Escrever merda com amor

Transpiração. Criação. Perturbação. Dedicação. Saturação. Compreensão.
Não.
Nada disso.
Não é nada disto que quero dizer.
Não é nada disto que quero escrever.
Começa.
Não dá.
Não sai.
Não entra.
Não se aguenta e lamenta que a cabeça esteja lenta, adormecida, exausta e entorpecida.
E diz ele que quer ser escritor.
Por favor…!!
Está bem que o escritor bloqueia.
Está bem que a sua mente passeia.
Encontra e desencontra, perde e não encontra, inventa e acrescenta, apaga e rebenta, pelo menos tenta… Ou finge que o faz.
Ninguém te vê visto de trás.
Ninguém te lê!
Pronto, também não é preciso ficares assim.
Aceita as coisas de outra forma.
Que forma tens tu de ver vida, credo!
Que nem se quer se pode brincar.
Irra!!
O passeio da minha rua é esquisito e cheio de merda de cão.
Acho que é de cão.
Parece de cão.
Seja lá de quem for, uma coisa é certa, é merda!
São corridas de obstáculos para ir do banco partido do carro para o passeio merdoso.
Mas são sempre encantadoras as travessias merdosas até à porta do prédio.
E nisto se resume uma qualidade humana questionável mas sobretudo admirável.
É de facto notável que se possa retirar encanto da… merda!
Só posso querer ser escritor, ou então sou mesmo é estúpido… o que também se encaixa no elogio acima aromaticamente elaborado.
Portanto, quer com isto dizer ou acabei de descrever um encanto de merda ou foi simplesmente estupidez, seja como for se já cheguei até aqui por que não continuar?
Escrevo quando os outros dormem.
Penso quando os outros sonham.
Sonho coisas que ninguém pensa e penso em coisas que ninguém sonha.
Chego a casa e vou direito a ti.
Ver de ti.
Dormes pois claro, acordas cedo e eu… contigo me levanto, ainda que parte de mim fique ali onde estamos.
Já volto.
Metade de mim é o que escrevo.
Já a outra metade é a metade que não tem nada para escrever.
Olho para ti e os segredos da magia adensam-me o sorriso.
Que bom é pensar e sonhar contigo.
(schiiiuuuuu) Não contes a ninguém. Não gosto que saibam o que sonho, sou egoísta como sabes, mas como és tu, não tem mal, pois não?
Sabe tão bem contar-te os meus sonhos.
Às vezes tento escrever poesia.
Às vezes sai qualquer coisa, qualquer réstia de sinfonia métrica, que sustentada nas palavras contratadas se assume aos olhos sob a forma de um poema.
Há pouco pensei coisas tamanhas, enormes façanhas e sentimentos redondos.
Há pouco senti, como um murro no estômago, mas de sorriso valente, que o amor que te tenho me torna mais gente.
É tarde!?.
Eu sei.
Mas ainda não acabei.
Já nem sei tão pouco a razão pela qual comecei…
Mas deixa lá isso, pelo menos por agora, não vês que está vento lá fora e que a merda ainda está no passeio, e que dela ele está pouco menos que cheio.
Aqui dentro é limpinho. Não é?
É o cheiro do carinho, do cantar de um miminho que soa sempre tão certo.
É perto.
É grande.
Enorme.
Deixa-me que te conte a história do que vejo em ti.
Espera só um pouco que começa mais ou menos assim:
“Há não muito tempo atrás, ela, a rapariga, e ele, o rapaz…”.
Já chega. Conto-te o que falta ao ouvido.
Vai ser um dia comprido.
Deixa-te estar deitada.
Estou a sonhar não tarda nada e já te acordo, sim?
Beijo.
Teu,
Martim.
P.S – Merda!
Já é tarde e ainda não estou ao pé de ti 
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