Dia mundial da luta contra… ti!

cancer (2)

Pensavas tu que já te tinha deixado em paz e no teu cáustico sossego?! Naaaaaa, enganas-te. E esse é aliás o mais puro e pérfido dos teus enganos, pensares que as pessoas te deixam em paz ou acabam por se esquecer da tua particular e sobretudo injustificada existência.
A quantidade de dias nacionais e dias mundiais que se assinalam em tua honra deve encher-te de orgulho não é?
Ainda agora se assinalou o maior de todos eles, mas levou-me ainda um tempinho a pensar no que poderia eu fazer para não deixar passar em claro uma oportunidade mais do que soberana para te dirigir umas palavrinhas, carregadinhas de toda a ternura e meiguice que tenho para contigo.
Deves refastelar-te nessa tua injustificada e ignóbil condição, julgando-te muito especial, pois olha que não és, de todo. Não passas daquilo a que nós, as pessoas, chamamos de um completo atrasado mental e um filho de uma grande… Meretriz.
Na verdade, Nós, teus servos e sobretudo teus hospedeiros, que te convidamos tantas vezes para o banquete das nossas vidas, numa espécie de surdina mortal, somos seres ambíguos que não temos por ventura sequer a noção do quão estranhos te devemos parecer.
Talvez seja mesmo por isso que te dedicas com tanto afinco a explorar todos os cantos dos nossos frágeis corpitos, talvez seja por isso que invades todos os becos das almas de quem beijas sem licença, com candura e indecência, numa tentativa clara e desavergonhada de nos roubares a bravura, de nos subjugares à força imensa do teu poder, que tantas vezes só conhecemos nos males dos outros.
Tens uma forma estranha de te abeirares das pessoas.
És, mais do que outra coisa, muito desajeitado e trapalhão.
Dir-se-á em tua defesa, que por ventura não tiveste tempo de aprender as boas maneiras e os bons modos condizentes com a grandeza cruel daquilo que representas e com a dimensão universal que comportas.
Afinal de contas devias ser um exemplo para o resto da merda que no mundo impera, mas não, em vez disso és completamente associal e sobretudo dono de uma insensibilidade a todos os níveis inacreditável.
Foste remetido a um abandono quiçá precoce, e possivelmente terá sido isso que despoletou em ti a raiva e a inegável falta de bom senso que tanto te caracterizam.
No fundo mais não és do que o produto final de uma infância inexistente e de um propósito de existir absolutamente deprimente. Até a tua mãe te abandonou.
Não riste, não brincaste, não caíste, não te sujas e com toda a certeza que nunca te apaixonaste. Ninguém gosta de ti, ninguém nunca gostou de ti e nunca poderá sequer ser possível que alguém venha a gostar de ti.
Mais não é do que o castigo óbvio e mais do que merecido para alguém que se dedica, noite e dia, faça chuva, sol, neve, nevoeiro ou outra coisa qualquer, a atormentar a vida das pessoas em que toca, sem direito algum a tocar em quem quer que seja. No mundo dos homens isso poderia custar-te caro, sabes? No entanto, tens a capacidade resiliente que caracteriza os monstros e que os torna tantas vezes, aparentemente, indestrutíveis, inalcançáveis, in… tudo!!
Ter um dia mundial que luta contra nós não deve ser coisa boa de se sentir, ou de se ter.
Está bem, és mundialmente conhecido e depois? A SIDA também o é, a FOME idem aspas, a POBREZA ganha-te aos pontos na simpatia, e tu… vales zero.
Ninguém te suporta, ninguém quer sequer ouvir falar do teu nome, do que provocas em quem tocas. Já paraste para ver bem aquilo que consegues fazer às pessoas? Pessoas essas que nunca te fizeram mal algum, que nunca sequer te dirigiram a palavra, o olhar, o pensamento, nem num momento de maior tormento. E qual é a tua resposta perante essa conclusão?
Paciência que vão ter de me aturar. Vim para ficar. Quem não gostar não tem grande remédio a não ser… acreditar e aguentar. E o homem aguenta, ai aguenta aguenta! Nem tu sabes onde te foste meter.
Despeço-me dizendo-te que espero sinceramente que morras. Não se deseja a morte a ninguém, mas tu… a tua pode-se. E atenção que não te desejo nem metade do sofrimento que provocas em nós, homens, mulheres e crianças, desejo tão somente que morras, de uma vez por todas, que vás para onde foram as pestes e que nem elas te emprestem as vestes, para andares nu e envergonhado com o que sobrar do teu reinado.
E olha só a definição simpática que nós os portugueses arranjámos para ti:
CANCRO – Tumor maligno de origem desconhecida, com tendência a destruir os tecidos vizinhos e a disseminar-se.
Que tal? Fica-te a matar! Morre de uma vez por todas porque aqui ninguém te vai recordar, ou chorar a tua morte.
Vai sim assinalar-se eternamente o dia do teu fim, com festas e arraiais, festarolas e festivais, e outras coisas que tais.
E de ti, ficará para sempre a lembrança de uma das mais horrorosas pragas que Deus permitiu que ao mundo chegasse, ainda falta vir quem Lhe pergunte onde estava com a cabeça…
No fundo não há quem te esqueça e menos ainda quem te mereça, razões mais do que suficientes para que não se peça que desapareças.
Não há pois, em todas as tuas distintas formas e máscaras, uma que justifique sequer existir, uma que mereça que dela se fale, uma que se elogie, se distinga, nada, mais insignificante era impossível, no entanto, nada de ti é mais do aquilo que em nós te deixamos ser. Do corpo tantas vezes te apoderas, mas da alma, dessa, não sacarás um sopro que seja, não encontrarás nada que se veja, pois num bolo nunca sobra a cereja e alma é o último bastião de um homem e de homens, de homens não sabes tu nada.
Por isso, meu menino, boca calada.
Tu aí, nós aqui. Tantas vezes em nós entras, por ali ficas e te alimentas, mas sais de mãos vazias, com as ideias mais frias e frustrado, acima de tudo isso…
Reza para que os dias do teu fim não sejam nem de perto semelhantes aos dias que dás a muitos, a tantos dos que roubas à vida, sem permissão, sem… sem… sem vergonha!
Um dia, um dia será dia.

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