A chuva já não lhe gela o rosto

Lisboa.
Duas da manhã.
Chove lá fora.
E Chove bem, em Abril, que é tempo de chuva, por isso, sem medos, chove para aí a ver se me ralo, tanto se me dá como se me deu.
E escusas de estar para aí a levantar a voz, não grites sequer que causas transtorno às pessoas,  que coisa, credo! 
Mantém-te aí na tua vidinha, que nós cá nos arranjamos.
Lá fora, o país despede-se agora de mais uma “época do 25 de Abril”.
Digo-o assim, porque cada vez mais há uma “época do 25 de Abril”.
Com o interesse mediático a ter cada vez menos interesse e a falta dele a ser combatida, no vasculhar da mais pequena possibilidade de quezília, com a agravante de que todo o país entra numa catarse profunda, cada vez mais melancólica, agravada pela débil e definhada democracia em que vivemos, Portugal lá vai deixando funesto o feriado, com que ainda conta e aproveita para fazer patuscadas, comida para o resto da semana, ou simplesmente para ver os senhores todos engravatadinhos e bonitinhos, com os cravinhos nas lapelas dos fatinhos, que bonito.
Enquanto isso, a Europa é novamente comandada pelos “mesmos” que destruíram, subjugaram e subverteram um continente, à conta do totalitarismo purificador de Adolf Hitler.
Muitos não sabem ou não se recordam disto, talvez porque não estejam informados, ou simplesmente porque isto em nada contribui para o melhor ou mais justo desenrolar e desenlaçar das suas vidas, mas foi a Alemanha, sim, a Alemanha, cujo exército não pode possuir armamento, que através de informações não confirmadas e não verificadas pelos seus serviços secretos, que convenceram os Estados Unidos, Inglaterra, França e Espanha, a famosa cimeira das Lajes, a invadirem o Iraque, que segundo os alemães, tinham armas de destruição maciça e estavam a deslocá-las, a construir reactores, bla, bla, bla.
Não está em aqui em causa a natureza robusta, dedicada, empenhada, esforçada, trabalhadora e cumpridora do povo alemão, está em causa, o mais importante, a Liberdade de um país perante outro, de um povo perante outro, de vários povos perante este outro.
E se o barco afundar, eles não querem saber de nós, não querem mesmo!
Ora, tudo isto, na “época do 25 de Abril”
Por estes dias, o assunto, que a dia 28 ainda dá que falar, é a propalada ausência de Mário Soares e Manuel Alegre, das cerimónias comemorativas.
Eu não fui e disso ninguém fala, pois é, malhar no Manel e no Marocas é que é bom, que é gente que enfim… A mim ninguém me diz nada. Muito bem mandadinho este povo.
E estava de folga nesse dia.
Vai buscar.
E agora?
Pois, uns são filhos outros enteados.
É o que dá a mania das mordomices.
Mas a mim a chuva já não me gela o rosto.
E a ti, gela cada vez menos.
E há liberdade na chuva que cai lá fora.
Há liberdade no olhar mais de perto, nos olhos que me olham, nos olhos que se molham e nas pestanas que falam, sussurram, comentam e dançam em coreografias tão rápidas quanto fantasticamente sedutoras.
Deus deu aos homens a sensibilidade na ponta dos dedos, e não o fez por menos, não o fez sem dúvida para que estes se ajavardassem e fizessem das mãos, rudimentares instrumentos de trabalho ou inúteis membros pendurados em corpos de anormais que não sabem o que fazer com elas.
Deus deu-nos a sensibilidade na ponta dos dedos, porque há experiências que as mãos devem ter, há sensações que estas têm de experimentar.
Como é bom estender a mão ao teu olhar.
Como é surreal perceber que o teu rosto se quer deixar aquecer.
Haverá nobreza maior do que a reverência com que as minhas mãos se encolhem, quando do teu rosto se dignam a aproximar?
Haverá liberdade maior do que a escolha do passo que se segue?
Há na chuva uma purificadora simbologia, que remete as almas para o diluir do que as tormentas da secura lhe trazem.
É como se na chuva se afogassem mágoas e tormentas e com os primeiros raios de sol que se lhe seguem, viesse a tão desejada bonança, já o diz o provérbio que é esta que se segue à tempestade, na vida, será a mesma simplicidade?
Os olhos meu Deus, que se rasgam e sorriem, que abraçam, que renovam, que se encantam e falam como quem chama por…
Tenho-me deparado tão simplesmente com algo que a minha avó me costumava dizer em pequenino…
“Filho, Deus tira com uma mão e logo a seguir dá com outra.”
 E na verdade… Sei lá já o que é verdade ou mentira.
Cansei-me de não saber já mais o que é o quê.
Fiz o que fazem os homens.
Fui.
Andei, andei, e por fim, feliz, encontrei!
Encontrei-te sentada no teu jardim. 
Só lá estavas tu… e eu… e à volta não vejo mais ninguém, não vi e não vejo.
Perguntei-me se alguém saberia que estavas aqui!? 
Com certeza que se se soubesse isto não seria um jardim mas sim uma manifestação.
Mas depois, com o passar dos passares, com o cantar das noites e o correr dos dias, percebi.
Não está mais ninguém, nem tão pouco vai estar, porque o lugar onde estou é sem dúvida o lugar onde quero e vou ficar e ai de quem me tentar daqui tirar.
Quando te falo e me escutas, as horas param, os sons também.
Não sei bem quem se cala primeiro.
Se a flor se o jardineiro.
Não sei e vou continuar sem saber.
Há liberdade no pensar e liberdade no sentir.
Há sem dúvida o ser livre para escolher quando e como partir.
Eu escolho ficar.
Ainda agora aqui cheguei e… P’Amor de Deus.. ainda nem sequer comecei!
A chuva não gela o rosto, mas molha-me a cara, ainda assim consigo ver, caminhamos num desalinho de gargalhadas leves e de mãos dadas, roupa encharcada, o rosto bem quente.
A chuva não nos gela mais, bem sei que não somos iguais, mas amar não sei bem o que é mais.
Chamo-lhe o que quiser.
Chamo-lhe aquilo que sinto.
E se de amor se fala, com que amor te cozes?
Falas do(s) que viveste e medes aquilo que sentes?
Errado!
Nada pode bater mais ao lado.
Vai pelo corpo não vás pela alma.
Vai pelo fogo que no fogo te acalma.
Segreda-me ao ouvido ou chega aqui que eu digo.
“Todos os sons soam de outra maneira
Quando tu vens.
Quando tu entras baixam todas as vozes”.
Avó, como é isso de Deus dar e voltar a tirar?
A minha professora diz que quem dá e volta a tirar ao inferno vai parar, isto porque eu tirei a borracha ao Pedro, depois de lha ter dado.
Que Deus não tenha sequer a coragem de o fazer, porque se pensar sequer nisso, bem que pode ir pregar para outra freguesia, que eu conto-Lhe das boas.
Em primeiro lugar deixo logo de me referir a Ele com esta coisa das maiúsculas.
E isso é só para começar.
É importante que os termos e condições fiquem logo definidos à partida, para a pessoa saber o que pode esperar.
A tua voz.
Era capaz de te ouvir por dias e noites e semanas e meses e anos sem fim.
Curiosa é a história da… e do…
Sim!
A chuva não pára e a noite não cai só para mim.
O dia amanhece, quem sente não esquece que a vida se vive assim.
  
 

 
 
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