Eu sei, e tu?

Admito a completa quietude que me respeita, porque espero dela algo mais e maior que o descanso por si só. 

Espero da quietude a sabedoria e a ela me curvo por larga simpatia.

Enebriado e acossado pelo bafo aquecido que arfa nas noites de verão, (ou será pelo bourbon envelhecido em casco de carvalho?) envolvo os pés no calor arrefecido das meias, que pela noite dentro me afagam terna e carinhosamente os dedos, esperando por novas directrizes e indicações. 
Digo-lhes nada, dou-lhes menos ainda.

Remeto-me à leve e quase burguesa sensação de presunção de sabedoria que me invade, nesta candura diáfana tão própria da madrugada e deixo-me estar sossegado, só assim, quieto, só a saber. Como eu sei. 
E, senhores, há tanto e é tanto o quanto eu quero ser e saber!
Quero. 
Mas quero que seja simplesmente com a vontade única de ser eu, de ser assim, de ser quem sou.
Costumava perder-me em gestos de carinho, ternura, meiguice e preocupação verdadeira para com a grande maioria daqueles que me circundavam nos dias e nas noites. Confundi noções, sensações, espaços e opções. Pensei coisas e cai da escada aos trambolhões.
Troquei as voltas e voltas das voltas já pouco redondas e olhei, acordei, para a profunda e (su)real dimensão dos mesmos. Zero!
Gente estranha que se entranha como um vírus, gente esquisita que me irrita e que se enrosca nas paredes da  necessidade e que ali espera e te ladeia, tão somente para te ouvir pedir por favor, para te vir dar de beber à dor, para te ouvir implorar em surdina.
Continuo por aqui a deixar-me ser e a saber, que é algo que tão bem faço. 
Sei o que eles não sabem, e quando sabemos, então aí sentimos e viramos costas à podridão, à pequenez, à completa insensatez.
Será que não vês os porquês ou pura e simplesmente passas e não te arrependes nem só uma vez?

E por pouco ou tanto assim deixei de ser para passar a ser, e meu caro, quando passas a ser para deixares de o ser mudas o paradigma e confundes quem julga que sabe da verdadeira dimensão do que está para acontecer. 
Não estás bem a ver.

Enganam-se, mas olha, deixa lá, não lhes ligues que são tolos, que de tão pouco que sabem e de tão tortos que são jamais se endireitarão. Quem tira a presa da boca do Leão? 
Não, não, não! 
Não há aqui qualquer espécie de confusão. 
Há quem faça da amizade um grande bastião ou um slogan de apresentação, preferível antes lembrar Kant que nos diz que “é no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade”. 
No fundo lidamos com bandos organizados de anormais mal educados.
Quando tiveres calçado os meus sapatos saberás por onde andei, mas nunca terás passado pela estrada que tracei!
Tem vergonha de ti mesmo, tem vergonha de abrires a boca para de forma trôpega deixares as palavras embaraçadas pelo uso que lhes dás!

Psssssttt, não vês que isso não se faz!
É preciso dizer tudo mesmo quando não há mais nada para contar. 
Isso, isso, vale mais pores-te a andar.
Eu fico. 
Do banqueiro ao escritor todos pedem por favor. 
Do padeiro ao professor com todos a coisa resulta, não há forma de contornar um pedido de desculpa.
Porque o homem ama, sente, chora, mente, finge ser constantemente uma criatura bem diferente, mas para um homem poder ser, cedo tem de perceber que a vida é muito mais, que a vida é bem maior, que não pode valer tudo para seres mais e maior!
Se não gosta, temos pena… 
Olhe,

 
que não deve doer grande coisa!
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