Eusébio, Hércules e os Homens

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O Homem é uma coisa meio esconsa e desconexa, meio espirrada, sobretudo uma coisa meio perdida em frases de quase nada. O Homem é fraco, cada vez mais fraco, e depois é o tipo de gajo que vai na onda… Venha cá, não tenha medo, não se esconda! O Homem é frio, é vazio, não se tapa quando tem frio, é estúpido. É isso! E ridículo! Pois! E a inacreditável leviandade de quem dita, assombra e mais do que isso, irrita. E olha, já lá vem o Hércules, o bruto, nervoso e astuto, fisgado, irritado, nervoso e chateado, pronto para lembrar Portugal, que nesta segunda-feira, o princípio de uma semana inteira, que a vida não cessa, é assim e no fundo pouco mais interessa, e que a gente vai continuar, enquanto houver estrada para andar.
É importante lembrar, é importante gravar e recordar, mas é nosso dever o de aproveitar, de viver e aprisionar tudo o quanto possamos juntar, para desta vida um dia poder levar! E o que vai, foi a vida que se viveu, os beijos e abraços, os sorrisos… e as lágrimas que tantas vezes lá estiveram, os copos que se beberam e os pratos que se comeram. As fotografias não tiradas e as palavras apaixonadas, essas levá-las-ei no peito, que podem sempre dar jeito, nunca se sabe como é aquilo lá no outro lado, não terei paciência para lá estar sentado, por isso olhe, faço aquilo que melhor sei fazer, vivo. Vivo e quero viver. Quero viver com as imagens que não gravo e as fotografias que não tiro, não edito e não partilho! Quero ter memória! Quero ser memorizado, decorado, lido e escutado, não quero ser Homem como são tantos, quero ser homem como o são uns quantos que conheço, é mais do que isso, quero e vou ser o homem que mereço.
Quando partem, guardo-lhes o que lhes reconheço, mesmo não sendo eu capaz … de me achar… capaz de achar coisas destas, guardo-lhes o nome! Porque podemos esquecer os Homens, mas as palavras, essas mesmas, o vento insiste em levá-las e depois, meio confuso, acaba por trazê-las de volta, já os homens e os outros também, quando partem, não voltam mais! Ficam as fotografias e as salas vazias, as memórias cheias e dessas, dessas não nos cansaremos nunca. Recordar é celebrar a vida, é gastar alegremente uma história tantas vezes repetida! O homem morre mais depressa se se lhe esfuma a memória! O resto? O resto é história. Cada um escreve a sua. Eusébio da Silva Ferreira, vais ter o teu nome numa rua. Quantos te invejam e mais não queriam do que ter tido uma vida como a tua? E quantos serão aqueles que vão passar na tua rua, sabendo mesmo que é tua? Espero que te dêem uma rua importante e não apenas uma travessa virada para um mirante. Ruas dessas também faço eu! Quem olhar para a placa com o teu nome terá de saber quanto o teu nome valeu, e eu, que sou de um clube bem diferente do teu, sei e saberei saber, que na rua que te há-de pertencer estará parte de tudo o que fizeste por um país que não era o teu, num tempo que não era o meu. Quem lá passar terá de saber aquilo por que passaste e tudo o quanto que entregaste a um país que abraçaste, ao patrão para quem trabalhaste, à bandeira que beijaste. Foste herói para muitos que te olharam com estranheza na tua terra portuguesa! Mais não sei dizer, a não ser, que hoje foi o dia em que partiu um escritor, daqueles que escreveu com os pés histórias de encantar milhões, de aquecer todos aqueles corações, oprimidos e amordaçados, de direitos forçados mas unidos pela paixão necessária do desporto. Só mesmo “a bola” para juntar ao televisor fosco, ou junto aos transistores avariados que só funcionavam com marretadas de lado, pessoas que nunca se viam, azuis, verdes e vermelhos, ali, lado-a-lado, rabiosque sentado, café esgotado e o salão abarrotado, cerveja a sair e a pulsação a subir. Vai jogar Portugal! Ou então é o Benfica que vai jogar outra final! Foi autor de tanto e de tanta coisa e esse lado partilhado é que é aqui lembrado. Lá vai a memória a caminhar com os homens, de mão dada, quase sempre calada, mas presente. Espero que seja suficiente. Adeus Eusébio. Caramba, a vida é de cristal e recordar nunca fará nada mal.
É isto que tenho a dizer.
Amanhã é mais um dia, mas não um dia mais. E tu, já sabes onde vais?

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