país como o nosso pode prometer uma boa vida a essas pessoas, se não é capaz de dar uma boa vida aos nossos? Como é que lhes vão dar trabalho, quando nem para nós há? E como é que vão dar bolsas de estudo a cinco estudantes deles, quando centenas de estudantes europeus não puderam usufruir de uma?
    A meu ver, os países mais ricos da Europa deveriam de se fazer cargo desta onda de refugiados. Talvez se o Reino Unido deixasse de ser tão egoísta e percebesse que também faz parte da União Europeia, os países mais ricos pudessem aliviar os mais pobres. Para além disso, penso também que a Europa deveria de parar de ser tão hipócrita como é. Acho que deveria de começar a tentar ajudar também os nossos pobres, em vez de tentar extorquir fortunas descomunais a países em crise.
    Resumindo: A Humanidade Europeia deveria de ‘actuar’ em todos os casos de pobreza e miséria sem precisar do incentivo de meios de comunicação. Sem precisar de pessoas corajosas como o seu amigo. E os países ricos deveriam de ter em conta que países pobres como Portugal, não deveriam de receber refugiados. Não por uma questão de egoísmo ou xenofobia, mas sim por uma questão de que não lhes vamos poder dar uma vida decente, nem empregos estáveis. E certos países como a Hungria, deveriam de pagar pelo aquilo que estão a fazer. Pois os actos deles são tudo menos humanos.

    Uma coisa que eu quero comentar sobre o racismo e a xenofobia. Eu vivi em Espanha durante quatro anos na comunidade de Castilla-La Mancha. Lá, convivi com muçulmanos (maioria marroquinos), com sul americanos e com romenos. Nenhum deles, cristão ou muçulmano, era terrorista. Nenhum deles era menos ou mais que eu. Os meus pais chegaram a sentar à mesa muçulmanos que passavam fome. E enfatizemos essa palavra tão sombria. FOME. E eu nunca conheci pessoas tão educadas e honradas quanto eles. O nosso povo não deveria de temer os muçulmanos, não deveria de temer qualquer religião. Aqueles refugiados, são inocentes. Nós sabemos que os terroristas colocaram infiltrados… mas… vamos condenar à morte milhares de inocentes por medo de uma facção extremista? Vamos desprezar um povo pelo que uns quantos loucos estão a fazer? Será que a Europa já se esqueceu da Santa Inquisição, das Cruzadas e das Conquistas? Existem razões que podem fundamentar a vontade de não receber aquelas pessoas, tais como pobreza e um certo medo da existência de terroristas infiltrados, mas o facto deles serem sírios, de muitos deles serem muçulmanos, não é uma razão. Isso chama-se, tal como o Martim disse, racismo e xenofobia.

    Eu espero não ter sido chata (pronto, está bem, eu sou sempre chata, hehehe :D) e, acima de tudo, espero não ter parecido xenófoba ou egoísta. Tentei o meu melhor para expressar a minha opinião sobre este assunto e dar a entender que não sou nem totalmente a favor, nem totalmente contra. Enfim, sou um meio termo.

    Dê os parabéns ao seu amigo, pois é preciso coragem e estômago para se lidar com uma realidade como essa e deixar cá a família.

    Um abraço e parabéns pelo texto! Adorei. ❤

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    1. Muito bem Raquel, adorei o ponto de vista e a clareza com que te expressaste.
      Infelizmente o texto do Martim está muito confuso e mistura os temas de 5 em 5 segundos. Falta alguma clareza mas os meus parabéns à bravura do Amigo R.

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      1. Apesar de discordar da sua ideia de confusão no meu texto (e é a primeira pessoa a dizê-lo), não posso deixar de agradecer o tempo que gastou a lÊ-lo e sobretudo o ter aproveitado para o comentar. Se se sentiu confusa foi porque em algum momento a minha escrita a confundiu. De facto uma das coisas que mais aprecio na literatura é o facto de não existirem 2 opiniões iguais sobre um mesmo assunto, neste caso, sobre um mesmo texto. Uma vez mais lhe agradeço por ter lido e comentado. Continuação de um óptimo dia e de um excelente fim-de-semana.

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      2. Bem, com a parte do texto do Martim não concordo muito. Entendi-o perfeitamente. Mas isso são pontos de vista e opiniões. 🙂
        Muito obrigada e fico feliz por saber que me fiz entender e que não sou a única a ter esta opinião. ❤ ❤

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    2. Muito bom texto e bastante claro quanto à tua opinião acerca do assunto, acima de tudo muito bem escrito, vou apenas deixar aqui uma pequena achega e nem sequer é em tom de crítica, apenas dizer que alguns de nós já sabiamos da guerra na Síria antes das câmaras de televisão apontarem para lá, porque nem todos seguimos apenas a informação televisionada e andamos atentos 🙂

      Felicidades para ti e que tenhas um futuro brilhante à tua frente, mais jovens como tu e acho que este país um dia vai mudar 🙂

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  2. Paulo Alves Juízo, tenham juízo. Por cada imigrante acolhido estamos a convidar outro a fazer-se ao mar. Ao compadecermo-nos do pai com a menina ao colo estamos a dizer para trazer para trazer crianças nos barcos que é assim que as portas se abrem. Quando daqui por um ano tivermos centenas de crianças a dar à costa… Infelizmente os nossos jornalistas e cameramenes só se preocupam com a venda de imagens e se pelo caminho apanharem com uma carga de gas isso tambem ajuda a vender.

    Abram os olhos.

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    1. Está muito enganado meu caro Paulo Alves, mas como vivemos em democracia, coisa de que só nos lembramos quando nós da jeito, cada um de nós tem direito a expressar a sua opinião e isso, só por si, já é um direito incrível e um doce refresco de liberdade. Os jornalistas não estão, como disse, apenas preocupados em vender imagens porque nós não vendemos imagens. O Paulo não pagou imagem nenhuma pois não? Não teve de pagar para formar essa opinião pois não? Ligou a TV ou foi à Net e viu, graças aos jornalistas a quem chama vendedores de imagens, e às dezenas de milhares de pessoas que não sendo jornalistas filmam e fotografam o que se passa, que lhe permitiram formar essa opinião com a qual discordo profundamente. Contudo, respeito inteiramente o seu ponto de vista. Não posso no entanto deixar de lhe fazer uma pergunta tão simples quanto isto: se fosse consigo, connosco, como seria? Se não fosse na Síria mas em Portugal, preferia fugir ou morrer aqui fechado porque ninguém o deixava entrar em parte alguma? Pense bem. Não pretendo mudar a opinião de ninguém, apenas quis relatar e contar o que lá se passa deixando o meu olhar sobre este tema. Mas não passa disso mesmo, de um relato a que acrescento o meu olhar. Acredito piamente que a bondade humana é o que nos pode distinguir dos bárbaros e dos animais. Ajudar seres humanos não pode ser uma actividade secundaria onde se vão buscar fantasmas para justificar a falta de vontade de ajudar o próximo, o nosso semelhante que não tem a sorte de viver num sítio calmo e pacato onde nada acontece como o é Portugal. Por fim deixe-me agradecer-lhe o comentário e a possibilidade de debater esta questão! O debate só enriquece a mente humana! Obrigado Paulo

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      1. Muita demagogia se “vende” por aqui. Como se o mundo fosse cor de rosa e todos amantes do amor e a fraternidade.

        Mas fico me só pela demagogia mesmo quando diz que o jornalista/cameraman, ou que lhe queiram chamar, não vendem imagens, nem são pagos ao serviços(quando são freelancers) ou pelos reportagens que fazem.

        A demagogia começa na primeira mensagem e acaba aqui nesta.

        Em relação ao resto, são opiniões e há muito que estão extremadas nos 2 lados. Não conseguem ter meio termo e ter opiniões neutras e objectivas. Que é isso que se pede em assuntos tão importantes como este.

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  3. Agradecer antes de mais pelo texto tão verdadeiro de uma perspectiva que normalmente não temos (eu pelo menos não tenho). Sou uma ignorante confessa. não pela teimosia da minha opinião, mas pela sua vulnerabilidade. Leio, informo-me e procuro uma opinião fiel aquilo que são as minha convicções. E quando eu penso que tenho a minha opinião definitiva, lá vem um artigo ou uma reportagem que me fazem mudar de ideias.

    O meu cunhado é muçulmano, moramos todos em casa dos meus pais, uma família TODA bastante católica e praticante. Já conhecemos alguns amigos, também muçulmanos. Tanto quanto sei há promessas de vistos, de NIF’s, de contratos de trabalho, em troca de dinheiro. Muito. Vai-se contra, tanto quanto se pode e quanto se sabe. “Felizmente” que não sei de mais pessoas corruptas, só de um ou outro muçulmano que mora no Martim Moniz. Nós por cá somos todos correctos, felizmente!! 🙂

    Só queria referir ainda que, apesar de tudo, moro em segurança (acho eu), nenhuma bomba foi posta na minha minha casa, nem no meu local de trabalho, nem nas proximidades, que ainda não uso burka (graças a Deus :)) e que continuamos a poder ir à igreja livremente.

    Podemos não ser todos Charlie, mas somos todos pessoas!

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    1. Muito obrigado Benedita!! A sua última frase fez-me ficar feliz porque sacou do meu texto exactamente aquilo que pretendia!! Somos todos pessoas!!! Somos todos a mesma matéria com cor de pele diferente e crenças únicas que nos distinguem mas, em vez de nos afastarem nos devem unir!! Obrigado do fundo do coração pelo seu testemunho!!

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  4. Aconselho a passar uma semana num dos bairros de maioria muçulmana de Londres ou de Paris. Só uma semana e terá uma visão do futuro da Europa que um dia foi civilizada ! O Multiculturismo estupido que a esquerda nos tem tentado impingir é um erro, não se pode juntar dois modos de civilização completamente diferentes, um dia os erros pagam-se seja atraves do crescimento de uma extrema direita a custa de um povo oprimido e não respeitado no seu proprio Pais ou seja pelas exigencias das minorias que um dia se tornam maiorias … TENHA JUIZO !

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    1. Curiosamente moro no Reino Unido, vejo mais burkas e mulheres de lenco por dia do que acredito que a autora alguma vez fez – e nao sei do que fala.

      Nunca ninguem explodiu, nunca ninguem me tentou converter ou meter um trapo na cabeca da minha mulher, e os ingleses que mais reclamam – e que fomentam os movimentos de odio que se veem online sao parias da sociedade, como os nossos skinheads, PNRs e afins.

      E ja trabalhei de perto com islamicos, de varios paises – e sempre foram extremamente correctos e sempre tivemos mais para falar do que religiao.

      E mesmo que houvessem 10% de mal-intencionados e mal formados (tambem os ha nos “brancos” das sociedades ocidentais e ate acredito ser uma estimativa muito conservadora) – nos enquanto sociedade civilizada temos a obrigacao de ajudar. Senao somos umas bestas piores que “eles” (ou de como os pintamos).

      E triste tanta de falta de informacao, auto-inflingida. Mas ha que ter esperanca que os “desinformados xenofobos” sejam uma minoria – e que isto seja tudo uma amostragem enviesada das internets.

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      1. Obrigado pelas palavras e pelo testemunho Marco, e sobretudo obrigado pelo tempo gasto a ler e a comentar este texto! O debate de ideias é sempre uma poderosa forma de crescimento e de troca de informação!

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  5. Está é a realidade e não o lirismo do seu texto, o refugiado passa por 3 fases :
    . Alegria : quando chega a Europa e pensa que vai ter um Mercedes e viver fartamente
    . Desilusão : na melhor das hipoteses após estar a viver ha 6 meses num apartamento com mais 20 e continua a procura de emprego estavel (“Afinal tambem ha desemprego na Europa” pensa o mesmo)
    . Revolta : culpa os locais de todos os seus problemas, odeia onde vive, tenta impingir as sua ideias à força e quem não concorda com o seu Deus deve morrer.
    Está é a realidade

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    1. Obrigado pelas suas palavras José! Não concordo minimamente com a sua visão mas respeito-a inteiramente! O pluralismo civilizacional só nos enriquece, a meu ver, e é esse mesmo pluralismo que nos faz, por exemplo, estar aqui a debater este tema. Agradeço desde ja a disponibilidade que teve e o tempo que gastou a comentar e a ler o texto.

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    2. Eu estou na Hungria e todos dias vejo o que se está aqui a passar…como já disse uma vez…( realmente as imagens do sofrimento dos refugiados faz as pessoas darem mais tempo de antena…os jornalistas conseguem mesmo mais audiências)…só não mostram o que causou a Policia ter que usar a força…só não mostram os homens a por as mulheres e as crianças à frente para causar mais pena…e claro depois podem até ser atingidos…só não mostram nem dizem o porque de o repórter ter apanhado com o gás…ninguém o obrigou a andar no meio dos refugiados que estavam a tentar entrar à força e a destruir tudo…eu gosto de ver as pessoas a escrever..pois estão longe e não têm noção da quantidade de pessoas que está a tentar entrar…os Húngaros precisam de tempo para os registar e preparar toda a documentação para eles estarem legais….mas eles não querem…só querem passar.
      Por favor…pimenta no cu dos outros é refresco…
      Vejam o exemplo da Croácia…já estão a fechar as fronteiras também…pois não conseguem controlar todas as pessoas que entram…não estamos a falar de 100 pessoas…é aos milhares e eles nem querem saber de registos…só querem passar sem ser identificados.
      Cada um só vê aquilo que quer…e neste caso pelo que eu tenho visto nas notícias…não é a realidade que está a ser passada…claro que como nós somos cristãos…é fácil para nós termos pena e querermos ajudar…e eles estão a tentar ajudar…mas têm que cumprir com o que foi acordado pela União Europeia…eles têm de ser registados

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    3. O José Esteves comentou ideias suas ou as que ouviu um vizinho dizer?

      Parece-me que ultimamente o desejo e estigma de ter um Mercedes arranjou uma nova vítima e saltou dos portugueses para os refugiados…

      Passos, estás a ver? nós já não queremos Mercedes, são eles, são eles!

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  6. Maria Nostredamus reze para nunca fazer um teste de ADN e descobrir que tem genes celtas ou de qualquer outra espécie que nao seja a da sua nacionalidade!! Reze muito!! Porque com esses pontos de vista o mais certo é descobrir que afinal descende de algo diferente e ainda acaba a contar para a estatística dos Suicidios!! Tenha juizo masé!!

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  7. Isto é tudo muito bonito, mas devemos ajudar? Sim. Mas tudo o que o estado português nunca me deu dar a eles? NÃO. Infelizmente já passei por muito e se alguém um dia espero bem que não tenha um filho no hospital a morrer e lhe digam que o estado não tem dinheiro para fazer exames para descobrir. Vão ser da minha Opinião. O nosso Portugal já e tão pequeno.

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    1. Acho apenas que a vida não pode ser pesada assim. Olho por olho dente por dente. Contudo, consigo entender perfeitamente o que está a dizer e perceber a sua “indignação”. Obrigado por ter lido e por ter deixado aqui o seu testemunho que engrandece o debate e a partilha de ideias!! Bom fim de semana

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  8. Nos portugueses não passamos de uns pobres “refugiafos” a procura de oportunidades de uma vida melhor por esse mundo fora. E vamos enfrentando os obstáculos de cabeça levantada. Custa me imensos ler alguns artigos e comentários tao podres. Felizmente a minoria consegue ser cruel para com o próximo, fazem no com o próprio povo , não me surpreende que façam com quem vem de fora. Felizmente a educação que me deram foi de ter compaixão pelo próximo e assim tentarei educar minha filha. Se tenho medo do dia de amanha? Sim tenho e depois… Eles também tiveram, e tem o direito tal como eu de tentar sobreviver. Podemos nao ter por aki jihadistas mas temos muito” terroristas” Obrigada martim pelo seu artigo.

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    1. Obrigado eu pelas palavras sinceras e sentidas Ana!! Fico extremamente lisonjeado com os comentários que tenho recebido. Fazem-me acreditar que não sou o único a pensar nisto e a sentir que temos onde dever de fazer mais por portugueses, sírios, ou seja lá de que nacionalidade se trate!! Pelas pessoas! Pelos outros!! Obrigado.

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  9. É interessante ver as diferentes opiniões sobre um mesmo assunto e que realmente é de enorme preocupação. O que sentimos no momento sem reflexão e emitimos a nossa opinião neste assunto delicado pode originar discussões baseadas no impulso do momento, revolta a partir de memórias ainda recentes de um todo consumismo de informação dos mídia sobre atentados nos vários países de Europa que nos formatam a percepção no mundo digital da realidade que não passa de um fragmento do mesmo em pixeis. Mesmo que as imagens, informação em textos sobre os acontecimentos tendem ser neutros não o conseguem ser. Originam sempre a opinião. E muitos parabéns para os jornalistas, cameramans, geradores de opiniões e os consumidores de opiniões. Para uma opinião fundamentada e bem refletida, acho que temos que perceber que a nossa percepção desta realidade é influenciada através das vivências, cultura/sociedade onde estamos inseridos as revoltas e o que absorvemos como espumas de informação. O acesso à informação ( seja privilegiada ou não) não significa o acesso a maior razão ou que a opinião que dai advém seja a correcta devido à diferente percepção de cada um de nós. Existe questões neste assunto que remetem a religião, divergência cultural, efeitos pôs guerra, política, crise Europeia, prevenção. Será um desafio mas não menos interessante criar uma opinião com base em factos fundamentados. Antes de eu dar uma opinião credível e do que acho que possa ser fiel aos meus valores, princípios humanos e culturais, teria que abordar a minha opinião como base nas questões acima referidas. Pois posso ser mal interpretado, o que é muito fácil de o ser neste assunto se não for bem fundamentado.

    Fica o desfio e a reflexão

    Um bem haja a todos

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    1. Obrigado Victor pelo contributo bastante interessante e pensado, reflectido e ponderado sobre o assunto! É um tema fracturante, sem dúvida, que divide a sociedade! Obrigado pela participação no debate! A sua opinião enriqueceu muito a conversa!! Um grande bem haja!!

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  10. Não foi tempo perdido, foi bem usado…
    Acredite, amo esse país com todos os seus defeitos, que não superam as qualidades.
    E, pelo que escreveu, sei que você também. Considerei uma crítica construtiva, muito bem feita.
    Um bom fim de semana, ultimamente só tenho desejado a todos boas notícias

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    1. Obrigado Maria, deixe-me dizer-lhe que é um gosto ler tantos comentários e ver que tanta gente se preocupa e pensa no futuro! De facto este texto e as reacções ao mesmo superaram todas as minhas expectativas! Uma vez mais muito obrigado

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  11. Olá Martim, você escreve muito bem e dou-lhe os meus sinceros parabéns. Há vários anos que me debato pelas causas humanitárias e por esta em particular, porque o que se está a passar desde 2013 nos países destas pessoas é horrível demais para ser compatível com a evolução do século XXI e com o respeito pelo ser humano. Sou um fervoroso defensor dos direitos humanos e contribuo de várias formas para ajudar os mais necessitados por esse mundo fora, com donativos e sensibilização dentro das minhas possibilidades, mas sei que, guerra, fome e miséria não existe apenas há quatro meses e isso deveria ficar bem claro, pois dá a sensação que é algo recente, e não é! No entanto tenho uma visão diferente daquela que o senhor transmite, sempre fui apologista de “ensinar a pescar e não oferecer um peixe” se é que entende esta expressão adaptada a esta situação específica. Dando um exemplo prático, será que a terrível fome na Somália, Burundi, Chade, Congo, Níger, Malawi e muitos outros países se resolve trazendo para a Europa todos esses povos? E neste caso específico, aquelas pessoas que não tem capacidade financeira para pagar a travessia marítima até á Europa, devemos esquece-las? Será esta a melhor forma de resolver este problema? Não me parece sr. Martin. Acho que o ocidente tem o dever e a capacidade de proporcionar a paz nos países de origem destas pessoas, para que possam continuar nas suas terras, nas suas culturas, nas suas casas. Com paz e bem estar, porque havendo vontade, o ser humano consegue isso. O senhor sabe tão bem como eu que a solução para os países em guerra não passa pela migração para a Europa de nações inteiras. Sabe tão bem como eu que a solução para os países em miséria extrema não passa pela migração de continentes inteiros para a Europa. Sejamos abrangentes, ajudemos todos os que precisam, não selecionemos a dedo aqueles que devem ser ajudados e aqueles que não devem ser. Por vezes as emoções são fortes demais para vermos os problemas na sua globalidade. Os melhores cumprimentos.

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    1. Ninguém consegue escrever um texto em que toque em todos os males da humanidade mas entendo inteiramente o que me diz!! Obrigado pelos elogios!! Retribuo a simpatia e digo lhe que lhe agradeço e de que maneira o texto, o ter lido o meu texto e ter-se dado ao trabalho de o comentar!! Um enorme bem haja!!!

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  12. Arrepiei-me com este texto.
    E todos nós temos o dever de ter
    olhos de ver,de saber acolher estes seres humanos.
    Deus permita que nunca nos aconteça tal coisa.
    E que ser jornalista é isto mesmo,
    Consegui ver pelos olhos do Martim.

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  13. Martim…..ADOREI O TEU TEXTO. Nada confuso…antes pelo contrário.
    Eu sou um refugiado…sei o que é fugir de uma guerra…sei o que é passar fome e viver da caridade dos outros. Sei o que é ser insultado. Revejo-me e muito, nas situações dos sírios, iraquianos, etc.
    Sinto uma grande revolta pela pobreza de espírito destas pessoas (portuguesas) que fazem estes comentários ignorantes….enfim. A HUMANIDADE É UM FRACASSO!
    Um bem haja para ti e todos as pessoas, tuas amigas, que fazem este trabalho.

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    1. Obrigado, muito obrigado!! Este texto trouxe-me, e a todos os que Aqui se juntaram, a um debate construtivo (pelo menos procurei que assim fosse) e que espero que pelo menos possa mudar alguma coisa nas cabeças e nos olhos de quem nele participou. Assim vale a pena conversa!! Obrigado pelo comentário, pela leitura do texto e pelo testemunho aqui deixado. Um enorme bem haja também para ti.

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  14. De forma curta e concisa, até porque estou a pressa. Quem nao gosta de viver no seu país? Eles, refugiados, obviamente neste momento estao de mao aberta a aceitarem o pouco que se lhe possa dar, contudo, certamente gostariam sim era de puder voltar para suas casas, como se nada tivesse passado, eu acredito que sim. Entao porque criar condiçoes para recebe-los, e nada se faz para travar esta guerras, aqueles loucos terroristas?! Nao ha la petroleo é isso? So pode, a uns anos attas correram logo a acabar com a guerra, agora mal se pronunciam… Acabem sim com a guerra e deixem eles voltar para suas casas. Era o que eu gostaria, se tal fosse comigo, ca em Portugal. Ja estive fora, sei bem o que é querer a nossa terra de volta, nem que seja por uns instantes.

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  15. Nem tudo que reluz é ouro, mas já lá iremos.
    Ajuda directa é no local de origem, mas nisso ninguém pensou. Só mesmo os Russos.
    Porque razão está o maior campo de refugiados às moscas??? Porque razão não vi a mesma movimentação social na causa da guerra (invasão) da Ucrânia??
    Sim, infelizmente há quem lucre, e muito com as crises e desastres, e os primeiros e grandes abutres é a hipocrisia política da europa centralista!!

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  16. Porque sera que quando se pede a alguém das pessoas que aqui deixam os comentarios comentários para abrir as portas de sua casa para deixar entrar os refugiados ninguém se propõe a isso.
    Gostaria de saber de todos estes que se dizem com pena , choram baba e ranho, vão abrir as portas de sua casa para acolher os refugiados, ou asiládos politicos.
    Já agira porque não se dirigem eles para os paises ricos e com a mesma religiao? Porque será? Alguém me sabe responder? Será que nao está aqui “a funcionar” o sonho europeu?

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  17. Mais um blog sensasionalista que chama racistas, xenófobos, nazis a quem tem uma opinião diferente, mais do mesmo. No 11 de setembro foram precisos apenas 19 árabes para matar mais de 3000… E achas que eles também se deram ao trabalho de saber se havia crianças na torres gémeas? E em Atocha? E no metro de Londres? E em Paris recentemente que se não fosse os 2 rapazes americanos hoje choravas a perda de centenas? Aconselho-te a ires a um país desses e veres com os teus próprios olhos como é a realidade, eu já estive pela NATO em 2 deles e sei o que vi. Deixemo-nos de hipocrisia, de ir ao outro lado do mundo achar que vamos salvar alguma coisa, quando aqui há 3 milhões de pobres.

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    1. Só lê quem quer meu caro. Mas agradeço que tenha lido e que tenha deixado aqui o seu testemunho que, sem dúvida, enriquece o debate! Engana-se se pensa que chamo racistas e xenófobos a quem tem uma opinião diferente! Sou estúpido mas nao tanto assim… Sei as anormalidades que andei a ler pela internet e repito: xenofobia e racismo de quem tem vidas boas. Mas lá está, é a minha opinião e o mais magnífico é que a pluralidade de opiniões nesta vida permite que possamos crescer e enriquecer o pensamento com tudo o que vamos lendo e ouvindo! Agora pode ter a certeza que de sensacionalismo não tenho nada! Com os meus melhores cumprimentos e agradecendo o tempo perdido a ler e a comentar!! Valeu!!

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  18. O R. é um coitado por fazer o seu trabalho.. pois.
    Eu também estive em missão no estrangeiro e passei algumas dificuldades. E não fui um coitadinho.

    Portanto, é o trabalho do R., ganha para isso, está lá aposto como voluntário (é o seu trabalho) e mesmo que não esteja como voluntário é o seu trabalho…

    Gosto especialmente de quando vêm defender com “ajuda” e argumentos do tipo ” o meu amigo está lá, e sabe o que se passa”, “conta-me coisas impressionantes”, “o portuguesinho fica em casa ou no sofá ou no escritório a comentar”…. “ah e tal, eu não sou como os outros” e tal..

    Enfim, mais um artigo de encher chouriços…

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  19. Boa tarde Martim. É reconfortante ler um texto que é o espelho da realidade que o povo Sírio está a viver. É doloroso ver tantas pessoas desesperadas a lutar pela sua sobrevivência, e pela dos seus! É desumano pensar o contrário. No entanto, há o reverso da “medalha” também em Portugal temos sofrimento, dor, pais e mães que não podem dar uma vida digna, e não me refiro a luxos, mas apenas a alimentação e saúde.
    Que país é este que “aparentemente” preza pelo bem estar do povo sírio, quando não zela pelo seu povo!
    Sou solidária com a dor do povo Siírio, mas também com a nossa dor, pois sou professora e assisto quase diariamente, à dor de muitos pais que passam fome e muitas outras dificuldades, que alguns têm receio de partilhar, por medo, ou talvez por vergonha de terem atualmente uma vida tão avassaladoramente diferente da que tinham e da que idealizaram para a sua família. A minha revolta é para os nossos governantes, que teimam em escamotear uma realidade que só não vê quem teima na cegueira, na ilusão do sonho de um mundo melhor!
    Apesar de tudo quero acreditar, talvez porque sou uma sonhadora, que vai haver uma mudança, mas cada ser humano tem que deixar de ser menos igoista e mais solidário, só assim poderemos mudar as mentalidades de um povo que continua a ansiar pela liberdade conquistada no 25 de abril de 1974, mas que quase raramente se vive.

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  20. O problema é bem mais profundo e os jornalistas, todos sem excepção, deontologicamente deveriam aprofundar a questão e de forma mesmo obrigatória, até porque só estariam a transmitir a verdade, culpabilizar quem realmente são os culpados desta enorme tragédia assemelhada aos campos de concentração dos nazis.
    Eu sei que isto é tudo muito lindo falado mas muito difícil de ser concretizado na sociedade em que vivemos refém do poder económico, é fácil perceber que quem está por trás da comunicação social são os grandes grupos económicos e as instancias governativas que tão bem os defende, e este é o problema é que os tempos que vivemos são tempos de asfixia democrática, asfixia comunicacional como forma de manipulação de consciências.
    Eu sei que os jornalistas não são todos iguais, mas o problema é quem lhes paga e como todos os “patrões”, claro não gostam que seus funcionários se expressem contra os seus interesses.
    É preciso lembrar a célebre reunião realizada nas lajes, Açores com a presença de Durão Barroso primeiro ministro de Portugal na época e que mais tarde como paga seria promovido a Presidente da UE, Asnar primeiro ministro de Espanha, Bush Presidente dos Estados Unidos, Tony Blair primeiro ministro de Inglaterra.
    Foi aí, e quem esconde isto está ser conivente com esta gente, que saíram as orientações e com recurso a mentiras construídas difundidas pela comunicação social vezes sem conta ,se invadiu Países atrás de Países e se deu cobertura a grupos extremistas que ainda hoje continuam a ser alimentados e financiados pelos EU e UE.
    É com grande hipocrisia, diria mais até, ver alguma desta gente culpada por tudo isto hoje de uma forma descarada dizer-se solidária.
    Isto só vai terminar quando as forças invasoras deixarem estes povos resolverem internamente os seus problemas…

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  21. Se querem os refugiados em Portugal tratem primeiro dos nossos sem abrigo pois têem mais direitos porque muitos ja fizeram descontos para o governo e não têem nem abrigo e sobrevivem á custa dos voluntários que distribuem alimentos que são doados a maior parte por pessoas anónimas,que não fazem comentários ridiculos contra o seu próprio povo como os que estão aqui, até parecem renegados da sua própria pátria

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    1. Não estou minimamente de acordo. São problemas e realidades bem diferentes. Ainda não se percebeu que neste caso não temos escolha! Eles vêm, ponto! Os problemas internos têm de ser resolvidos por quem cá manda. Não que não sejam tão ou mais importantes. Mas é a mesma coisa que dizer que não podemos comprar artigos estrangeiros porque as empresas portuguesas estão a desaparecer… A Analogia é esta!! 🙂 obrigado pelo comentário e por enriquecer este debate!!

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  22. E tudo muito bonito sao todos muito boas pessoas mas vou-lhe so fazer uma pergunta se tem assim tanta pena,as pessoas com opiniao diferente da sua sao tudo e mais alguma coisa de negativo quantos e que ja levou para sua casa para ajudar?Falar e muito facil…pelo menos sou sincera e nao estou com falsos moralismos,na minha casa nao entram deixo-os todos para si e muito boa noite.

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  23. Martim…
    Humpf… Que bom ler o texto o debate e esta imensa corrente de comentários…
    Agradecido por ler.
    Ao R. um abraço apertado, daqueles que pretende dar colo dizendo-lhe… Não mudes a essencia humana quando confrontado com esta atrocidade…
    No regresso, quando o tenha por perto, estime-o por demais, mime-o por demais, porque se a esta distancia nos doi a alma… Ali a dele deve estar desfeita…

    … Um abraço e força!!! A todos nós porque o Mundo… O Mundo mudou.

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    1. Daniel, obrigado pelo comentário e pela testemunho!! O debate que este texto gerou é uma grande vitória para mim enquanto escritor e enquanto leitor e ser humano!!! Têm sido dias monumentais em todos estes que se seguiram à publicação do texto! Um abraço e obrigado

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  24. Boa noite! li com atenção e interesse, parabéns pelo texto, pela coragem e felicidades e força ao seu amigo R. ! costuma dizer-se “quem fala assim não é gago!”é verdade que o medo nos faz dizer e fazer coisas com as quais muitas vezes não nos identificamos e muitas vezes nem concordamos !

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  25. Boa noite!
    Qual é a minha posição sobre este assunto?
    Estou seguro quanto à validade dos meus argumentos?
    Tenho uma posição definitiva sobre este drama?
    Como tenho ainda grandes dúvidas, tento manter-me informado, tenho uma perspectiva histórica, cultural e religiosa, como o Homem é um ser bio-psico-social, como tenho uma vertente humanista e um lado racional, medos, receios e egoísmos, como sou conservador, céptico, um “velho do Restelo”, como também sou permeável à imagem é à forma como interiorizamos a informação, coloco em causa se por vezes não sofrerei de miopia social… li atentamente o “artigo” e posteriores comentários…
    Esses comentários ajudaram a ficar mais esclarecido?
    Não!!!! Definitivamente não! E opiniões são isso mesmo, umas consideramos perfeitamente despropositadas e inconsequentes, outras válidas numa perspectiva mais emocional ou mais coerentes e racionais…
    Ao tentar manter uma visão fria, distante emocionalmente, os prós e os contras, de forma a avaliar a factualidade de forma isenta e despida de preconceitos… dou por mim a ter a sensação de até agora ter-me limitado e tão só a “encher chouriços”.
    Cairei no mesmo erro de comentários anteriores, opinativo e talvez contraditório, consequente da bipolaridade radical e fracturante do tema contraditório.
    Nós, os Portugueses, desde sempre fomos um Povo de emigração, navegadores, da diáspora, da busca de melhores condições de vida ou até da avidez da “corrida ao ouro”…
    A nossa Diplomacia deve ser coerente e defender, com o mesmo discurso, os Imigrantes e os Emigrantes…
    Devemos como País com uma mini industria, transformado em prestador de serviços e virado para o Turismo… demonstrar o nosso lado hospitaleiro, a nossa dimensão humana e multi cultural, a nossa tradição de aceitar ou tolerar diferentes formas de estar e sentir, mas…. Sim, “MAS”… demonstrar de forma inequívoca que aceitamos a diferença sem tolerar e aceitar qualquer “atentado” à nossa forma de estar por mais diversa que ela seja…
    Nós Portugueses demonstrámos sempre a nossa capacidade de adaptação às vivências e costumes dos Países que nos acolheram… “exigimos”, dentro da nossa “casa” , sermos tratados com respeito pelos nossos “hábitos”. Bem-vindo quem vier por bem e para adicionar algo à nossa forma de estar e a quem aceitar as nossas regras: Identificação de todos os que acolhermos, integrando e dando a possibilidade de poderem retribuir o acolhimento num País minimamente pacífico e com diversas carências… A vida é mesmo assim, nada poética, não há “almoços grátis” e todos os que querem receber, também devem contribuir… Não serão muitos a quererem vir para cá… sobretudo os “oportunistas”… mas todos deverão estar elucidados que por cá existem “nativos” que estão longe de terem uma vida condigna… e para “malandros” já temos a nossa quota parte…
    Avisem-os que temos uma “esquerda” confundida… apoia o Syriza mas faz oposição ao governo que manifesta o acolhimento de refugiados… acusa a Alemanha de xenofobia e ao mesmo tempo critica a abertura ao acolhimento de uma grande quantidade de fugitivos de guerra…
    Uma esquerda caviar com receio de partilhar as sardinhas…
    Por último, avisem os possíveis infiltrados terroristas… orgulhosos dos seus CV… que cá em Portugal… até para Taxistas serão considerados uns “meninos”…
    Bom descanso e fiquem em Paz!!!!

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    1. Belas palavras que enriquecem e engrandecem o debate que aqui e por aqui se gerou! Muito, mas muito obrigado por mais uma perspectiva ponderada e pensada!! Vale a pena escrever para depois debater um tema assim, seja aqui, numa conferência ou onde quer que seja! A lisonja que sinto é demonstrativa do impacto que este texto está a ter! Os comentários mostram isso mesmo… Que não é um tema consensual, que não é um tema simples e fácil de debater, e que, sobretudo, o mesmo não se gosta nas minhas palavras ou nas de quem quer que seja! Obrigado Jose

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  26. Todos nós temos o direito a ter a nossa opiniao pessoal, mais ou menos fundamentada, que reflita os nossos mais egoistas interesses. A questao que se coloca aqui é porém uma questao politica e socio-economica, e nao o simples reflexo da nossa sensibilidade para os olhos de uma crianca, ou a impressao digital da nossa xenofobia e racismo. Eu nao me oponho à migracao economica (perdao, é disto que se trata) de refugiados na Europa. Nao creio que tenha um impacto positivo em larga escala como se verificara num futuro a curto-medio prazo, mas tenho a capacidade de compreender e aceitar que o ser humano tem o dever e moral de ajudar em situacoes de crise. Eu, tal como a maioria dos Europeus. A mesma Europa que é hoje massivamente apelidade de xenofoba pelos países do Golfo, os mesmos que aceitam 0 refugiados – a triste ironia. Mas uma vez mais, nem é esta a questao.

    As questoes que se prendem no fundo e que de facto me indignam (e me fazem tomar uma posicao claramente oposta ao que este texto tenta marcar afincadamente) relacionam-se sobretudo com a INCAPACIDADE de se compreender que nem todas as pessoas que oferecem alguma resistencia a uma abertura completa das fronteiras sao puramente xenofobos sem coracao. A migracao em massa que neste momento invade a Europa é no fundo a questao, uma questao que deve ser tratada com clareza por parte dos dirigentes politicos da UE. A falta de controlo na migracao É a questao. A pressao de tanto liberalista extremo que durante MESES nao soube sequer onde era a Siria É a questao.

    A nossa sociedade, a sociedade europeia, tem base em principios, em leis. Eu nao-sou-contra a entrada de refugiados na Europa, mas isso nao significa que eu seja a favor da abertura das fronteiras SEM qualquer controlo. Seguindo a mesma linha de pensamento – eu nao condeno a Hungria. Nós nao estamos a falar de um país com o qual fazemos fronteira, de pessoas que precisam urgentemente de entrar no nosso país, de fronteiras que precisariam urgentemente de se abrir para salvar essas mesmas pessoas. Falamos de pessoas que se encontram a milhares de kms do seu país, que atravessaram inumeras fronteiras. Quantos destes migrantes nao esteve os ultimos LONGOS meses na Turquia em grupos dos que tencionava firmemente entrar na Europa ? Porem hoje, exige-se uma continua entrada-saida de cada país que atravessam. As mesmas familias de criancas e bebes pelas quais muitos olhos choram e que fazem manchete em inumeros jornais, sao as mesmas que apresentam ZERO documentos de identificacao. Porque ? Porque todos nós sabemos que a realidade dos refugiados sirios se traduz por uma migracao do Paquistao, Iraque, Afeganistao, mas todos nós decidimos fechar os olhos a toda esta problematica porque decidimos saltar neste bandwagon de chamar racista a toda a gente que tente racionalizar esta situacao. Justifica-se cada caso ? Tem a Europa obrigacao de acolher todos estes migrantes economicos ? Tem Portugal a obrigacao ? IDENTIFICACAO de quem acolhermos é o ponto-chave. Respeito pela cultura de que acolhe, pelas regras de quem acolhe, é o ponto chave. Se algum humanista me explicar porque nao pode um refugiado esperar 1, 2 ou dez ou TRINTA dias para transitar do pais X para o país Y na Europa, eu agradeco. E obviamente argumentos como “somos todos Humanos” nao sao validos.

    E finalmente, é obvio que esta migracao em massa so abrira as portas para mais emigrantes o fazerem. Eventualmente as fronteiras fechar-se-ao, eventualmente o mais puro sentimentalista que hoje brada que o Portugues é “racista, ignorante, alarve” compreenderá que esta nao é a solucao e que a nada levou. Esta é uma questao que precisa de informacao, e a informacao nao se prende por ler o The Guardian, ver fotos de criancas com bolhas nos pés, espreitar o twitter ou dar uso ao hashtag da moda. Esta é uma questao cuja resposta nao é preferivel so porque a pessoa que a responde é um bom menino e tem na boca o coracao.

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  27. Parabéns Martins pelo seu tento. ..e mt triste e doloroso ver o k esta acontecer n siria.bao sei cmo pexoas conseguem ser tao intensiveis ao ponto de condenar a abertura d exes refugiados nos pais k podem ajudar…e facil dizer nao kd nao estamos a Passar por ixo. Vou dar um exemplo sera k axaram justo n tempo colonial virem envadir a africa e fazer d escravos as pexoas d akelas terras ? As pexoas Sao insenciveis so pensam n proprio umbigo …pa mim os animais conseguem ser mais fiel k um ser humano.parabens pelo seu lindo testosterone

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  28. Muitos parabéns pelo texto, Martim! Expôs uma perspectiva com a qual me identifico na totalidade! Há anos que me atormenta o fenómeno “cro-magnonista” em tempos ditos avançados. Um total paradoxo que deixo às ciências neurológicas responder. Gostaria, apenas, de dizer que uma mulher portuguesa tem mais probabilidades de ser brutalmente assassinada às mãos do marido ou ex-marido do que por um refugiado sírio! “Ao menos foi morta por um dos nossos!”, muitos dirão…como se estivéssemos extremamente seguros entre “os nossos” (seja lá o que isso signifique…).
    Parabéns mais uma vez.

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    1. Grande depoimento e eleita a frase do dia!!! “Uma mulher portuguesa tem mais probabilidades de ser assassinada às mãos do marido do que por 1 refugiado sirio!!” Top!! Obrigado pela comentário, pela leitura do texto e pelo enriquecimento do debate! Um enorme bem haja

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  29. Muitos parabéns, Martim! Não achei o teu texto nada confuso, aliás, achei-o um verdadeiro tributo. Foi informativo na altura certa, sensitivo no timing certo, sarcástico e irónico q.b. Foi, sobretudo, sentido e verdadeiro. Verbalizaste aquilo que eu e muitos pensam sobre o assunto. O maior inimigo de uma Democracia, da Liberdade e da Dignidade é, precisamente, a ignorância. Escolher ser ignorante é a maior bofetada que alguém pode dar numa civilização moderada e tolerante. A memória curta também é uma verdadeira merda e aqui, em Portugal, sofre-se de uma espécie de amnésia de massas. Num país que viveu mais de 40 anos de Ditadura e que viu milhares fugirem e pedirem asilo político a outros países que os receberam, parece-me que, além de xenófobo, devemos incluir: hipócrita. Do mesmo modo que também somos um país de emigrantes. Em cada esquina do mundo, há um portuga. Um portuga que, antes da liberalização das fronteiras da União Europeia, atravessava ilegalmente as fronteiras, iam de “assalto” (tipo “esses refugiados”), não fugiam da guerra, nem da tirania, nem da violência, ou violação, fugiam à procura de melhores condições financeiras. Fugiam sem saber ler, ou escrever, ao contrário “destes”, portanto, além de xenófobo e hipócrita, juntemos incoerente e… vergonhoso. E não. Não somos 11 milhões, somos 9 milhões e uns trocados. Num país de velhos e inactivos, num país desertificado e abandonado, Num país sem crianças. Haverá coisa melhor do receber gente trabalhadora, letrada, com vontade de viver e aproveitar, com crianças, com esperança, mas, sobretudo, com um eterno sentido de agradecimento? Para que as aldeias abandonadas ganhem vida, para que as escolas reabram, para que o ensino se requalifique… Falta-me juntar à lista, portanto, a palavra estupidez.
    Por fim… os estigmas e os mitos urbanos também são uma merda. É suposto termos que escolher? Escolher entre “salvar” os europeus pobres, ou “salvar” pessoas que fogem da Guerra? Não entendo esta lógica. Eu escolho ser boa pessoa. Escolho ser solidária. Isso é que deve ser a nossa escolha… Lá cabe tudo. Ajudar os europeus pobres e ajudar quem arrisca a vida, na esperança de ser livre. Obrigada Martim.

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  30. Texto de grande e lúcida solidariedade… espantoso… SÓ!
    Li tudo, texto e comentários… e a perplexidade foi aumentando, de “cima para baixo” !

    A reter, e cito:
    ««Os portuguesinhos que agora se revelam racistas, intolerantes, despóticos, alarves, munidos de uma sabedoria que assenta sobretudo nas opiniões dos outros e nunca, jamais, na própria cabeça, são os mesmos que se inflamam contra políticos, contra ordenados de futebolistas, contra tudo… fazendo rigorosamente nada que não… reclamar, injuuriar, criticar, ou seja, não fazendo absolutamente nada.»»
    (…)
    ««Tanta ignorância em tão poucos caracteres.
    Tanta alarvidade e tão pouca solidariedade.
    Tenho esperança no futuro da humanidade.
    Tenho esperança nas pessoas, nos homens, nas mulheres e sobretudo nas crianças.»»

    Um coisa, para mim, é certa… hoje vai ser mais uma noite mal dormida!

    Obrigado pelo seu texto, “martimmariano”

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    1. Obrigado eu!!! Do fundo do meu coração! Acredite que todas estas palavras que tenho lido, na sua grande maioria, são motivo de 1 enorme orgulho pessoal e sobretudo fazem-me acreditar que o meu caminho é e será sempre este!! Um grande abraço e um enorme obrigado

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  31. Concordo com uma parte das opinioes relativas a humanidade e crianças mas, temos de ser lucidos e ver as coisas a longo prazo e convencermo-nos que; Se a Europa nao tomar medidas fortes (para nao dizer drasticas,) daqui a 50/70 anos a Europa virà a ser mariotariament musulmana e as nossas igrejas serao transformadas em Mesquitas. Isto nao é ser dramatico . é ser coerente .Na Syria os catolicos nao escedem 7% . Se nao concordarem eu coloco mais argumentos

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    1. Não concordo de todo com essa visão quase catastrófica. Mas respeito-a inteiramente porque é a sua opinião, porque procura fundamentá-la, mas que assenta em cálculos irreais baseados num surto migratório. É o mesmo que dizer que depois disso todos os cristãos serão chacinados ou então convertidos à força e os países mudarão de nome, as cidades mudarão de nome… Tudo! Não consigo ser catastrofista! Passei por 1 cancro, a catástrofe anunciada não faz parte dos meus pensamentos ou da minha forma de encarar a vida! Mas como somos todos diferentes, bom mesmo era que conseguíssemos aceitar e entender isso, que a divergência de opiniões só contribui para nos enriquecermos! Obrigado pelo seu testemunho e participação neste debate

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  32. JÁ dizia o outro sr: só queria 1€ (UM EURO) por cada pessoa que diz que devíamos ajudar os nossos portugueses necessitados. Conseguiríamos aqui uma bela quantia para portugueses necessitados!
    TUDO o que possamos faZer para ajudar os outros (aqui em casa ou na dos outros) serve para um mundo melhor.
    Era pararmos de olhar para o nosso umbigo….
    Obrigada Martim pelo seu contributo. Pelo menos no que respeita a sensibilização pelos que precisam de ajuda.

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  33. Não gosto do Título do post. Usar a palavra “sacanas” de refugiados para que atraia a atenção é típica da nova maneira de estar no jornalismo. Gostei muito do post, mas a palavra Sacanas está fora de contexto… não me venha dizer que é para chamar a atenção!!! Mude o título, pois ele revela o oposto do seu post. Zuzu Baleiro

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    1. Meu caro não mudo o título do post exactamente porque este é o 2º texto que escrevo sobre este tema. Leia o primeiro que perceberá o porquê dos “sacanas”… Não é para chamar a atenção. É pura opção minha e ironia meu caro Zuzu Baleiro. Nada de tentativas dissimuladas de chamar a atenção de quem ou o que quer que seja. Nem de tentativa de afirmar novas maneiras de estar no jornalismo. Muito lhe agradeço o seu comentário e

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