Trabalha.. E fala!

Ora portanto, vá lá ver, quer com isto dizer-se… é isso mesmo, pois na sequência da ordem de trabalhos atrás referida, a concordância maioritária foi conseguida e pois portante estamos a modos que conversados.
Quantidade de palavras utilizadas numa frase que não diz completa e absolutamente nada a não ser que de facto é possível escrever sobre nada, falar sobre nada, falar e não dizer nada, escrever e não dizer nada, falar e não falar, escrever e não escrever, escrever sobre o que se fala e falar sobre o que se escreve.
Agora sim, já se vai escrevendo alguma coisa que se leia, ou fazendo alguma coisa que se veja neste pouco profícuo arremessar de palavras para esta folha de papel abstracto, que me tenta enganar e fazer crer que estou de facto a escrever ou lá o que é que isto é.
Não escrevendo e pensando, não querendo e somente desejando, dou soltura aos dedos e deixo-os teclar com a violência que se exigem às grandes frases ou às frases grandes.
Quão grande é a distância que separa o silêncio da solidão do ruído da imensidão desconhecida?
Quão ruidosas são as palavras que soltas parecem folhas que das árvores caiem e juntas se amotinam em guerras de significado e sentido, como prisioneiros no pátio, amontoados juntos às “máquinas de encher”, vulgo de musculação…
As palavras rosnam a quem por elas passa com a leviandade de quem nem repara sequer no que está a dizer, ou no que está importantemente a ser dito, ou superiormente a ser escrito.
Quem das palavras foge, nelas tropeça e cai, aleija-se, magoa-se.
De resto o Sol nem sempre brilha para todos, e as palavras não chegam para toda a gente nem chegam a quem não as procura.
Como de resto não chega a vida, a sorte, a felicidade, a tristeza, a alegria, a paz, a harmonia, a serenidade e a resolução.
Nada “disto”, nada destas coisas… não palpáveis e simplesmente sentíveis, são suficientes para aquecer o corpo ao homem e alma ao portador do corpo.
Corpo e Alma são supostamente indissociáveis, mas em boa verdade estão e passam tanto tempo separados.
Na quietude da solidão se regenera o pensamento e se reconstrói, debaixo da égide da batalha incontornável entre o ser e o ser-se, todo o ser humano ferido.
É preciso errar para perceber como se faz melhor, é preciso ser-se mais pequeno para que se possa na realidade compreender a dimensão do que é crescer, ficar mais alto, maior, mais forte, melhor.
Não quero com isto legitimar toda e qualquer forma de sofrimento como imperativo condicional para a evolução, mas sem dúvida que nos faz ter a capacidade inata de resistir, a invulgar habilidade para dar a volta à adversidade consumada.
Somadas todas as parcelas, subtraídas as diferenças, os erros, os devia ter feito assim e não assado ou cozido, multiplica-se o resultado final pela unidade e o que temos?
Temos novamente a pessoa que somos.
E o que somos nós afinal?
Somos com toda a certeza mais do que éramos quando iniciámos a caminhada rumo ao cume da nossa própria personalidade, somos sem dúvida mais fortes, mais crescidos, mais humanos, mais reais, mais sérios, mais ponderados, mais calmos, mais serenos e conformados, e acima de tudo, mais experientes e conscientes que há muito mais na vida do que a vida já vivida.
Somos matéria em transformação, somos a frase sem pontuação, somos a ideia em construção com o peso da emoção de quem sabe bem o que significa viver à luz da sensação.
E isso faz de nós algo a mais ou a menos?
Não, não mesmo!
Faz de nós a aceitação daquilo que vivemos.
Faz de nós a compreensão dos erros que cometemos.
Faz de nós o encaixe do que sabemos e a oposição feita em redor do que não conhecemos.
E onde termina esta viagem?
Se Deus quiser não há-de terminar nunca.
E espero bem qu’Ele não queira de facto que tudo termine sem se alcançar, ainda que seja com a pontinha do mindinho, o objecto imaginário da viagem…
Bem sei que o Senhor é uma pessoa ocupada, que tem muito para fazer, que tem de ter milhões de olhos, pelo que não me parece de todo descabido que subcontrate pessoal para o ajudar, ou melhor, que delegue funções.
Digo-lhe no entanto que isto de termos sempre de nos referir a Si com letra maiúscula tem que se lhe diga, no meio de uma frase é estranhíssimo Senhor, veja lá isso…
Por agora vou, mas volto com certeza.
E voltarei diferente por certo, melhor assim espero, sempre melhor.
Com mais de mim e menos de assim assim.
E com tudo isto acabou por se fazer alguma coisa de tudo isto, que inicialmente mais não pareceu do que um batalhão de letras abandonadas à sua própria sorte, com a missão difícil de dar sentido a tanta ideia disconexa.
Nos dias correntes têm sido várias as conclusões, alienações, participações, acções, reacções, confusões com multidões, algo está mal, algo está seguramente bem pior do que aquilo que pensaram, pensavam, e logo aí está o erro, o pensar tem de ser evolutivo, abrangente, largo, longo, cuidado. Estamos num beco sem saída criativo, numa pequena amostra daquilo em que tudo se pode tornar caso não se faça alguma coisa, com muita, elevada, extrema urgência.
E isto é para todo e cada um de nós, homens, seres pensantes e concludentes, gente da gente, filhos de gente que também não percebe o que se passa, todos temos de abrir os olhos rapidamente e fazer mais e melhor, de forma constante, porque isto não está nada fácil.
Bem sei que muitos ainda vivem no paradigma do “Eu não pedi para nascer, tenho direito a um trabalho, à mas a Constituição diz que…, esqueçam!
É o dizias.
Trabalha malandro que a vida não é brincadeira. Hoje alguém dizia algo que já tantas vezes se disse, e foi dito, e volta a ser pensado e falado. Estamos seguramente a atravessar o pior período da história económica mundial desde o final da Segunda Grande Guerra. Exactamente 67 anos depois do fim da ocupação Nazi, temos de novo instalado o caos e a loucura, o desemprego, a fome, a miséria, a pobreza, a seca, os bancos sem dinheiro, as empresas sem dinheiro, salários em atraso, atrasados com salários equivalentes à grandeza da sua estupidez, enfim, um real e portentoso quadro de miséria, que brota todo da mesma fonte, o dinheiro e a (in)capacidade de o gerir e gastar.
É verdade, temos um cenário bastante complicado à nossa frente. 
Digo nossa e falo sobretudo para a geração do pós 25 de Abril, que neste momento é a força de trabalho do país, que tem um desafio enorme pela frente.
Contaremos, claro está com o apoio da geração acima da nossa, que nos transmitirá as orientações morais, espirituais, e sobretudo toda a experiência adquirida na própria experiência da vida,  e contamos sobretudo, connosco, comigo, contigo, com ele, com ela, eles contam com os deles e nós com os nossos e contamos uns com os outros.
O mundo tem muito para dar e nós temos mais ainda, a austeridade e adversidade sempre existiram, como diria Ricardo Araújo Pereira, “(…)claro que isto está difícil, isto sempre esteve difícil, isto está difícil desde 1143, estamos em Portugal.”, portanto meus caros, a crise não é desculpa para a malandragem, para a papalvice, para reclamar do que quer que seja. Trabalha, luta, ajuda-te, ajuda os teus, be a better men than your father, e se assim for, estarás por certo a trabalhar para deixar marca, para deixar obra, para deixar rasto.
Ser pessoa é por certo ser mais do que as pessoas pensam que são.
Ser-se gente é bem mais do que andar com os olhos no chão.
Levanta-te mandrião!
São horas de trabalhar!
Ai não te apetece?
Então olha..
Deixa-te andar.
Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s