amanhã

Ele diz que isto é uma espécie de coisa nenhuma, sem jeito para nada, que encontra na rua toda uma variedade de sacos vazios, papeis em branco, moedas que não mais têm valor, pessoas, que não mais têm nome, ou voz, ou olhos, ou verrugas proeminentes.
Diz que este mundo, está assim digamos para o, esquisito, perdidamente alucinado, com uma prisão de ventre absolutista, que se traduz na total ausência de seja lá o que for.
Mas no meio de tudo isto, ele há coisas que são deveras caricatas. Então não é que mesmo o mundo estando neste estado, ele ainda continua todos os dias a saír à rua para encontrar mais sacos não tão vazios, papéis ligeiramente riscados, moedas que têm afinal um pouquinho de valor, pessoas que afinal ainda têm nomes, embora curtinhos, como Tó, Zé, Jo, Ana, que continuam a olhar-nos, e algumas ainda têm pequeníssimas verrugas tímidas. Ou seja, há sempre um amanhã pelo qual vale a pena acordar, ainda que seja, para se repetir aquilo que se fez ontem, mas pode sempre acontecer algo, subitamente, que transforme o hoje, num grande futuro.
Ora se isto não é ser positivo, então não tenho mesmo jeito para nada, nem para esvaziar os sacos que o gajo tanto quer ver cheios de qualquer coisa que não seja o já repetido nada que lá tem todos os dias.

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