Paz

Paz Do latim pace – ausência de guerra, serenidade, tranquilidade, sossego, repouso, silêncio, boa harmonia, conciliação, paciência.
A sensação de paz por si só remete-nos para uma sacralidade interior, que advém da relação judaico-cristã que recebemos e que nos “tolda” muitas vezes o pensar, quando na paz se pensa.
A Paz não é sagrada, é muito mais do que isso, respeitando, claro está, a grandeza da sensação.
Ter paz. Estar em paz. Deixa-me em paz. É possível ter alguma paz aqui dentro? Paz de espírito (lá está novamente o cristianismo). Paz d’alma. Paz interior. Fica em paz. Zás trás paz.
Todas. Diferentes e mundanas sensações, estados de alma, de consciência, formas de encarar a vida e o caminho que traçamos.
Neste momento aprecio sobremaneira o estar em paz.
É que é uma coisa absolutamente fiérica.
O sossego, a serenidade, a tranquilidade, a redução drástica da ansiedade quanto ao presente e ao futuro, o silêncio… O Silêncio. Companheiro de tantas horas e do dobro dos raciocínios lógicos e estapafúrdios, sensatos e descabidos, conclusivos e demasiados estúpidos para serem proferidos.
A paciência. 
Normalmente chega depois de cumprida a penitência e sobretudo, vem à boleia do tempo.
Aprendemos a ser… pacientes. A esperar pelo melhor momento, que é sempre o que está para vir.
A esperar pelo que te espera.
A aguardar sábia e pacientemente, desfrutando dos dias com o conhecimento de quem somos, do que queremos e para onde queremos ir.
Ás vezes é preciso sangrar e sarar, para que percebamos que ali não voltamos a cortar.
É de caminho que se trata quando da vida se fala.
É de certeza e confiança que se constrói a estabilidade e a paz.
A paz tem de querer e ser querida. Tem de ser sobretudo desejada, aceite e compreendida.
E de facto a leveza que o homem ganha é comparável ao andar de uma criança.
As crianças andam em paz, caminham graciosamente, correm como quem descobre o mundo a cada passo e queda.
E isto é-lhe “permitido” porque são seres desprovidos de maldade, de cálculo, de sofrimento, de compreensão desse sofrimento, de causa e consequência directamente provocável e infligível. 
Quando te sentes novamente bem, capaz, sereno, confiante, sério, tranquilo, solto, leve, caminhas verdadeiramente mais “depressa” e saltitas por vezes.
A felicidade advém de tudo isto. A felicidade do homem não pode passar por uma felicidade dependente de uma segunda pessoa. Temos de ser pessoas felizes para podermos fazer alguém feliz.
Temos, acima de tudo de saber quem somos.
O homem de hoje pouco ou nada sabe e a mulher é o exacto oposto do seu oposto.
Compete-se, luta-se, mata-se, lixa-se, engana-se, prende-se, controla-se, impõe-se, divide-se.
Não vivo aqui.
Não sou daqui. Estou cá para fazer algo mais, com toda a certeza presunçosa da minha afirmação.
Não posso vir a este mundo, mesmo tendo a perfeita noção da tremenda quantidade de sorte que tenho por fazer parte dos mais de 7 mil milhões de pessoas que VIVEM neste planeta, supostamente o único e eleito para conter vida inteligente, para ser apenas mais um…
Não foi para isso que aqui vim.
E não foi porque eu digo que não foi.
Olho para dentro dos meus olhos e vejo tanto e tanto mais, descubro que posso, sei que quero, confio que vou ser/ter, simplesmente porque sim. Porque vivo e ajudo a viver. Porque cresço e ajudo a crescer.
Porque na verdade há qualquer coisa de perfeito na loucura que só o louco percebe.
E deixem-me ser louco a cada dia, porque se for loucura a que vêm os meus olhos, então deixem-na estar, porque, por certo não está a estorvar ou a impedir a passagem, nem tão pouco estará a fazer confusão a alguém. É a minha loucura, é assim que vivo, que vejo, que olho, que cuido e protejo, porque nasci para o fazer assim. 
Cada um é para o que nasce e eu nasci para isto. Vá-se lá perceber, mas não vou com certeza contrariar os desígnios divinos.
Impõe-se discernimento, saúde mental, resistência, força, garra, empenho, o dobro dele, mais resistência, esperança, equilíbrio, jogo de cintura, viver.
Os tempos não são fáceis e não vão ser fáceis daqui para a frente mas a motivação tem de estar presente, o sonho tem de existir, no dia em que o Homem parar de girar, bem podem dizer aqueles senhores que trabalham no centro da Terra para deixarem de andar com o coiso à volta do ferro, que a Terra não precisa de girar mais e o relógio pode parar e as pessoas que façam como entenderem.
Sem sonhos onde vamos parar?
Não temos dinheiro.
Não temos trabalho.
Não temos… reforma.
Não temos subsidio de Natal… nem de férias.
Não temos quatro braços.
Vemos o país em pedaços, com cortes e Passos dados rumo ao não se sabe o quê, nem como, mas que é, será, supostamente, hipoteticamente, acreditando nestes senhores que são, de uma ordem suprema porque conseguem prever tudinho, algo bem melhor do que aquilo que agora temos.
A Europa cai aos pedaços, por entre guerras imperialistas disfarçadas numa (des)União a 27, onde manda 1, 2 querem mandar mais e os outros passam a vida a ver e a obedecer ao que estes senhores dizem, porque eles é que sabem e eles é que têm o dinheiro e isto e aquilo.
Ora, no meio de tudo isto, se não sonharmos a dormir, mas mais importante do que isso, se não sonharmos acordados, bem podemos deixar os braços pendurados, os cordões desapertados, os calções rasgados e o mundo ali ao lado abandonado.
Viver é sonhar.
É querer mais.
Melhor.
Mais forte.
Sempre.
Maior.
Mais completo e sobretudo, mais robusto, mais sério e mais real, adaptado, ao tempo, ao espaço ao passado resolvido e não trazido no regaço.
Quanto de um homem cabe numa mão?
Quanto do que sentes parece que te rebenta o coração?
Quantas vezes por dia ouves a mesma canção?
Em paz dizes tudo.
Em paz ouves e percebes, respeitas e esperas, falas e explicas, são conversas boas, mais ricas, compreendes melhor a ferida e a dor que transporta, percebes aos poucos como abres a porta.
Cansaço é não ter força para a chave rodar.
A tristeza não é percebida por todos os que o tentam fazer.
A tristeza só é compreendida por quem a aceita viver.
E viver a tristeza é um mundo que devemos conhecer, quanto mais não seja para que saibamos sempre que é o outro que temos de escolher.
Faz-te bem um pouco de sol.
Faz-te bem um pouco de noite.
A vida é a céu aberto e o asfalto mais não é que um negro deserto, amorfo, contínuo, perpétuo.
Vive, a perpetuação da tua vontade será sempre proporcional à tua pacífica liberdade.
Termino como se termina uma missa.
Ide em Paz e que o Senhor vos acompanhe.
P.S – Cuidado com isso do Senhor, que nos dias que correm, é preciso conhecer as pessoas.
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