Pensa… Pensar não é doença

Ao homem pede-se que seja homem, que seja forte, que seja capaz, que consiga tomar conta do seu destino, do seu caminho, e homens há a quem é pedido que tomem conta dos destinos dos outros homens…
Por destino entende-se o “poder superior à vontade do homem e que se supõe fixar de maneira irrevogável o curso dos acontecimentos, uma qualquer fatalidade ou até mesmo a real sucessão de factos que constituem a vida de alguém; factos esses que são independentes da sua vontade.”
Quanto ao destino propriamente dito, ao homem restam-lhe apenas duas opções, ou acredita nele ou ignora-o.
Somos, ou gostamos de pensar que somos, verdadeiramente responsáveis por tudo aquilo que fazemos… E regra geral, deixamos para o destino, a responsabilidade directa por tudo aquilo que se possa passar, que na verdade fuja directamente ao nosso controle.
Ao destino ou a Deus.
A vida é por isso um caminho incerto, indefinido, desconhecido e capaz de nos surpreender a cada novo amanhecer.
Tantas vezes me encontro a questionar-me sobre o que acontece, o que passa, o que vem, o que vai, o que fica, o que parte, o que tenho e tudo o que perdi…
E tantas outras percebo que o que vem, o que vai, o que parte e o que fica, mais não é que parte de mim.
Não sei ao certo se vale a pena pensar assim.
Não sei ao certo, hoje, quem é o Martim.
Sei que é qualquer coisa, assim, assim.
Sobretudo tenho percebido os porquês que advém das imagens que vejo, dos cheiros que ainda guardo, das palavras que não digo, das noites que não durmo, das vezes que não como.
Sou tanto, vindo de não sei onde e caminho para um não sei bem o quê, mas nas viagens de ida e volta aprendo que a subsistência da mente assenta na lucidez do que se sente.
Tantas e tantas vezes se oprime o pensamento livre e desarmado que se acaba por aprisionar o seu mais belo soldado, o pensar por si só.
E o que se ganha quando isso é feito?
Nem tão pouco admiração, nem tão pouco respeito.
Ganha-se sim o peso do mundo em cima do peito.
Somos seres de pensamentos e os pensamentos são talvez a maior arma do homem, aquele a quem se pede que seja homem, que seja forte, que seja capaz, que consiga tomar conta do seu destino, do seu caminho, e que nunca se esqueça daquilo que até aqui o traz.
Pensar é banal, é fácil, é simples, para muitos, em especial para aqueles que não pensam e pensam que pensam.
Se pensar é fácil, é porque tudo o que pensamos nos aparece traduzido por quanto maior é o vocabulário que temos.
Às vezes gostava de nunca ter estudado, para que pensar não fosse dor e fosse somente reflexo.
Viver é tão mais complexo.
Pensar em mim não é reflexo, é a tarefa maior a que me proponho no dia, é o sossego melhor que me chega pela noite já fria, é o planear e traçar o que virá amanhã, deixando o espaço fiel ao imprevisto que assola a vida mundana.
Vidas curtas, amigos tantos, noites longas de solidão.
Li hoje que (…) o tempo não passa pela amizade, mas a amizade passa pelo tempo. (…) Somos amigos para sempre, mas entre o dia de ficarmos amigos e o dia de morrermos vai uma distância tão grande como a vida.” 
Como não pensar na vida, quando a vida passa a vida a pensar em nós!?
Como não fazer do pensar uma prática quotidiana, quando o dia-a-dia nos desafia, sem sombra, sem cor, sem cheiro nem voz.
No grito amordaçado viverá sempre o pensamento aprisionado, é esse o quadro que queres ver pintado?
Não me parece que tenhas sequer nisso pensado.
Por isso, continua.
Eu fico aqui sentado. 

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