O que sou ou fui afinal?

Por certo sei que fui alguém.
Por certo sei que sou mais do que ninguém.
Com toda a certeza me refiro a mim mesmo como um prolongamento do que penso, do que faço e de tudo aquilo em que acredito, ou em que me meto.
Fernando Pessoa disse certo dia que, “Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que eu gosto, gostem de mim, nem que eu faça a falta que elas me fazem. O importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível, e que esse momento será inesquecível”, ora é pura esta ideia completa, é mágica a mente do poeta, e alguma coisa dita faz sentido numa vida meio perdida?
Tantas vezes se busca o irreal nexo das palavras, contrapondo-as ao surreal sentido da verdade dos actos, na tentativa louca de perceber qual o resultado da soma de uns com os outros, divido as emoções e subtraindo as experiências, as horas de vida, os momentos inesquecíveis, as noites não dormidas, os sorrisos de cumplicidade atirados ao vento que nos banha a cara.
Não tenho de facto a pretensão de querer que todas as pessoas de quem gosto, gostem de mim da mesma forma, até porque ninguém gosta exactamente da mesma forma, há sempre uma parte que é superior num todo, há sempre uma fatia maior em duas retiradas de um bolo.
Tenho sim, o desejo interior de que ao menos gostem de mim, não porque gosto, não porque peço, não porque demonstro, mas sim porque faço, aconteço, sou, estou, vou, e mostro sempre, tudo!
De facto, coloco acima de todo os patamares possíveis a vontade de ser ou de ter sido, em determinado(s) momento(s), inesquecível, único, incomparável, inigualável.
Posso ser presunçoso, ganancioso, egoísta, ou tudo o que nesse campo me quiserem chamar, mas tenho a certeza que fui, que sou e que hei-de voltar a ser tudo isto, porque de facto, não sou mais um, sou alguém, não mais do que ninguém, nem parente de quem tem a vontade de ser alguém.
Eu sei que sou, que fui e que certamente voltarei a ser.
Todos os momentos em que o fui, sinto-os como únicos, como primordiais, como momentos irrepetíveis, e é isso que têm de ser, que vão ser, porque não deixarei que sejam menos do que isso, mas permitirei que sejam sempre mais e mais qualquer coisa, que cresçam à dimensão construtiva e sonhada de tudo aquilo que foram momentos de sonho, e é o sonho que comanda a vida, não é mesmo?
Como tal, é de sonhos que se alimenta a alma, mesmo em dias de uma aparente calma, comanda pela tenaz madrugada limpa, que ao céu oferece a lua envergonhada, e deixa cair a humidade a espaços, o amor em abraços e o gostar em olhares puros e cristalinos.
Obrigado senhor Pessoa, porque…por…
Por tudo.
Obrigado.
Nada do que parece é na verdade uma parecença da real realidade crua.
Nada do que se assemelha ao que na verdade existe, se torna mais do que aquilo em que pensas sentado na tua rua.
Pensa bem, e torna-te insubstituível.
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