Como se ama novamente? Lâmpadas de luz intermitente

A pergunta não é simples, a resposta?
Haverá sequer, uma resposta?!
Será alguém capaz de explicar se é ou não possível voltar a amar alguém depois de se perder um amor de uma vida?
Como será o amor depois da dor mais profunda, do luto, da tristeza indescritível, da descrença no presente e na incerteza no que está para vir, da sensação mais porca e imunda, mais dolorosa e profunda?
Eventualmente… será novo.
Eventualmente trará medo.
Eventualmente, estar-se-à mais preocupado com o que não se quer sentir, do que com o que se pode passar, ou onde se pode chegar!
Tentar outra vez depois de uma situação de choque, de ruptura, de quebra, de dor, é sempre complicado, envolve uma preparação psicológica tremenda.
Imaginem que sofrem um acidente de mota, de carro, ou qualquer outro tipo de acidente menos dramático, mas igualmente acidental, onde  partem todinhos(as).
Nos tempos que se seguirem será difícil enfiarem-se novamente dentro de um carro, em cima de uma mota ou oceano dentro, porque o medo de poderem ver repetido tudo o que já passaram é terrível, só a leve ideia de isso se passar novamente é totalmente assustadora, aterradora, dolorosa, angustiante, sufocante, desesperante, tenebrosa…
Como angustiante é a ideia de pensar em sofrer novamente, seja de que tamanho for o sofrimento em questão.
Porque o sofrimento também ele tem altura, peso e largura, acima de tudo tem volume, maior ou menor consoante o que se sente, e a certeza de que aquilo que foi, NÃO VOLTA NOVAMENTE!
E para se amar novamente, é preciso não ter medo de cair, ou fazê-lo a sorrir.
E Ele está sempre à espreita do fugaz deslizo da alma ansiosa pela compensação, pelo sorriso, pelo carinho, doçura, ternura, preocupação, companhia, protecção, alegria, pelas conversas de olhares de magia.
E como será que tudo se processa nessa altura?
E será, que ao menos dura?
Que vale a pena a aventura?
Será que a alma se segura?
Quem sabe que responda, se ao menos o tamanho da onda é proporcional ao da mão que me segura.
Se a sensação que se segue não é mais que uma aventura…
Se há quem seja, capaz de ser maior do quem beija, de ver além, o que aquém mais não causa dor. Pode responder por favor?
Do ventre sai a palavra, aquela a que chamam Amor.
E a mente que tudo sente, que não há quem tente, ou fique sequer indiferente a tudo o que vai vendo na frente, provérbio indefinido da gente, que deixa que a atormente, num paladino sentimento percursor.
Será tudo isto o medo eterno do Amor?
Quem não arrisca não petisca, já diz o povo sabedor. 
Os conselhos do povo, são eles de maior ou mais curto valor?
Ao imprevisto não resisto e de mim bem sei que nao desisto, por isso insisto e volto a pensar mais um pouco nisto.
Deito-me e não durmo.
Clássico.
Normal.
De comer até me esqueço.
Não é bom, pois não, pois então o que fazer com tanta incompreensão?
Onde chega o grau de aceitação da sensação que te foge da mão e te esventra o coração, te devora a razão e toda e qualquer outra racionalização.
Por entre filmes e documentários, livros, textos e outros tantos cenários, não se prova o seu contrário.
Que sim.
Que é possível.
Que o amor nos descobre e não o contrário.
Que também ele nos absorve e nos tira do armário.
Que na vida bem vivida, não há nada que não se consiga.
Crescente o sentimento que o assola, mesmo não sendo ele mais uma criança sentada no banco da escola, ou o pedinte que à porta do café pede esmola, no entanto todas as curvas de vida lhe conferem uma doçura perdida, que agora deixa brotar.
É vida que vive e emoção que lhe passa bonita aos olhos.
Pisca-lhe um deles e com o outro segura o vestido que eles alcançam.
Vai de sabrinas pequeninas, iguais ao número que seus os pézinhos calçam.
Tens medo?
Eu tenho.
Posso contar-te um segredo?
Gosto do conceito segredo, mas não pelo secretismo, antes pelo que envolve o dizer de um segredo.
Para mim um segredo é sentido e contado de leve ao ouvido, que chega a arrepiar.
Sim, é um momento privado de uma intimidade colegial, mas que reproduz, em tão simples gesto primordial, a natureza de uma ideia que se quer surda para os que estão à volta.
Lembras-te como soava? Lembras-te da voz que falava?
Agora não.
Agora reinventam-se as formas.
Reescrevem-se as páginas e pintam-se os rostos.
É com receio que trazes no bolso a palavra desgosto, que teimas em não embrulhar e deitar no “palavrão”(conceito por mim reformado e que pode ser assim utilizado como o contentor de todo o léxico estragado, ou impossível de ser reutilizado).
Mas com trejeitos de lembrança, mantendo por perto a pequena sensação de desconfiança que tem uma criança que sente estar a ser manipulada.
Sobrancelhas franzidas, palavras cuidadosamente escolhidas, não se quer por nada pôr álcool nas feridas.
Venham mais anos com fúria calorosa de viver.
Venham tantas mais coisas quanto a vida quiser oferecer.
Só pelo prazer de poder agradecer a quem tanto me ajudou a crescer.
O futuro?
Quando lá chegar, logo se vai ver.
Por agora dou e limito-me a viver e que bem que sabe sorrir sem o sorriso esconder.
Há sempre lâmpadas que se fundem mas que se voltam a acender.
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