Pensas, mas no fundo não existes

“No leito de vida o poeta julgava a inconsciência do seu ser, condenava-o veemente por cada acto ou punia-o severamente por cada pensamento. Cansado de ser vítima da crueldade irrevogável do seu pastor, o pequeno cordeiro resolveu deitar-se, prostrado, pronto a morrer, deixando o velho poeta, sem ideias e sem capacidade sequer de exprimir as mínimas vontades, desejos, intenções ou simples actos mecânicos e normais numa coisa dita, humana. Foi o abandono total dos pensamentos da cabeça do homem. Invariavelmente, o homem apenas coabita neste mundo porque pensa, ou pelo menos, devia fazê-lo, tal como os outros homens. É isso que o torna brilhante e tão audaciosamente superior a todos os outros seres vivos, a quem submete as suas vontades fascistas, ou pelo menos é nisso que o homem acredita, isto é, que é superior a todos os outros seres vivos. Rídiculo para um ser vivo, que se afirma e se sabe ser inteligente, ser capaz de menosprezar toda a comunidade viva da terra apenas para se auto denominar como superior atribuíndo-se a si próprio direitos que ninguém lhe concedeu, olhando para si próprio como uma divindade que um dia ao mundo desceu. Vergonha, isso sim, vergonha era o que cada um de nós deveria sentir pelas barbaridades que a espécie humana, atroz e sádicamente comete dia após dia, ano após ano, século atrás de século. Nada nos distingue hoje em dia dos povos bárbaros de há milénios atrás, dos caçadores recolectores, dos homens das cavernas dos tempos das guerras pelo fogo. Mas esta é a realidade, o homem é o dono do mundo, e o que pode ele fazer sem pensamentos?? Nada, apenas ser ciclicamente sodomizado, como são todos os restantes habitantes, deste pequeno lugar, que tem tanto de belo, como de monstruoso, e que um dia alguém resolveu apelidar de mundo. Pobre mundo que sofres muitas vezes em silêncio, com tanta merda que vês passar diante dos teus olhos, não chores mais, em breve tudo estará terminado. Acredita em mim.”

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2 thoughts on “Pensas, mas no fundo não existes

  1. religiosamente ponho a mão no bolso, vasculho cada micro espaço da minha algibeira empoeirada, o pedinte aguarda-me com um olhar perdido e esbranquiçado, nem sei bem o que lhe dizer, a vergonha apodera-se lentamente da minha consciência, onde teria eu guardado aqueles 50 cêntimos?! Por fim, desisto, e assim o faz o pedinte praguejando por entre dentes. Desculpe senhor, pensava mesmo que tinha pão para lhe saciar a fome, assim sendo, nem uma ténue migalha, ter fome é mau apenas para quem come.

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