Catarina!

O sumo espremido de um olhar é tanto mais que a simples proveniência da matéria prima.
Um olhar é, foi e será sempre, um olhar.
Não vale a pena perder-me em conjecturas romanescas e prosaicas que versem por entre o entrosado e emaranhado novelo do sentido, porque no fundo a palavra olhar, será e terá sempre um significado tão diferente e simultaneamente semelhante para cada um de nós.
Senti-o em Dezembro, no frio do Natal e voltei a senti-lo ontem, à noite, pois claro, que não posso ter vida noutras horas, que não as altas horas da noite.
Estavas linda, doce, meiga, ensonada, mas o que mais me despertou a atenção e novamente me prendeu a ti, foi a tua enorme e tão delicada curiosidade.
Queres aprender tudo, queres saber sobre tudo, e amaste, adoraste, ainda que actualmente não disponhas de todo o vocabulário próprio para te poderes explicar… esteve e estava tudo no teu olhar, no amoroso e singular olhar fixo com que me presenteaste, quando te dei a conhecer a textura e a temperatura de uma pedra de gelo.
Como derrete?
O que a faz derreter?
O que é… derreter?
A mão tem calor?
Vamos esperar para ver.
É o teu mundo.
O mundo das pessoas como tu.
Estudei-o.
Sei muito sobre ele.
Tive de “repreender” a minha mãe, que já te estava a querer englobar, não por culpa dela, mas por culpa de uma qualquer força proteccionista que desconheço, no saco dos meninos a quem se diz sempre… “Não faças, não mexas, não toques, olha que te queimas, olha que isto, olha que aquilo, olha que o não sei o quê…!”.
Felizmente bastou-me um…”MÃE..!”, de olhos ligeiramente arregalados, como que a dizer, “Lembre-se do curso que tirei, e lembre-se que sei perfeitamente o que estou a fazer… estou a educá-la em 5 minutos”
É maravilhoso poder olhar para ti e ver-te a devorar novidades, a trincar conhecimento e sobretudo ver os teus olhos, a olharem para os meus.
Educar é viver com, é ajudar a , é mostrar que, é dizer se, é explicar como, dizer quando, e sobretudo, mostrar porquê…
Não basta dizer “Não porque não, ou sim porque eu quero!”.
O mais belo na relação com uma criança de 4 anos, é o ter de transformar o discurso na forma mais simples e convincente, de modo a que o cérebro pequenino e com tanto espaço em branco consiga apreender tudo o que o mundo, a vida e os outros têm para lhe mostrar.
Não sei bem porquê.
Nem sei bem porque razão.
Sei sim, que gosto muito de estar contigo, de te ver, de te ensinar e de aprender.
Que venham tantas mais puros e livres momentos em que te possa ter por perto e te possa ter no meu colo, minha querida e pequenina prima.
Tens menos 25 anos que eu, mas ao mesmo tempo, parece que percebes que os meus olhos têm para ti, todo o tempo, toda a paciência, que são para ti um espelho do mundo dos sonhos em que ainda vives.
Aqui estarei para o que de mim quiseres levar.
Aqui estarei contando que a tua mão me queiras dar.
Obrigado Catarina.
Obrigado por me deixares de ti gostar!
Com um beijo do teu primo grande.
Martim

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