Casei a 4 de Julho e a 1ª parte da lua de mel foi em Nova Iorque.
É uma cidade incrível, gigantesca, enorme, alta, muito alta, tenho a certeza que foi sempre a mais alta da sua turma, da sua escola… Mas NY é igualmente imparável, irrequieta e destabilizadora, naquele sentido muito próprio da destabilização que atinge as coisas absoluta e incomparavelmente magníficas.
É uma cidade que merece muito respeito, admiração e reverência. Porquê?
Fácil. Porque é uma daquelas cidades lindíssimas que se tornam feias e infelizes, fruto da loucura e barbárie de um grupo de mentecaptos com propósitos de psicopatas, que deixam para trás um grotesco e hediondo número de mortos às mãos do flagelo de horror que marcou o final do século passado e marca o princípio deste em que vivemos: os “atentados/ataques de grupos terroristas” contra pessoas inocentes.

1. Foi na cidade dos sonhos de meio mundo
Sempre quis conhecer NYC. Tal como tantos milhões espalhados por este Ocidente fora, também eu cresci a ver as séries, os filmes, os desenhos animados, a ler revistas e livros, a ver fotografias e imagens na televisão e a imaginar o que seria um dia poder caminhar à sombra de um arranha-céus, de mão dada com ele, passear e brincar com os esquilos no Central Park, andar num Táxi amarelo, comprar um cachorro quente numa roulotte de rua, ler o New York Times, atravessar a Brooklyn Bridge a pé só para ir ver o Sol despedir-se do dia, sempre empoleirado nas costas da vista mais emblemática da cidade. IMG_3437 O sonho adensou-se precisamente a 11 de Setembro de 2001. Quando lá cheguei, ao exacto local onde tudo se passou, gelei, de verdade. Não o escrevo para que tenham pena dos americanos, escrevo-o porque foi exactamente aquilo que me acontceu. Senti coisas que nunca tinha sentido na vida. Arrepiei-me, emocionei-me, fui invadido por um mal-estar físico que se centrava e cingia à zona da barriga, do estômago que se embrulhou, que me nauseou momentaneamente, que me entorpeceu e me roubou as palavras, que me levou aos olhos o princípio húmido das lágrimas de revolta e tristeza. Porque todos aqueles nomes gravados naquelas pedras impressionam. Por outras palavras, o WTC consegue perturbar quem sente. E já se sabe que quem não sente não é filho de boa gente.

2. A localização e a dimensão do ataque
NY é, de muito longe e sem quaisquer margens que permitam a existência de dúvidas, a cidade mais conhecida de todo o mundo. Toda a gente sabe onde fica, a que país pertence, que tem arranha-céus colossais, uma estátua de braço esticado no meio do rio e ainda o Central Park. Ora, um ataque a este recanto idílico dos sonhos de meio mundo, fica para sempre na memória de quem, como eu, viu as imagens que viu, viu o pânico na cara de todos os que conseguiram escapar. Quando passeámos na zona circundante ao WTC, onde agora se erguem baixinho as duas “piscinas” que simbolizam as duas torres destruídas, e onde estão inscritos os nomes de todos aqueles que pereceram naquela fatídica manhã, permiti-me a mim mesmo fechar os olhos por uns instantes e imaginar (algo que não custa sequer 1 euro) o que terão vivido aquelas pessoas e o que terá vivido aquela cidade, naquela manhã, quando ainda mal abria os olhos… Creio que foi talvez o único atentado terrorista que magoou e feriu milhões de pessoas a uma escala planetária.

3. Somos mais sensíveis à destruição de coisas bonitaswtc
Parece-me que é mesmo e sempre assim. Causa-nos mais confusão ver morrer um Leão do que uma barata. Porquê? Um é lindo, felino, imponente e deslumbrante; ruge e assusta. Já o outro, pobre coitado, é só nojento e repugnante, um comedor profissional de cocó. Portanto. Quando morrem os dois, já sabe que o Leão tem honras de estado e barata é chutada para dentro de uma sarjeta, já que o que os olhos não vêem o coração não sente. (E não é nada fácil espetar com um leão numa sarjeta) Sendo Nova Iorque uma das mais belas e frondosas cidades do mundo, de uma forma geral, torna-se difícil que não haja de imediato uma tristeza empática e identificada com a dor e com a tristeza dos que a vivem de verdade.

4. Porque até a data é emblemática
911 (nine, one, one) – Número nacional de emergência nos Estados Unidos. 9/11 (nine, eleven) – designação pela qual ficou conhecida toda esta atrocidade, que, importa lembrar, não se cingiu apenas à cidade de Nova Iorque.

5. Porque deu a conhecer ao Ocidente o Terrorismo religioso e a Jihad
Creio que posso afirmar com toda a certeza, ou com uma elevadíssima dose da mesma, que até 2001 ninguém, ou muito pouca gente sabia o que era a Jihad Islâmica, quais os seus propósitos e fundamentos, o que queria alcançar e como o iriam fazer. A partir desta altura o mundo tomou contacto com uma nova forma de insurreição e de barbaridade, apoiada na violência extrema e sem limites, sem piedade, sem dó, sem misericórdia, sem qualquer respeito pela vida e com uma predilecção tenebrosa pela morte, quanto mais sangrenta e violenta, melhor.

6. A inesquecível onda de solidariedade…
Uma das coisas que gravei na memória foi a extraordinária onde de solidariedade que tomou conta dos Estados Unidos e grande parte do planeta nos dias e semanas que se seguiram ao dia mais negro da história americana.
De facto, e por muito triste que assim seja, o altruísmo, a entreajuda e a solidariedade são capacidades incríveis do ser humano e que aparecem nas alturas em que são verdadeiramente essenciais. Por todo o país prestaram-se homenagens aos mortos, aos feridos, aos desaparecidos, mas as que mais me comoveram foram, sem dúvida, as feitas em honra das centenas de bombeiros que morreram dentro daquelas 2 torres… gémeas.

7. O olhar perdido e confuso do presidente Bush
Outra das coisas que não se podem esquecer é o olhar perdido, confuso, desorientado, comprometido e alienado do presidente dos Estados Unidos, sentado numa cadeira de uma sala de aula de uma escola, enquanto um assessor, lhe “vomitou” ao ouvido que o país estava a ser atacado, que tinham chocado 2 aviões contra o World Trade Center, o símbolo maior do poder da economia americana, o Pentágono… Um cenário dantesco e impensável até à manhã daquele mesmo dia. Viver com a consciência de que se é intocável e ver, de um momento para o outro, essa intocabilidade ser completamente arrastada e espezinhada na lama não deve ser nada, mas mesmo nada fácil.

8. O dia que mudou o resto dos dias
Nada mais ficou igual. Que o digam os aeroportos, por exemplo. A escalada paranóica das medidas de segurança mudou a forma como hoje viajamos de avião. Ficamos descalços, só falta ficar em cuecas, não podemos levar nem 1 garrafa de água das mais mínimas, nem 1 perfume, 1 desodorizante, 1 iogurte, nada… que não seja comprado no Free Shop, que de free só tem mesmo o nome. Passámos a ser vistoriados, revistados, interrogados, fotografados, interpelados… Em resumo, deixámos de poder viajar sossegados. O mundo não voltou a ser o mesmo.
E foi assim em tantas coisas pequenas que, somadas, são coisas bem grandes.

9. Religião… sempre o mesmo Papão
Como já disse, depois do 11 de Setembro, o mundo não voltou mais a ser o mesmo.
Em primeiro lugar criou-se um conjunto de sofismas inacreditáveis que deformaram por completo o olhar ocidental sobre o médio-oriente. Passou a ser uma verdade quase incontornável no mundo ocidental que árabes, muçulmanos e islâmicos, e todos os que enverguem turbantes, barbas, olhos e cabelos negros são, todos eles, provenientes de uma gigantesca família de terroristas que querem conquistar o mundo e subjugá-lo às leis em que eles vivem…
Legitimou-se e justificou-se o ódio racial e o fanatismo religioso.
Passámos a viver com medo “desta gente”, a acreditar que todo e cada um deles é um potencial terrorista, que nos querem mal, que nos matam à primeira oportunidade ou assim que virarmos as costas. E é este o mundo em que hoje vivemos e educamos as nossas crianças. Um mundo de medos, receios, loucuras e loucos que exultam com os seus devaneios.

10. Aquela nuvem que pairou no céu durante semanas

911_NYCFoi algo que não me saiu nunca da cabeça nestes 14 anos e que dificilmente de lá sairá. A imagem da gigantesca nuvem de fumo que se via do espaço a envolver Manhattan e a baixa de Nova Iorque não se consegue apagar da mente. Uma nuvem de pó, gasolina ardida, fumo, detritos, destroços, morte e destruição. Dificilmente se esquece algo assim porque também, muito dificilmente, se repetirá outra imagem como esta

11. Infelizmente, os grandes também são atirados ao chão
Não tenho dúvidas em afirmar que o World Trade Center, símbolo máximo da opulência e imponência financeiras dos Estados Unidos eram de facto os arranha céus mais famosos do mundo, à data da sua destruição. Representavam a grandiosidade, a coragem, a arrogância, a confiança e a sobranceria do capitalismo económico americano perante todos os que ali chegavam e olhavam abismados para as duas irmãs de ferro e aço, altas como girafas de betão, que representavam também o “sonho americano”. Nunca ninguém pensou que as duas pudessem vir parar ao chão. E já se sabe que, os grandes, os muito grandes, quando caem, fazem-no com muito, mas muito estrondo.
E assim foi. O estrondo foi tal que o mundo não voltou nem voltará a ser o mesmo depois daquela demonstração de força e poder demoníaco, usado com um único propósito: espalhar o mal, semear o caos, provocar o pânico, o medo e o terror em terceiros. O 11 de Setembro foi muito mais devastador do que se possa pensar. Para além das pessoas que feriu e matou, aquele dia arrastou para o rio do medo, do temor, do desassossego, milhões e milhões de pessoas em todo o mundo.
É exactamente por tudo isto que não devemos esquecer nunca este fatídico e triste dia 11 de Setembro de 2001.

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2 thoughts on “11 razões para não esquecer o 11 de Setembro de 2001

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