Ensino especial… mas pouco

Ensino especial… mas pouco

Portugal, segunda semana do mês de Outubro do ano de 2013.

Professores do Ensino Especial manifestam-se em frente ao Ministério da Educação contra a falta de condições nas escolas que funcionam segundo o princípio da educação inclusiva.
Centenas de crianças com necessidades educativas especiais continuam em casa, tal como estão os desempregados, os recém-licenciados, os aleijados, os doentes e acamados, os que não querem trabalhar e os que já não podem fazê-lo;
E se não estão em casa, estão então incluídas em salas que não as suas, com crianças que não conhecem e professores que não têm os meios, as competências e capacidades para os ajudar.
Mas onde é que isto vai parar? Onde?

A socialização é, para muitos destes meninos, a grande aprendizagem das suas vidas.
Aprendem porque vêem os colegas fazer e imitam, repetem, copiam, repetem, gostam, sorriem, são felizes, na escola, entre os semelhantes e os diferentes.

O que me traz à verdadeira pergunta no meio de tudo isto.

Se o ensino é especial porque não o são também as crianças?
Porque são elas tratadas de uma forma que de especial pouco ou nada tem?
Saberão porventura os ilustres governantes deste Ministério em particular e do outro, o irmão grande que os manda cortar, que estão a excluir estas crianças porque não arranjam forma de acertar na colocação de professores?
Já não basta o incentivo para que nos ponhamos todos a “andar daqui para fora”, a isso juntam-lhe o mal que fazem aos nossos pais e avós e somam-lhe agora a crueldade com que tratam os nossos filhos e irmãos.
Aprendi nesta ainda curta mas já rica existência que este tipo de actuações e práticas estão indubitavelmente associadas às organizações mafiosas… pois, a isso mesmo.
Agora pergunto-vos: e se fossem os vossos filhos, será que era assim que tocava a música?
Se chegassem ao colégio, aos Maristas, aos Salesianos, ao Sagrado Coração de Jesus e vos dissessem que um dos vossos filhos, o Bernardo, que tem trissomia 21, não pode ir à escola porque ainda não está preenchida a vaga para a professora do ensino especial e que também não tem terapeuta da fala… Mas os senhores estão a pagar um bom dinheiro por mês para terem o vosso filho em casa e ficam extremamente desagradados com a situação. E agora?
Agora vão ter de arranjar um(a) professor(a) e rápido! E começam as chamadas telefónicas.
Não sei o quê mas alguma coisa acaba por ser feita.
Não procuro respostas. Só queria que isto não fosse assim.

O senhor primeiro-ministro diz-nos que se ele e o seu Governo falharem o país falhará também. Se isto não é falhar… Então vale a pena lembrar que:

“É no problema da educação que assenta o aperfeiçoamento da humanidade”, Immanuel Kant
e que:

“A educação é simplesmente a alma de uma sociedade a passar de uma geração para a outra”, Gilbert Chesterton

Para estas crianças, especiais, com necessidades… especiais, a educação é a maior alegria das suas vidas, não retirem às crianças a infância, porque essa sim é, de longe, o que temos de mais especial.

Texto publicado no site do jornal O Público, na secção P3

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