Acorda

Podia começar esta palhaçada bem ao estilo de uma adolescente atrasada mental, que começaria a noite com um singelo… “Querido diário, ou querido Blog.”
Mas não. O que me faz hoje debitar letras atrás de letras, formando frases plenamente conscientes, são as sensações que emanam de percursos forçados, para os quais me dirijo.
A vida transforma-se a cada amanhecer, e em cada aurora empobrecida me ergo e suspiro por um novo recordar.
De nada te serve a memória, apenas para te massacrar e atormentar.
A saudade é inimiga da constância.
Na realidade não sei mais o que espera desta espera interminável, não sei mais o que pedir, o que querer, o que posso desejar, se é que esse direito me é sequer concedido.
Talvez me queixe em demasia, talvez me centre estupidamente no que em mim corre, mas se eu não o fizer, quem o fará?
Se não questionar os momentos, os acontecimentos, os simples rasgos de real que se apresentam diante dos meus olhos embaciados, quem o fará por mim?
Uma e uma só resposta, uma e uma só conclusão. Ninguém. Porque ninguém tem de o fazer.
Existem caminhos destinados à solidão do percurso, assim como existem estradas de sentido único, noites sem luar, rios que não chegam onde devem, e palavras que se perdem na distância que solitariamente percorrem.
E na incerteza do pensar que me acompanha, um e um só lugar me visita a mente.
Perco-me na fugaz recordação do dia em que disse não.
Perco-me na relação incerta do que sou com o que fui, do que sou com o quero ser, e lamento, lamento profundamente, mesmo sabendo que nada mais me resta a não ser apertar os gastos atacadores e caminhar rumo ao desconhecido que me aguarda como nos aguarda o estalajadeiro, como nos aguarda Deus na sua cadeira altiva e bem informada.
A simbiose entre o desejo e o sonho permite-nos o querer, permite-nos a luta titânica contra o fardo do crescer.
Cresce e cala a boca.
Cresce e deixa-te de merdas.
Cresce e torna-te melhor do que alguma vez sonhaste ser.
Se julgas que o lamento é o cálice que sacia os pobres de espírito, espera até veres o que bebem os que se julgam ricos no seu vulgar entender.
Vive o que te espera e não esperes pela vida meu bandalho.
Papalvo de um conclave reformista a que julgas pertencer.
Mais não és do que um aspirante a homem, que nem aspirante consegue ser.
E o que te faz não tirar os olhos do chão?
Levanta a cabeça que há mais ao alcance dos olhos do que aquilo que te seduz no alcatrão.
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5 thoughts on “Acorda

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