A co-adopção de crianças por casais do mesmo sexo foi chumbada no Parlamento no dia 14 de Março deste 2014.
O documento previa a possibilidade de que um dos membros de um casal homossexual pudesse legalmente adoptar o filho do cônjuge (esta palavra não me entra…). Os deputados votaram artigo a artigo, mas a direita acabou por conseguir uma maior votação que a esquerda em cada um, o que levou a presidente da Assembleia da República a abdicar da votação final global. Assim, neste 14 de Março de 2014, Portugal escolheu ficar no minúsculo grupo dos que, na Europa, não garantem que as crianças (o ponto fulcral de toda esta historieta) que vivem com casais do mesmo sexo tenham os seus direitos garantidos e iguais às crianças que vivem com casais heterossexuais, ou ditos “normais”. Com a co-adopção pretende-se apenas garantir que uma criança criada por um casal gay não fica órfã, não é forçada a ir viver com os avós ou não é entregue por um tribunal a um lar caso o pai, ou a mãe biológicos morram. É apenas e tão somente isso que está em causa. Garantir que quem “cá fica” continue a cuidar da criança a quem chama filho.

Posto isto e porque sou formado em Educação de Infância, decidi fazer uma espécie de exercício criativo, onde me propus compreender, através dos olhos de uma criança institucionalizada, o que significam estas barreiras jurídicas que foram levantadas com o chumbo da co-adopção. Ora então aqui vai disto…

Sábado. 6h00 da manhã. O despertador toca. Toca sempre. Toca quer seja Sexta, Sábado, Domingo, ou outro dia qualquer. O pequeno-almoço, esse, é servido às 06h30, na mesma sala de sempre, de todos os dias, com os mesmos e as mesmas de todos os outros dias. Todos diferentes, todos iguais, todos eles ali vivem, porque não têm pais.
Todos eles têm de estar, impreterivelmente, a pé, às 06h25, em frente ao lugar onde comem todos os dias. Ao fim-de-semana, podem ficar de pijama, é a benesse dos dias sem escola. Tic-tac, tic-tac. 06h25! Contagem matinal da “prisão” em que vivem. Já houve quem fugisse (ai a fuga do Marcos…) e quem simplesmente não aparecesse, porque tinha adormecido noutro sítio qualquer com uma companhia qualquer.
O João tem 7 anos. Já está um homenzinho. Como se espera de toda a criança de 7 anos, anda na escola, pois claro. Numa escola pública. Ele, a Jéssica, a Maria, o Edi e a Marta. Todos eles vivem desde sempre, ou quase sempre, num Abrigo para Crianças, no centro do país (o nome não interessa para nada, não é sequer relevante). É um antigo palacete. Os últimos mil e duzentos metros fazem-se por um caminho empoeirado e ladeado por muretes de vegetação bem cuidada e emproada. À esquerda, do caminho, claro está, fica um pequeno e amedrontado lago, que parece chorar de infelicidade na passagem de cada pequenino barco, que, com os remos, lhe faz festas no pêlo, ou de cada vez que uma criança lhe atira uma pedra, na infindável esperança que a mesma lhe volte à mão que a arremessou.
De volta ao palacete que bem merece a visita. É grande, é enorme e muito, mas mesmo muito, bonito e superiormente bem cuidado. Está impecavelmente vestido num amarelo-torrado de veraneio, mas um torrado leve, não muito berrante, assim a atirar para o amarelo-torrado com amarelo-limão, dá para perceber? De mangas largas e folhos empertigados e brancos, à volta das janelas sorridentes à sorte dos tempos. Tem portadas verdes, pois claro, como o verde das árvores que o rodeiam e circundam e lhe trazem a luz do sol num rendilhado quentinho das manhãs de final de Primavera, quando já está aquele calor abafado, aquele bafo com som de mar, sabor de praia e cheiro de Verão. Depois tem uma entrada simples e convidativa, amistosa, serena como serenas são as linhas dos espaçosos degraus cinzentos e engalanados, que conduzem à porta de vidro por onde se entra no casarão. Porta essa que se deixa adornar e amavelmente empresta espaço às madeiras, pintadas de branco, que oferecem à porta suas pequeninas quadrículas de janela. Uma maçaneta dourada, uma campainha que se propaga pelos campos e montes e vales em redor e uma entrada impecavelmente florada… Não falta mais nada. Até o canteiro cheio de rosas rosadas e outras tantas encarnadas, brancas e amareladas, todas tão lindas, tão demasiadamente bonitas, como se às flores não se lhes fosse conhecido qualquer limite para a sua beleza e excentricidade, que roçam, não poucas vezes, a conjugação perfeita de balanços e equilíbrios. Que casa bem pintada, logo se pensa, quando se estaca de pronto na porta de entrada. Ao menos está bem maquilhada…
Tem um imenso manto verde bem cuidado e protegido, que lhe serve de tapete e que lhe dá a volta, dando voltas e voltas à volta daquela casa tão grande, tão forte. Árvores. Tem muitas. Tem várias. Altas, densas, ramadas, bonitas. Pouco se vê de fora, de longe então, é uma cegueira absoluta.
Com baloiços pendurados, pneus velhos sustentados por cordas fortes e entroncadas, pássaros que por ali assistem ao raiar de mais um dia que se prevê mexido como o são os Sábados naquela casa aburguesada que “guarda” uma das mais tristes realidades que pode tentar “guardar” na vida humana. A orfandade.
[Final da 1ª parte]

Com 23 crianças, entre os 2 e os 18 anos, esta é uma família enorme, fora do comum, em todas as variáveis possíveis, mas, sobretudo, em variáveis intermináveis. O João é o mais crescido. Já começa a perceber as coisas. É atento. Muito. Lê que se farta e não se farta de ouvir. Ouve com atenção as coisas que dizem os senhores da televisão. Está num abrigo. Há 5 anos. Uma vida para quem tem sete. Era pequeno demais, quando aqui chegou. Continua a ser pequeno demais para aqui estar. Às vezes, cansa-me e entristece-me que assim seja, que aqui estejam, que ninguém os pegue e os leve para uma casa de verdade, com uma família que os ame como se ama um filho, como tem de se amar um filho.
A escola é para o João uma “bênção”, mas, ao mesmo tempo, a mais bruta e cruel das confrontações a que se sujeita dia após dia. A escola é pública e o João está no seu 2º ano. Não precisa de apoio escolar, ou de falar seja com quem for, porque é esperto, perspicaz e vivo. Sabe que é diferente. Já percebeu que é diferente e, sobretudo, já entendeu perfeitamente qual é a diferença que o distingue dos outros. A diferença está nos olhos. Não nos dele. Nos olhos dos meninos que vão para casa com os pais, ou com as mães. Nos olhos dos avós. Não todos, mas muitos. Nem todos vão com os pais. Às vezes, quando não está a chover, o avô do Pedro traz a cadela, a Maguie, para brincar com os meninos, que depressa se esquecem da bola de futebol, abandonando-a ali, atordoada de tanto pontapé que esteve prodigiosamente a suportar ao longo dos últimos 20 minutos, e deixando-a escorregar lânguida para a sargeta entupida de folhas que o Inverno obrigou a rastejar pelo pátio da escola.
(De volta ao pequeno almoço do moço) O pão não sabe assim tão bem ao Sábado. Apetecia-lhe sabe lá ele o quê… talvez uma taça de cereais, ou os croissants de que fala a “sua” Teresinha, com doce de morango e sumo de laranja, feito mesmo das laranjas, numa máquina que tira o sumo de dentro das laranjas. “Caraças, quem me dera beber um sumo desses! Será que a Irmã Natércia tem laranjas cá em casa? A Teresinha diz que bebe aquele sumo de manhã, porque a mãe diz que tem vitaminas e dá energia. Também quero ter energia. Estou sempre cheio de sono. Pudera, a acordar à hora a que tu acordas.”
– Irmã Natércia!
– Sim, João – diz a responsável pela casa sem sequer tirar os olhos do feijão-verde que descasca impiedosamente há quase 2 horas. Tem de fazer a sopa para o almoço daquele regimento de Infantaria. Se eles acordam às 6:00, ela muito provavelmente, ou não se deita, ou acorda às três ou quatro da madrugada.
– Posso beber sumo de laranjas?
– Desculpa? – Pergunta ela admirada com a natureza da pergunta que lhe chega ao ouvido já meio surdo dos anos.
– Se posso beber um copo de sumo de laranjas. A Teresinha diz que tem vitaminas e dá energia. Posso? Vá lá…
– Que raio de ideia João, já viste se me ponho a fazer sumo de laranja para ti e os outros meninos todos também querem. Sabes quantas laranjas tenho de arranjar, para fazer sumo para vinte e três pessoas? Faz as contas João, faz as contas! Que ideia! Volta para a mesa, que te arrefece o leite e depois vem cá dizer-me que não queres o leite, porque está frio, que eu logo te digo.
Meia volta nos calcanhares, cabeça erguida e testa franzida. Ele vai arranjar alguma forma de beber um copo de sumo de laranja esta semana, dê lá por onde der. Nem que tenha de as espremer ele mesmo. Subitamente sente-se triste, sozinho. Quer estar sozinho. Olha para as outras mesas, para os outros copos de leite, para as caras de sono até à alma, as caras de todos os dias, dos amigos, dos companheiros, da tribo de meninos que não têm pais, que aqui e ali vão perdendo a esperança. Mas hoje é Sábado. Dia de visitas.
Roupas catitas, banhos tomados, perfumes e desodorizantes emprestados e partilhados, numa lufada de aromas misturados que se propaga pela casa, que voa e sobrevoa todos os metros quadrados daquela manhã de Inverno, no centro do país. Muitos deles não têm idade para perceber a importância daquele dia. Com 3, 4 e 5 anos, uma criança não percebe que vai conhecer adultos que talvez consigam levá-la para as suas casas. Adultos, um homem e uma mulher. Às vezes vem só um deles, o outro tem vergonha e fica escondido. Não é nada fácil enfrentar o olhar puro de uma criança pela primeira vez e não deve ser nada fácil enfrentar pela primeira vez o olhar puro de uma criança a quem se vai chamar filho. Para sempre, se tudo correr bem. No meio de tudo isto, ficou ali o João. A pensar. Nas laranjas. Na Teresinha. Nos pais da Teresinha.
Entra o primeiro casal e o João nem se vira. Nem se mexe. Está ali como que petrificado a lembrar-se da conversa que teve com a melhor amiga, dois dias antes. Ela disse-lhe que era “segredo João. Daqueles que não podes contar a ninguém”. A mãe casou com outra mulher e o João ri, sorri. A Teresinha gosta mesmo muito dela. É como se tivesse duas mães, mas elas dizem que agora aqueles senhores do Governo, os que mandam em tudo, não deixam que a outra mãe dela, também possa ser mãe, porque não é um homem (mas um homem não pode ser mãe? E uma mãe pode ser pai?). Então, se acontecer alguma coisa à mãe da Teresinha, a outra senhora que também é mãe, não pode cuidar dela e a Teresinha vem para um Abrigo como este!?
E as laranjas. Onde vai ele arranjar as laranjas? Como vai ele ajudar a Teresinha? Será que algum dia ele vai ter pais também? Porque é que a outra mãe da Teresinha não há-de poder chamar-lhe filha? Que parvoíce. Que estupidez. Se acontece um acidente daqueles em que o carro fica de pernas para o ar, a deitar fumo, a Teresinha fica sozinha, como eu? Porque é que os senhores do Governo e da Assembleia da República não gostam da outra mãe da Teresinha? Porque é que não me deixam ter uma família? Só de pais, ou só de mães, quero lá saber. Só quero uma família. É mais do que tenho agora. Ninguém quer saber se tenho frio, se tenho sono, se tenho fome, se tenho boas notas, se quero sumo de laranja. Quero ter um quarto para mim. Com o meu nome na porta. Quero ter tudo assim como tem a Teresinha. Como têm as crianças felizes. Até nos livros das histórias há sempre famílias. Porque é que eu não posso ter uma? Porquê?
[Fim da Segunda Parte]

11h30 e entram em casa dois homens, simpáticos, de mão dada e trazem um menino, também pela mão. A irmã Natércia faz uma cara estranha, mas acaba por sorrir ao fim de uns segundos. Eles chegam junto de mim e um deles, o mais alto, agacha-se à altura dos olhos do João e pergunta-lhe:
– Como te chamas?
– João. E tu?
– Pedro e este é Afonso (puxando a mão do pequenote que viera com eles). Afonso cumprimenta o João, diz olá.
Aperto de mão para aqui e para ali, logo o João trata de pôr o Afonso à vontade, que lhe pede para ir ver o seu quarto. O João hesita. Não tem um quarto dele. Com os seus próprios brinquedos e gavetas cheias da sua própria roupa. Tem antes um armário com uma prateleira identificada com o seu nome e uma cama decorada com a mesma intenção. Os olhos colam-se ao chão. Os nervos são muitos. O João começa a ficar ansioso com tanta visita. Está farto. Cansado. Só quer uma família e não percebe porque continua a ficar ali. Todos os Sábados. Gostou muito de conhecer o Pedro e o Afonso. Sente que eles podiam ser o seu pai e o seu irmão. Que as suas tardes podiam ser todas elas com aquelas duas personagens e com o Manel que está a falar há mais de meia hora com a irmã Natércia. E com a Teresinha claro. Acaba a hora da visita e aproxima-se a hora de virarem costas uns aos outros e de sonharem todos com o mesmo na noite que se aproxima a passos largos. Está calor.
– João. Vamos tentar cá passar no próximo fim de semana.
– Está bem… Já vi este filme. Agora não botam cá os pés. Nunca mais nesta vida.
A noite não corre bem. O João faz xixi na cama. O Afonso também. O João tem pesadelos horríveis. Com um incêndio na casa. Todos morrem e ele fica ainda mais sozinho na vida inteira que tem pela frente. 7 anos não são nada. Acorda a chorar convulsivamente e, a alguns quilómetros dali, a mesma coisa acontece com o Afonso e o Pedro e o Manel… Estão estranhamente ligados.
– Ele tem de vir cá para casa. Não pode ser de outra maneira. Ele vem. Ponto final. Abraçam-se, aninham-se e a voltam a adormecer. O Afonso saltou para a cama deles entretanto. No entanto, há aqui um espanto. O Pedro e o Manel têm direitos distintos. O Pedro é o pai. O Manel, o companheiro. A mãe do Afonso morreu sem deixar qualquer família. O Manel só quer perfilhar, co-adoptar o Afonso. Portugal não deixa.
Na semana seguinte, fica tudo tratado. O João tem o quarto preparado. Roupas novas. Mobília moderna. Livros. Amor. A cama do Afonso ali por perto. Passam a ser irmãos. Passam a ser quatro. A felicidade invade-os, como nos invadem os olhos as cores da Primavera e o calor fresco do Verão. No fim-de-semana seguinte, eles lá estão. Prontinhos para adoptarem o João. Ele, ali está, malas na mão. Roupita lavada. Vida arrumada e olhos arregalados no futuro. Será melhor? Será o que tiver de ser, mas será qualquer coisa, em família. Um adeus emocionado a todos que aqui me vou.
– ADEUS!!
Aos que ficam renova-se a esperança de ainda conseguirem ser felizes na infância que se quer sempre assim, feliz. De serem felizes no tempo em que tem de imperar a felicidade e não a ausência de tudo e alguma coisa. No tempo em que é deles o mundo e nos cabe a nós, adultos, esses seres tão iluminados e sábios, tornarmos a sua vida melhor, em todas as formas possíveis.

Não quero, de modo algum, menosprezar tudo o que é feito num abrigo, num Lar, ou numa Casa, mas todos percebemos que esses são espaços propositadamente criados como soluções, medidas para evitar que a situação seja ainda mais dramática, triste, injusta e imerecida. Criança nenhuma devia passar por tudo o que passa aquela que cresce sem pais. Sem uma família que não aquela que lhe “conseguiram arranjar”, quando a salvaram da desgraça do abandono, ou da orfandade. A normalidade, essa, há muito que se diluiu. Quem tem afinal o direito de decidir sobre algo desta dimensão? Podia ser assim, não podia? Mas não é. Não é e não vai ser. O meu país continua a não querer. Apresenta-se agora como o país que vetou a co-adopção. Talvez se orgulhe, como se orgulham o Ruanda, a Somália, a Etiópia e aqui mais perto, a Rússia, a Roménia e a Ucrânia, tudo excelentes exemplos daquilo que é o fenomenal funcionamento da democracia e do reconhecimento dos Direitos Humanos. Portugal volta a estar na vanguarda do humanismo.
No meio de tudo isto existe uma incongruência que não entendo: Porque é que os casais homossexuais podem casar, mas não podem co-adoptar, ou adoptar, ou ter uma vida com direitos conjugais iguais/idênticos aos do restante rebanho heterossexual? (esse sim, o rebanho de ovelhinhas brancas…) Se tudo muda e evolui, porque razão se insiste na incoerência de permitir mas só até certo ponto? Para além desta incongruência, está ainda a natureza da minha estupefacção. Porque é que nenhum destes senhores iluminados e cheios de poder, nenhum destes senhores a quem o “sistema” confere a magnânima posição de decisão e, sobretudo, o poder de legislar e decidir “como vai ser”, um lugar na mesa de Deus que lhes permite decidir a vida de tanta gente, porque é que nenhum deles se preocupa com o que deveria verdadeiramente importar num assunto que não devia sequer ter direito a discussão pública: o superior interesse das crianças! Como se pode chumbar algo assim? Não será esta mais uma forma de assinalar e acentuar a diferença? Como pode ser possível que se permita que uma criança se possa manter órfã de pai/mãe, pelo capricho ideológico de manter o “provincianismo de origem contrária à canhota”?
Não era dos adultos que se falava e se tratava, mas sim de possibilidades oferecidas a estas crianças, em particular. No entanto, esta “Gente” acha sempre que sabe tudo, que eles, sim, sabem o que é a vida e como e em que moldes ela deve e tem de ser vivida. Depois, vejo autênticas barbáries escritas por mais gente que tem o poder de escrever para o público, em sítios de leitura massificada, gente essa que, enfim… Perdoai-lhes Senhor, que eles não sabem o que fazem…!
Talvez um dia consigamos perceber que os pés não são para dar tiros e que adopção e co-adopção não são temas para discussão em praça pública. Estamos a discutir o destino de muitas pessoas. Não é o presente, é o futuro. Estas crianças ficam marcadas a sangue. Para o espaço público devem ficar reservados temas que merecem verdadeiramente a opinião de toda a Nação. O BPN, o BPP, as PPP, os submarinos, as obras públicas, os estaleiros, os aeroportos, os estádios, a corrupção, a fraude, as multas dos milionários que prescrevem e os velhotes condenados por roubo de pão, não a vida das crianças e das suas famílias, ou da possibilidade de virem a ter uma família. Sobretudo, não pode ser esta lógica subvertida a decidir todo o curso de uma vida, porque quem o decide e determina, acreditem que sim, está a fazê-lo de forma totalmente irreversível.

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